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Grevistas federais impedem acesso ao IFRN e fecham Bernardo Vieira

Data: 31 julho 2012 - Hora: 15:31 - Por: Juliana Manzano

Servidores em greve da UFRN e Ufersa se uniram aos do IFRN com o objetivo de fortalecer o movimento de orientação nacional. Foto: Heracles Dantas

Portões fechados, movimentação nas ruas, princípio de tumulto, trânsito congestionado e servidores, técnicos e estudantes federais reunidos para lutar por melhorias para a educação pública e reajustes salariais. Este foi o cenário da mobilização realizada nesta manhã, quando mais de 300 grevistas impediram, o acesso ao campus central do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do RN (IFRN) e, em seguida, fecharam um dos cruzamentos mais movimentados da capital, localizado entre as avenidas Bernardo Vieira e Salgado Filho. A Polícia Federal foi solicitada por alunos para negociar a reabertura dos portões que aconteceu por volta das 13h30.

A mobilização foi marcada pela união dos servidores federais da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN) e da Universidade Federal do Semi-Árido (Ufersa) aos do IFRN em torno da greve nacional das categorias de docentes e servidores técnico-administrativos. A atividade segue a orientação nacional de radicalização e faz valer o slogan ‘Se não negociar, não tem matrícula nem vestibular’, lançado pela Federação dos Sindicatos dos Trabalhadores das Universidades Públicas Brasileiras (Fasubra). Se não houver avanço na negociação, os grevistas ameaçam impedir a realização do vestibular da UFRN e também o reinício das aulas na instituição, previsto para a próxima segunda-feira, 6.

Integrante da direção do Comando de Greve do IFRN, o professor Wanderlan Porto, afirma que a decisão de barrar todas as atividades do campus central faz parte do movimento nacional de radicalização. “Aqui há atividades públicas, mas também há atividades privadas como cursos e programas, por exemplo, que são ofertados nas dependências do IFRN, mas não têm faceta pública. Hoje ninguém entra, independente de qual seja a ligação com a Instituto. Os três portões estão fechados e a entrada não será permitida”, explica Wanderlan Porto.

No começo da manhã, um tumulto foi iniciado quando um diretor de uma destas empresas privadas tentou entrar no IFRN à força e foi impedido pelos grevistas. O diretor explicou que tinha alguns projetos para entregar, prazos a cumprir e não aceitava a mobilização. “Faço parte de uma das empresas privadas que desenvolvem projetos na área de tecnologia e funcionam aqui no campus. Tentei entrar, não consegui e fui agredido”, disse Sérgio Varella. Os grevistas, no entanto, negam que a agressão aconteceu e afirmam que o rapaz tentou abrir o portão à força.

Aluno do curso de Geografia do IFRN, Samir de Paula, é um dos estudantes que apóia o movimento paredista dos servidores. “Compreendo que o maior prejuízo está sendo causado não pela greve, mas pelo que a causou que foi o acordo não cumprido no ano passado por parte do Governo Federal. Os professores querem apenas condições melhores para trabalhar e eu entendo que a greve é o único mecanismo para conseguir estas melhorias”, afirma o estudante.

Já a aluna do curso técnico em Informática, Heloisa Santos, alega prejuízos aos  estudos. “O que o Governo tem feito com os servidores é um descaso. Então, eu acho que eles estão no direito deles e se eu fosse servidora também estaria em greve. No entanto, também me sinto prejudicada porque tenho muita coisa para estudar e não posso”, reclama a estudante.

As alunas de Edificações, Aline Siqueira, Lara Lopes e Débora Mendes, foram pegas de surpresa quando chegaram ao IFRN para resolver questões acadêmicas. “Nós viemos para resolver alguns problemas e fomos surpreendidas com a movimentação. Porém, decidimos ficar porque acreditamos que a greve não pode ficar apenas dentro do Instituto tem que levar para fora dos muros para que a sociedade tenha conhecimento”, afirma Aline Siqueira.

Grevistas causam congestionamento no trânsito

Até ontem, os servidores em greve da UFRN e Ufersa estavam decididos a fechar uma das BRs que dão acesso à capital potiguar. Porém, em assembléia realizada na reitoria da UFRN, nesta manhã, os grevistas decidiram unir-se aos servidores da IFRN para fortalecer a atividade que impedia o acesso ao campus Central do Instituto em busca de mais visibilidade. Além do fechamento dos portões do campus, eles decidiram fechar o cruzamento das avenidas Bernardo Vieira e Salgado Filho por cerca de 20 minutos.
A coordenadora do Sintest/RN, Vânia Machado, explicou que a categoria entendeu que fortalecer o movimento seria, no momento, melhor que fechar uma rodovia federal. “Não adiantaria fazermos apenas a nossa parte fechando uma BR. Então, entendemos que este é um local mais central e que, portanto, uma manifestação aqui daria mais visibilidade e resultado para nossa causa”, ressalta a coordenadora. O coordenador geral do Sintest/RN, José Rebouças reforçou a importância do ato. “Aqui o impacto da atividade é bem maior”, diz.

