Guardas Municipais de Natal possuem as mesmas armas há 20 anos

Categoria aguarda o cumprimento do estatuto, aprovado desde 2008

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Sem a resposta da Prefeitura para as reivindicações que foram feitas nos últimos meses, a Guarda Municipal de Natal (GMN) entrou em greve nesta quinta-feira (5). Um dos pontos que mais revoltam os guardas é o fato de que eles trabalham com as mesmas armas há mais de 20 anos.

“O nosso armamento é o mesmo desde que a Guarda foi criada aqui em Natal, há 23 anos, nunca foi renovado. Ainda andamos com revólver 38. Agentes de segurança pública não podem mais andar com um 38, é absurdo. Os bandidos estão cada vez mais com melhores armamentos. Enquanto os bandidos chegam com pistolas e escopetas, os Guardas Municipais estão com revólveres 38. Isso quando as nossas armas não falham, como já aconteceu diversas vezes”, destacou Margareth Vieira, presidente do Sindicato dos Guardas Municipais de Natal (Sindguardas).

Margareth também alegou que os coletes que são usados pelos Guardas estão vencidos. “Desde o ano passado que os coletes utilizados pelos Guardas estão vencidos. Nós já passamos essa situação para a Prefeitura, mas até agora nada aconteceu. Ainda bem que não tivemos nenhum problema mais grave com os Guardas Municipais, mas com a atual situação dos nossos equipamentos, o risco de algum incidente mais grave é muito grande”.

Além das pautas já citadas, o Sindguardas também cobra o envio do Plano de Cargos, Carreiras e Salários à Câmara Municipal para votação e o cumprimento do Estatuto da Guarda Municipal. “O Estatuto foi aprovado em 2008, mas a Prefeitura não o cumpre. Ele traz as atribuições dos guardas, os direitos e deveres da cada um. A cadeia hierárquica da corporação. Dentro desse Estatuto tem a questão da realização de um concurso público, tem a promoção dos guardas, tem a criação do Núcleo de Apoio Psíquico e Social para os membros da Guarda. Além do Núcleo de Planejamento Estratégico”, explicou Margareth, que ainda completou. “No ano passado nós ganhamos uma liminar no qual obrigava a Prefeitura a reservar recurso para a contratação de um Seguro de Vida para a Guarda Municipal, mas isso também não foi cumprido pela Prefeitura”.

A Prefeitura do Natal afirmou que está buscando solucionar o problema do armamento o mais rápido possível. Já sobre as outras reivindicações, o executivo municipal informou que como elas atingem várias secretarias, o assunto ainda será analisado.

Com um efetivo atual de 506 pessoas, durante a paralisação, que é por tempo indeterminado, a Guarda Municipal funcionará com apenas 30% da equipe atual. Questionado sobre o trabalho da Guarda na Copa do Mundo, quando cerca de 60 homens estarão diretamente ligados ao Mundial, Margareth afirmou que não está preocupada. “A Copa do Mundo é preocupação do Governo, não nossa. A nossa preocupação é com o melhor para a nossa categoria. Vamos trabalhar com os 30%. Se não for o suficiente, o problema não é nosso”.

Efetivo pequeno

Em entrevista para o Jornal de Hoje, o comandante geral da Guarda Municipal do Natal, João Gilderlan Alves de Sousa, admitiu que o atual efetivo da corporação não é suficiente para atender a demanda. “Realmente o nosso efetivo atual é pequeno. Então nem todas as ocorrências nós podemos atender. Depende muito da situação. De imediato, acredito que o que solucionaria esse problema seria a questão das Diárias Promocionais. Assim conseguiríamos praticamente dobrar o efetivo diário nas ruas. Já que o pessoal estaria recebendo para trabalhar além do período normal”. Ele informou que até o primeiro semestre de 2015 a Guarda estará recebendo novos veículos. “Em questão de equipamentos, estamos bem servidos. Até o final do ano teremos até 35 viaturas para a cidade, com esse número podendo aumentar até junho de 2015”.

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