Há 48 anos, Sarney discursava contra a miséria no Maranhão; assista

A solenidade, marcada pelo início do domínio político da família no estado foi documentada pelo cineasta Glauber Rocha

Imagem: Reprodução/Maranhão 66
Imagem: Reprodução/Maranhão 66

A miséria no Maranhão foi alvo de crítica de José Sarney em 1966, durante sua posse como governador pela UDN/Arena. A solenidade, marcada pelo início do domínio político da família no estado e pela denúncia de problemas existentes até hoje, foi documentada pelo cineasta Glauber Rocha, morto em 1981.

Em pouco mais de dez minutos, enquanto Sarney fala a milhares de pessoas em praça pública, imagens dos problemas sociais do Maranhão são exibidos. Glauber filmou a posse a convite de Sarney.

“Maranhão 66”, lançado à época em sessão especial no Cinema Paissandu, no Rio, mostrou hospitais sem condição de atendimento, trabalho infantil e presos em situação precária. E Sarney prometeu mudanças.

— O Maranhão não suportava mais nem queria o contraste de suas terras férteis, de seus vales úmidos, seus babaçuais ondulantes e suas fabulosas riquezas potenciais, com a miséria, com a angústia, com a fome, com o desespero — diz Sarney.
No início do filme, Sarney é saudado: “Sarney, Sarney!”, gritam milhares de pessoas. Enquanto a câmera passeia por um hospital em péssimas condições, ouve-se a voz do novo governante:
— O Maranhão não quer a miséria, a fome, o analfabetismo, as mais altas taxas de mortalidade infantil, de tuberculose, de malária.
A crítica à violência, hoje realidade no estado, também não ficou de fora. — O Maranhão não quer a violência como instrumento da política para banir direito dos mais sagrados que são os da pessoa humana, com a impunidade dos assassinos garantidos pelos delegados e a realidade reduzida apenas a uma oportunidade para abastardar os homens.
Fonte: Bruno Góes / O Globo
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