Uma aluna incomodada com o fato de ter sido impedida de entrar no campus do Instituto acionou a Polícia Federal para que fizesse uma intervenção sobre o protesto e obrigasse a abertura dos portões. Com isso, uma delegada acompanhada de agentes da Polícia Federal foram ao local para negociar com os grevistas. Durante a negociação foi acordado que os grevistas teriam 40 minutos para decidir pelo fim ou não do ato e voltara para negociar com a delegada.

A delegada Ohara Fernandes explica que pediu razoabilidade aos grevistas e que acredita que o bom senso iria prevalecer. “Todo cidadão tem direito de ir e vir, assim como eles tem o direito legítimo à greve. No entanto, viemos conversar, pedir razoabilidade e suscitar o bom senso para que eles permitam a entrada do pessoal porque o local é público”, explica.

Os grevistas aproveitaram o tempo dado pela PF para realizar a atividade para a qual estavam preparados e fecharam o movimentado cruzamento das avenidas Bernardo Vieira e Salgado Filho. O fechamento do trecho causou congestionamento no trânsito e deixou motoristas revoltados. “Acho um absurdo que isso aconteça. Se eles têm direito de protestar, nós também temos o nosso direito de trafegar pela cidade livremente. Isso é um desrespeito à população”, disse o farmacêutico Rafael Silva.

Já o veterinário Adamastor Coelho disse entender o movimento, mas também se sentiu prejudicado. “Eu entendo os motivos dos grevistas, mas a população está sendo prejudicada e, neste momento, não temos como ajudá-los”, diz o veterinário.

Após liberar o cruzamento das vias e o trânsito, os grevistas voltaram para a negociação com a Polícia Federal e definiram que o movimento será mantido, no entanto, os portões do IFRN foram abertos para quem quisesse ter acesso a partir das 13h30.

NEGOCIAÇÕES

Sem avanço desde o ano anterior, a pauta de reivindicações dos técnico-administrativos da UFRN é praticamente a mesma que motivou a greve em 2011, ampliando algumas novidades devido às medidas recentes do Governo, como a tentativa de redução de salários dos médicos dos Hospitais Universitários (HUs) e a insalubridade e periculosidade dos servidores públicos (MP 568/12). É importante destacar que tanto universidades quanto institutos federais (IFs) possuem a mesma lei de carreira, o que também levou à deflagração da greve por parte dos servidores do IFRN.

Entre as várias reivindicações dos servidores técnico-administrativos estão à implantação do piso salarial de três salários mínimos e a isonomia salarial e de benefícios como alimentação, creche e saúde, além do posicionamento contrário ao Projeto de Lei 549 que pretende congelar os salários por 10 anos e ao PL 520 que visa privatizar os hospitais universitários.

Os docentes de universidades e institutos federais rejeitaram a proposta de reajuste oferecida pelo Governo Federal após avaliarem que a proposta é enganosa e não atende as reivindicações da categoria. A proposta apresentada pelo ministro da Educação, Aluízio Mercadante e pela ministra do Planejamento, Miriam Belchior, mostrou reajuste de 45% para os docentes, sendo este escalonado em três anos. Porém, este reajuste contemplaria apenas uma parcela mínima de servidores. “Pela forma que foi divulgada, esta proposta teve o objetivo de jogar a opinião pública contra o movimento grevista. O Governo informou que o reajuste seria de 45%, mas na verdade, só uma parcela de 2% a 3% dos professores receberiam este reajuste, que seria para os docentes doutores e que estão em final de carreira”, explica o coordenador do Sinasefe/Natal, Marcel Matias.

Outra reivindicação questionada pelo Sindicato e não aceita pelo Governo é o reajuste do índice inflacionário. Com o escalonamento do reajuste em três anos, no qual a primeira parcela seria paga em 2013, a segunda, em 2014 e a terceira, em 2015, os salários já estariam defasados novamente ao final do prazo. Em resumo, os salários ficariam congelados por três anos. Até o momento, não foi apresentada nenhuma proposta verídica para os servidores técnicos. Há apenas uma promessa para que esta proposta seja apresentada.

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