Greve na rede estadual de Educação segue até governo cumprir pauta

Coordenadora do Sinte/RN, Fátima Cardoso, diz que movimento continua até pagamento de pontos cortados

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Os professores da rede pública do Estado permanecerão em greve até que o Governo do Rio Grande do Norte cumpra com o pagamento dos pontos cortados nos últimos 50 dias de paralisação. A categoria reforça que o Estado deve obedecer à decisão judicial publicada no último dia 12 de março, quando o Tribunal de Justiça do Rio Grande do Norte, através de liminar concedida pelo desembargador Expedito Ferreira, proibiu o corte dos salários dos grevistas. A continuidade da greve foi decidida em assembleia realizada na manhã desta quarta-feira(19) pelo Sindicato dos Trabalhadores em Educação Pública do Rio Grande do Norte (Sinte-RN).

“A assembleia de hoje foi pautada com o indicativo de acabarmos a greve a partir de amanhã, já que conseguimos a aprovação dos projetos pleiteados. Porém, a categoria achou melhor continuar paralisada até que o Governo cumpra com a decisão judicial. Iremos esperar que os professores recebam o que foi descontado de seus salários nos últimos dias”, afirmou José Teixeira, membro da coordenação geral do Sinte-RN.

A proposta do Sinte era de que a greve seria encerrada após o envio de projetos à Assembleia Legislativa, os quais garantem o cumprimento dos direitos da categoria, como o redimensionamento do porte das escolas, gratificação dos diretores e vice-diretores de Diretorias Regionais de Educação (Direds), promoção de Letra, mudança no Plano de Cargos e Salários e reajuste salarial de 8.32%.

O último projeto enviado ao Legislativo, que diz respeito ao Plano de Cargos e Carreira com especificações de promoções de Letra, foi protocolado ontem (18) e deverá seguir em votação na Assembleia Legislativa ainda nesta semana em regime de urgência. Agora, o sindicato resolveu mudar o rumo da greve, de modo a evitar que o Estado não cumpra com o pagamento dos pontos cortados.

De acordo com o Sinte, apesar de algumas escolas da rede não terem aderido totalmente à paralisação, 90% dos professores vinculados ao Estado se mantêm em greve até hoje. “A categoria entendeu a importância dessa paralisação e não se deixou levar pelas denúncias e perseguições da Secretaria de Educação”, disse Fátima Cardoso, coordenadora geral do Sinte-RN.

Sindicalista Fátima Cardoso. Foto: Wellington Rocha
Sindicalista Fátima Cardoso. Foto: Wellington Rocha

A secretária de Estado da Educação, Betânia Ramalho, disse que a Procuradoria Geral do Estado está recorrendo sobre a decisão do TJRN em proibir o ponto de corte dos professores grevistas, temendo que a reposição das aulas perdidas não seja devidamente realizada. “Na ação encaminhada pelo Sinte ao TJRN, na qual o sindicato contestava o corte dos pontos, não havia falando sobre a categoria repor as aulas. Nós não iremos pagar pelos dias de greve sem a garantia que eles irão repor os dias perdidos e os conteúdos não ministrados”, destacou Betânia Ramalho.

Segundo a secretária, haverá uma orientação por parte da Secretaria de Educação aos diretores das escolas, especificando todo o conteúdo perdido durante o período de greve. “Faremos uma fiscalização severa através das Diretorias Regionais da Educação (Direds) e da Inspeção Escolar. Não permitiremos que os alunos sejam prejudicados com tanto tempo sem aula”, disse.

Um dos pleitos futuros a serem levantados pelo Sinte, para a melhoria da rede pública de Educação, é a respeito da necessidade de contratação de mais professores para as escolas. Fátima Cardoso disse à reportagem que a rede está precisando, “imediatamente, da contratação de aproximadamente 1.500 professores”.

“Passada essa greve, nós iremos convocar uma coletiva de imprensa e mostrar nas próprias escolas essa realidade da falta de professores”, afirmou a professora sindicalista. Sobre essa declaração da coordenadora geral do Sinte, Betânia Ramalho preferiu não confrontar dados. “Não quero comentar isso. Essa é uma situação que não convém a ela (Fátima Cardoso)”, disse.

Após a realização de assembleia da categoria, o Sindicato dos Trabalhadores em Educação coordenou uma passeata pelo centro da cidade reforçando pleitos nacionais da categoria. Os professores exigem o cumprimento da lei do piso, carreira e jornada, investimento dos royalties de petróleo na valorização da categoria, votação imediata do Plano Nacional de Educação e destinação de 10% do PIB para a educação pública.

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