Guns N’ Roses mostra disposição e leva multidão ao delírio no Recife

Talvez uma apresentação mais curta do que as duas horas e cinquenta minutos renderiam mais pontos ao cantor, clamorosamente acabado no final

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Sim senhoras e senhores, o Guns N’ Roses já estava com a plateia ganha desde que o show deste dia 15 de abril, no Chevrolet Hall, limite entre Recife e Olinda, foi anunciado. Bastava apenas o octeto subir ao palco, executar as canções, dizer thank you e “oubrigado” e voltar para o hotel. Mas houve doação, e muita, principalmente de Axl Rose, o centro da banda. Não adianta evocar o que passou. As turbinas de avião que ele possuia nas cordas vocais nunca mais vão rodar. Mas ele fez de tudo para, ao menos, aquecê-las. E entre o comovente pelo esforço que seu pescoço em brasa mostrava; o patético quando desafinava ou simplesmente movimentava os lábios sem som; e as recorrentes evocações de um tempo glorioso quando tudo encaixava, o grupo aplacou a sede dos fãs e desfez as caras amarradas dos incrédulos. E ainda teve o hino de Pernambuco e uma palhinha de Chico Science e Nação Zumbi para arrebatar de vez o povo mais bairrista do Brasil…

É óbvio que as situações esquecíveis apareceram. O tempo passa para todo mundo e por que não passaria para Axl. Ele tem 52 anos e cobra-lo correria de um lado a outro do palco, rebolados no estilo Mick Jagger e shorts de ciclista realmente não é correto. O vocalista parece estar encontrando a melhor receita para essa fase da vida. Movimentos menos bruscos para guardar a energia nas canções. Afinal são elas as grandes estrelas. Talvez uma apresentação mais curta do que as duas horas e cinquenta minutos renderiam mais pontos ao cantor, clamorosamente acabado no final.

Quem primeiro apareceu no palco foi o guitarrista Ron Thal. Abrindo os braços e mostrando o pulso esquerdo para a plateia, como a reclamar do atraso, outra característica marcante de Axl. Às 23h50 começaram os primeiros acordes de Chinese Democracy, música-título do álbum lançado em 2008. O público já fervia quando Welcome to the Jungle fez a panela de pressão explodir e Mr. Rose começar a surpreender, mostrando uma voz em forma bem melhor do que em suas últimas visitas ao Brasil, principalmente no Rock in Rio de 2011.

E seria preciso que Rose mostrasse alguma evolução, pois as dez canções iniciais formaram um rolo compressor sobre o público. Na terceira, It’s So Easy, foi a vez de apresentar o baixista Duff Mckagan, especialmente convidado para duas apresentações – a outra será nesta quinta, em Fortaleza. Seguindo o set list, Mr. Brownstone e a fenomenal Estranged, um tema longo levado no piano e finalizado com uma arrebatadora melodia de guitarra.

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Hora de louvar os músicos. Além dos já citados Duff e Thal, a banda também tem os guitarristas Richard Fortus e Dj Ashba. O trio se reveza nos solos, mostrando ótima forma. Nos teclados e feitos, o multiinstrumentista Chris Pitman; o veterano Dizzy Reed ainda segura bem a onda no piano e na percussão. Quem menos chama atenção é o baterista Frank Ferrer. Mas ainda assim consegue fazer bem o dever de casa. A primeira sequência matadora também tem a colaboração direta de McKagan assumindo os microfones em duas covers: Attitude (Misifts) e Raw Power (Stooges). Junto com Nice Boys – outra cover, essa do Rose Tattoo – essa cantada por Axl com insuspeitada vitalidade, formam o momento mais punk do show. As veteranas Rocket Queen e My Michelle encerram o primeiro período.

