Grife inova e usa pedintes e usuários de crack em campanha de moda

Sharkle fez um catálogo fora dos padrões: em vez de modelos em cenários paradisíacos, e-commerce mostra pessoas ignoradas pela sociedade

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A indústria da moda vive em constante mudança. Em um ano, uma peça pode “estar em alta”; logo depois, a mesma roupa é condenada aos confins dos guarda-roupas. Mas existem coisas que normalmente não mudam: os modelos são sempre bonitos, saudáveis e atraentes e obedecem a um padrão diferente do real. Os cenários nunca remetem à pobreza. No entanto, algumas grifes fugiram desses estereótipos: as campanhas de Oliviero Toscani para a marca italiana Benetton, nos anos 1990, eram estreladas por crianças esqueléticas e presidiários. Aqui no Brasil, uma empresa também substituiu o glamour por problemas sociais: a Sharkle, um comércio eletrônico de street wear criado há dois meses.

A Sharkle é de Florianópolis, famosa pela exuberância de suas paisagens. Só que a capital catarinense, como todas as outras cidades do mundo, tem problemas sociais: “Como gente pedindo dinheiro e morando embaixo da ponte”, diz Marcelo Oriano, 24 anos, cofundador da grife – a Sharkle também é comandada por Alexandre França, 22.

A empresa, na hora de preparar um catálogo com os produtos, pesquisou o que várias outras marcas de moda de rua haviam feito. “Todos mostravam um monte de mulher bonita na praia e atletas manobrando em pistas de skate. Tudo muito batido”, afirma Oriano. “Só que o street wear vem da rua e é feito para a rua. Foi daí que surgiu a inspiração.”

Os dois fundadores da Sharkle resolveram, então, ir para as ruas de Florianópolis com uma câmera na mão. Na primeira sessão, realizada durante o dia, eles foram atrás de pedintes. Segundo Oriano, não foi difícil convencê-los a participar da campanha. “Chegamos até o pessoal, falamos da marca e dissemos a eles que queríamos que a sociedade visse os problemas deles”, diz.

Na segunda, Oriano e França contaram com a ajuda do fotojornalista Eduardo Valente. Os três foram até um ponto de consumo de crack. Encontraram resistência de alguns usuários, mas foram tratados educadamente por quem foi fotografado. As imagens mostram pessoas vestindo camisetas da Sharkle e consumindo a droga.

 

Fonte: Pequenas Empresas & Grandes Negócios

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