Guitarrista americano John Pizzarelli faz show hoje em Natal

Repertório vai de Beatles a Tom Jobim; evento promete ser dos mais importantes do ano na capital potiguar

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Conrado Carlos

Editor de Cultura

Aos 54 anos, John Pizzarelli frequenta listas de grandes nomes da guitarra jazzística atual. Comparado a gênios, como Les Paul e Django Reinhardt, ele mescla técnica refinada no instrumento, voz acariciante para os tímpanos e carisma no palco, após décadas de casos tórridos com vários gêneros musicais – bossa nova inclusa. Espelhado nos monstros do passado, estabeleceu o formato de seu trio e a matéria-prima para sua criatividade. Na música brasileira, encontrou uma paixão arrebatadora, a ponto de, em 2004, gravar um álbum intitulado com o som ‘patenteado’ por Tom Jobim, João Gilberto e Vinícius de Morais. Um cara de Nova Jersey, espécie de Niterói nova-iorquina, que teve no pai, Bucky Pizzarelli, a maior das inspirações. É com essa gama de atrativos que ele desembarca pela primeira vez em Natal, na noite deste sábado (17), para um show no Teatro Riachuelo, cujo repertório se estende até o pop.

Pizzarelli lançou seu último álbum dois anos atrás. “Double Exposure” tem composições de Lennon & McCartney, Neil Young, James Taylor, Leiber e Stoller, Tom Waits, Joni Mitchell e canções autorais. Mas desde 1993, ele entrou no seleto clube dos astros do jazz ao excursionar com Frank Sinatra e participar da festa de 80 anos de The Voice, no Carnegie Hall. Entre seus 15 discos, no entanto, “Meet The Beatles” (1998), por motivos óbvios, foi seu maior sucesso comercial. “I’ve Just Seen The Face”, “Can’t Buy Me Love”, “Things We Say Today”, Eleanor Rigby”, todas com novos arranjos que transportam o ouvinte para a era do swing (fração do jazz em que seu pai circulava), como se os Fab Four tivessem articulado uma conversa musical com Duke Ellington ou Benny Goodman, com a palhetada do belga cigano Reinhardt incorporada por George Harrison.

Acompanhando do pianista Konrad Paszkudziki, do baixista (e irmão) Martin Pizzarelli e do baterista Kevin Kanner, John deve brindar os natalenses com versões de “Águas de Março” e “Garota de Ipanema” – o que mostra a potência artística da música brasileira criada nos anos 1950, 1960 e 1970. Houve um tempo, logo depois de Dizzy Gillespie introduzir ritmos latinos no jazz americano, sobretudo cubanos e o que saia do Oiapoque ao Chuí, que falar em Brasil era agregar sofisticação. Além dos supracitados, Baden Powell, Airto Moreira, Trio Mocotó e uma penca de nomes forjaram uma cena sem precedentes – e pouco, ou quase nada, valorizada hoje em dia. John Pizzarelli calcula em mais de 15 apresentações no Rio de Janeiro. Só nessa excursão de 2014, serão oito cidades (Natal é a quarta parada), antes de retornar aos Estados Unidos, onde fará duas exibições no Jazz At Lincoln, em Nova York.

Boa mostra do que a promoção da Opus Promoções e o Bourbon Street (marca que responde pelo principal clube de jazz de São Paulo) pode ser conferida em um setlist elaborado pela rádio Eldorado. Disponível de graça na internet, é uma prévia bacana para logo mais – seu novo disco abre com “I Feel Fine”, dos Beatles. Fã e seguidor confesso de Nat King Cole, Pizzarelli comemora dez anos de seu trio com um show que tem arrancado elogios grandiloquentes de imprensa das cidades por onde passou. A generosidade de liderar uma banda e abrir espaço para improvisos dos demais integrantes é uma das características desse guitarrista que mantém a tradição e reconfigura clássicos de estilos distintos. Se existe um show que a editoria de cultura do JH pode indicar sem medo de errar, é esse de hoje à noite. Antes, esquente o clima em casa com a relação que citei acima (Território Eldorado), na companhia de amada e de bons destilados ou fermentados.

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