Nenhum fã, por mais resistente que seja a essa nova banda, passaria incólume por esse bombardeio. De agora em diante, é só correr para o abraço. E a banda corre, ainda assim dando tudo que podia de melhor, com a belíssima This I Love, também do Chinese, provando mais uma vez o dom de Axl em compor grandes baladões. Durante Rocket Queen, uma bandeira do Sport foi entregue a Ron Thal. Ele preparava-se para desfraldá-la quando Fortus o proibiu, decerto avisado para não atiçar rivalidades, ainda mais em véspera de final de Campeonato Estadual.

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CANSAÇO – A situação começa a complicar para o vocalista quando a segunda metade da apresentação foi avançando. Quanto mais altas e longas as notas das músicas mais notava-se a falta de fôlego, vide You Could Be Mine, número que ele já sofria para cantar nos idos de 1992, imaginem agora. Em Live and Let Die e Sweet Child O’ Mine ele recupera o tom, nesta última compartilhando os louros da vitória com o guitarrista DJ Ashba, descaradamente copiando os trejeitos de Slash, mas, reconheça-se, executando uma das introduções mais famosas da história do rock com perfeição. No solo, ele divide meio a meio a partitura com Thal.

Uma pausa para recuperar o fôlego e Thal e Fortus brincarem com as guitarras entoando uma parte de Baby, I’m Gonna Leave You, uma canção tradicional do folk norte-americano e famosa na interpretação do Led Zeppelin. Axl retorna sentado ao piano, instrumento onde sua relação com a música começou. Era a hora de November Rain. As falhas de sua voz não renderam a mesma força dada em Estranged. Era a vez de Ron Thal brilhar sozinho e cantar Abnormal, de sua autoria. O guitarrista, sozinho no palco, juntou as mãos, olhou para o céu e soltou o hino pernambucano, rugido em uníssono patriótico pelos bravos guerreiros da Nova Roma. Qualquer coisa que a banda fizesse a partir daí seria perdoada.

E o público perdoou mais uma desafinada de Axl em Don’t Cry e um erro na entrada em Civil War. Na hora de Knocking On Heaven’s Door foi a vez de Rose lembrar que o calor da cidade também atinge estrelas internacionais e emendou um Hellcife, trocadilho famoso nas redes sociais. O primeiro final foi ao som de uma musculosa versão de Nightrain por parte da banda, mas sem a mesma força vinda do microfone principal.

No bis, Thal mostrou novamente sua identificação com o Estado ao soltar o riff de A Praieira, de Chico Science e Nação Zumbi bem rapidamente. Dividindo os violões com Fortus, ambos homenagearam os Rolling Stones com uma versão instrumental de You Can’t Always Get Waht You Want introduzindo uma belíssima Patience. O penúltimo número ficou para mais uma versão de um clássico, The Seeker, do The Who. A hora de ir para casa foi ao som de Paradise City, fogos de artifício e um trecho da música composta há quase 30 anos dando um recado para o dono do Guns: Você tem de continuar tentando a sorte e a fama/Você sabe que isso tudo é um jogo de azar quando é só um jogo.

Ao menos no Recife o jogo foi de sorte.

Abaixo, as músicas na ordem que apareceram no show.

01. Chinese Democracy

02. Welcome to the Jungle

03. It’s So Easy

04. Mr. Brownstone

05. Estranged

06. Nice Boys

07. Rocket Queen

08. Attitude

09. Raw Power

10. My Michelle

11. Better

12. Richard Fortus Guitar Solo

13. Live and Let Die

14. This I Love

15. Dizzy Reed Piano Solo

16. Catcher in the Rye

17. You Could Be Mine

18. Dj Ashba Guitar Solo

19. Sweet Child O’ Mine

20. Axl Rose Piano Solo / Instrumental Jam

21. November Rain

22. Abnormal

23. Don’t Cry

24. Civil War

25. Shackler’s Revenge

26. Knockin’ On Heaven’s Door

27. Instrumental Jam

28. Nightrain

Bis:

29. Instrumental Jam

30. Patience

31. The Seeker

32. Instrumental Jam

33. Paradise City

 

Fonte: Site NE10

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