Grevistas continuam acampados até prefeito atender a pauta

Categoria está em greve há 50 dias por melhores salários e condições de trabalho

Foto: Wellington Rocha
Foto: Wellington Rocha

Alessandra Bernardo

alessabsl@gmail.com

Há 50 dias em greve, os servidores da Saúde de Natal montaram acampamento em frente ao prédio da Prefeitura da Capital e afirmaram que só saem de lá após serem recebidos por Carlos Eduardo Alves. Eles reclamam que itens acordados entre a categoria e o executivo municipal não foram cumpridos, como o pagamento da progressão salarial de 2012, e também não aceitam negociar o reajuste oferecido de 5,68%.

“Acordamos alguns itens da pauta de reivindicações e o secretário Cipriano Maia ficou de enviar o documento confirmando os acordos na última sexta-feira. Mas, apenas nesta segunda-feira, foi que recebemos o termo, que estava totalmente contrário ao que tínhamos combinado na semana passada. É por isso que estamos acampados aqui e só sairemos quando o prefeito nos receber dignamente”, explicou a integrante do Sindicato dos Servidores da Saúde do Rio Grande do Norte (Sindsaúde), Rejane Rodrigues.

Ela afirmou que, além de pedir prazos longos para cumprir alguns itens da pauta, há pontos que foram prometidos desde a última greve da categoria, no ano passado, e que nunca foram cumpridos. As demais reivindicações são relacionadas à licença-prêmio, às perdas salariais que somam 14% e progressão de nível de 2012, que não aconteceu.

“Como a progressão de 2012 ainda não foi implantada e não temos expectativa alguma para a deste ano, estamos pedindo a progressão sem avaliação. Só que o prefeito sempre alega que não há condições de pagar o que é nosso de direito e o reajuste e as perdas salariais reivindicados, alegando falta de dinheiro. Mas paga reajustes muito maiores para outras categorias”, disse.

Rejane falou ainda que o prefeito poderia remanejar verbas de outras secretarias para cumprir os pontos da pauta de reivindicações dos servidores da saúde, que somam cerca de dois mil em todo o município de Natal. “Estamos lutando pelos nossos direitos e não vamos sair daqui, da frente da Prefeitura, enquanto não formos recebidos pelo prefeito Carlos Eduardo”, afirmou.

 

Servidores reclamam de condições precárias de unidades de saúde

Em greve desde o dia 15 de abril, os servidores da saúde de Natal reivindicam uma série de melhorias salariais, como reajuste salarial, gratificações, pagamento de direitos atrasados e redução de carga horária para os enfermeiros. Eles rejeitaram os 5,68% oferecidos pela Prefeitura e revelaram que a categoria apresenta 14% de perdas salariais.

Segundo a diretora do Sindsaúde, Célia Dantas, os servidores foram enganados no ano passado, ao acreditarem que o executivo atenderia os pontos acordados na última greve e que, desta vez, não cairão mais nas promessas feitas. E, se for necessário, os acampados permanecerão no local até o início dos jogos da Copa do Mundo no Brasil, marcado para o dia 12 de junho.

“A Prefeitura diz que não tem dinheiro para atender às nossas reivindicações, mas pode gastar milhões para decorar a cidade e com as obras exigidas para a realização da Copa do Mundo em Natal. Enquanto isso, as unidades de saúde sofrem com falta de água, de medicamentos, insumos e o aumento da violência, que já resultou em vários casos de assaltos a mão armada durante atendimento”, desabafou.

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