Grupo pernambucano deve pedir demolição do Reis Magos esta semana

Empresários de Recife quase desistiram do projeto

 parte da estrutura do hotel será demolida, mantendo apenas o térreo onde poderão ser construídas cerca de 220 lojas. Foto: Divulgação
parte da estrutura do hotel será demolida, mantendo apenas o térreo onde poderão ser construídas cerca de 220 lojas. Foto: Divulgação

Marcelo Hollanda
hollandajornalista@gmail.com

Por muito pouco, quase nada, o projeto de demolição do Hotel Reis Magos foi pelo ralo junto com a disposição dos proprietários de construir ali um centro comercial, como chegou a anunciar em outubro último o cirurgião plástico José Pedroza Filho, caçula de José Pedroza de Oliveira, fundador do Grupo de Hotéis Pernambuco.

Em um e-mail recebido esta semana pelo secretário de Turismo e Desenvolvimento Econômico, Fernando Bezerril, o empresário chegou a jogar a toalha. Embora o hotel dos Reis Magos pertença a ele por herança, o pai fez grande pressão para que o empreendimento não saísse.

A maior razão de José Pedroza, pai, é de que nenhum tostão deveria ser aplicado no projeto enquanto a Praia do Meio continuasse restrita ao gabarito de quatro andares pelo Plano Diretor de Natal, um problema que também engessa o desenvolvimento da Zona Norte e entrega toda a área de bandeja para a degradação das invasões de terra.

O filho de Pedroza, que é um bem sucedido cirurgião plástico, com agenda lotada, queria tocar a ideia da demolição do Reis Magos, mas começou a se cansar depois de encontrar muita  resistência do pai. O e-mail que ele postou para Bezerril desistindo de tudo motivou uma pequena operação de guerra.

Na última sexta-feira, acompanhado de alguns assessores, o secretário desembarcou em Recife para tentar um último encontro com Pedroza, pai. E a novidade é que aparentemente ele conseguiu, pois já na semana que se inicia o fundador do Grupo de Hotéis Pernambuco chega a Natal pessoalmente com disposição de dar entrada na Secretaria de Meio Ambiente e Urbanismo (Semurb) do pedido de demolição.

Aos 88 anos, o fundador do grupo reuniu os filhos Maria Carolina, Samuel Oliveira e José Pedroza Filho, todos diretores e proprietários, para anunciar sua decisão. Quem estava lá disse que os filhos tomaram um susto quando viram que o pai resolveu voltar atrás em sua decisão.

Com Bezerril, acompanharam o encontro o chefe de gabinete dele na Secretaria de Turismo, o engenheiro ambiental Marcelo Alvim; o arquiteto Eudes Galvão, que pertence aos quadros da Semurb, como convidado do secretário; o assessor de desenvolvimento econômico da Seturde, jornalista Airton Bulhões e o técnico de Informações Turísticas,  Maurício Cavalcante.

Ficou então decidido que parte da estrutura do hotel será demolida, mantendo apenas o térreo onde poderão ser construídas cerca de 220 lojas e o subsolo com  capacidade para estacionamento de 300 veículos.
“Os planos para construção de um novo prédio estão de pé, vamos deixar as fundações prontas para que um novo hotel seja construído, enquanto o código de obras de Natal não mudar aquele gabarito de permitir construções na praia do Meio e adjacências, não vamos investir”, anunciou Pedroza.

O empresário se queixou mais uma vez do abandono daquela parte da orla marítima de Natal. Fernando Bezerril  disse a ele que a orla será outra até maio com a urbanização de toda faixa de praia de Ponta Negra a praia do Forte.”

José Pedroza Filho, a quem coube no inventário do pai a área do Hotel dos Reis Magos com valor inscrito de R$ 12 milhões, sempre quis demolir o imóvel o mais rapidamente possível para plantar ali um estacionamento na área subterrânea e em cima dele um empreendimento térreo de livre circulação do público para um conjunto de salas comerciais e escritório.
Na divisão dos bens da empresa entre os filhos de José Pedroza, o Zezito, um homem de 88, coube ao caçula assumir o hotel dos Reis Magos, um investimento que a família já sabe terá retorno de longo prazo.

Falando com exclusividade a O Jornal de Hoje em outubro passado, Pedroza Filho explicou que o formato do projeto que ele repassaria à Semurb teve como escopo quatro finalidades: reassumir o imóvel, dar uma satisfação à opinião pública e afastar o perigo de uma desapropriação da área pelo município e, é claro, tornar o empreendimento expansível, adequando-o à lógica (nem sempre razoável) do mercado. Foi o melhor a fazer dentro de uma empresa familiar muito bem sucedida nas áreas de hotelaria e construção civil.

Quem conhece a história do Hotel dos Reis Magos até entende a engenharia da solução apresentada. Depois de arrendar o hotel para uma dupla de potiguares, que durante 10 anos nunca pagou aluguel e IPTU, a empresa pernambucana fez vários planos para o imóvel, cujas negociações até bem pouco tempo atrás estavam sob o comando de um genro da família.

Com a separação e a desvinculação desse genro dos interesses comerciais, a solução esbarrou na divisão familiar dos negócios. Antes disso, o grupo precisou escalonar e iniciar o pagamento dos ITPUs vencidos e passar pelo desagradável desfecho de indenizar em R$ 250 mil os devedores para que eles desinfetassem a área. Essa solução valeu aos gêmeos arrendatários do hotel o apelido de “gênios” por terem se preocupado desde o começo em contratar um bom advogado para defender sua causa.

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