Groupon deixa as compras coletivas de lado e aposta nas pequenas empresas

Empresa continua reunindo descontos, mas sem número mínimo de compras. Foco agora é no mobile e na qualidade dos parceiros

Michel Piestun, do Groupon (Foto: Divulgação)
Michel Piestun, do Groupon (Foto: Divulgação)

O modelo de compras coletivas é, pelo menos na teoria, extraordinário. O consumidor tem acesso a produtos e serviços com descontos gigantescos e as empresas, no mínimo, aumentam sua clientela. Há alguns anos, quando o modelo desembarcou no país, havia uma dúvida se os brasileiros teriam problemas para trabalhar com cupons. Não tiveram e foi uma doideira. Surgiram, aos borbotões, centenas e centenas de sites de compras coletivas. Hoje, ninguém mais se lembra da maioria deles. Foram inúmeras as reclamações de pessoas que eram mal atendidas, esperavam horas por um prato de comida ou que não recebiam adequadamente os produtos que compravam. Hoje, estamos em um ponto em que compras coletivas chegam a ser associadas a coisas ruins. Por isso, as empresas do setor precisaram se reinventar. Um exemplo desses é o Groupon, criador do modelo no mundo. A empresa simplesmente saiu dessa.

O Groupon não se vende mais como um site de compras coletivas. Continua oferecendo descontos, mas menores. Por outro lado, a compra agora é garantida – ao contrário da época em que a oferta só valia após um número mínimo de aquisições. Para que os perrengues dos usuários se tornem coisa do passado, a empresa afirma que está mais rigorosa com os anunciantes. Além dos descontos, quer se tornar uma referência para usuários curiosos por conhecer lugares novos. Para cumprir esses objetivos, o Groupon aposta na parceria com pequenas e médias empresas.

Essa reestruturação começou no ano passado e um dos principais nomes deste novo ciclo é Michel Piestun, diretor nacional da empresa desde junho. Piestun ocupou cargos em companhias como Samsung, Schincariol, Motorola e IBM. E antes de trabalhar como executivo, o CEO do Groupon tinha o próprio negócio. “Comandei uma franquia de educação. Na época, era muito difícil, por exemplo, conseguir alunos. “Não existiam ferramentas que ajudassem o empreendedor a ampliar a base de clientes”, afirma.

Até pelo passado no comando de um negócio, Piestun foca nas pequenas empresas como o principal motor de crescimento do Groupon. “Nós firmamos uma parceria com benefícios para as duas partes. E quem anuncia nunca vai perder, pois não cobramos mensalidade. O pagamento é uma comissão por venda confirmada.”

O Groupon diz que parte da preocupação está em não aceitar qualquer empresa. Segundo Piestun, uma série de fatores é analisada para que um negócio se transforme em parceiro. Pode ser que um restaurante seja bacana e bem localizado, mas se a demanda da região fizer com que os descontos não valham a pena, o negócio não é fechado. “Analisamos caso a caso. Mas o que garanto é que nosso cliente nunca é enganado”, diz.

Para os interessados, a página Groupon Negócios reúne as informações necessárias para quem quiser se tornar parceiro.

Acabando com o “ranço”

Piestun não nega que a era das compras coletivas “deixou um ranço” no consumidor. “Teve um monte de problemas: restaurantes que ofertavam quantas mesas quisessem, mesmo que a capacidade do lugar não suportasse a demanda, por exemplo.” Agora, o Groupon tem ferramentas que mitigam o risco de superlotação ou descontos absurdos. “Se o anunciante propuser uma oferta irreal, não deixaremos o anúncio ir ao ar”, afirma Piestun.

Para evitar problemas de atendimento, a saída foi aumentar o controle de qualidade dos estabelecimentos anunciados, por meio de ligações telefônicas. O Groupon também pede para que os usuários falem como foi a experiência da compra. A opinião dos clientes é repassada aos empreendedores, para aperfeiçoar ainda mais o serviço.

De acordo com o executivo, o reposicionamento do negócio está trazendo benefícios importantes. Piestun não abre números da operação brasileira, mas diz que o momento é bom e que os níveis de satisfação da empresa nunca foram tão altos.

Guia de bolso

De acordo com Piestun, as operações da empresa em outros países têm um foco muito maior no mobile do que o Brasil. Mas a tendência é que isso mude. Um dos objetivos da empresa é transformar o Groupon em um guia de bolso – uma plataforma que, além dos descontos, mostre boas opções de produtos e serviços.

O Groupon já tem um aplicativo para smartphones e tablets, mas a versão brasileira ainda não conta com recursos que existem em outros países, como a localização de estabelecimentos próximos em um mapa. Por enquanto, tudo é listado por região. O plano, no entanto, é trazer os mapas para o aplicativo brasileiro ainda neste ano.

O Brasil deve receber, até o fim de 2014, duas outras frentes do Groupon: o Reserve, voltado para reservas de restaurantes, e o Live, voltado para o entretenimento.

 

Fonte: Pequenas Empresas & Grandes Negócios

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