Há um século – Vicente Serejo

Há tempos dorme numa prateleira desta caverna de livros e papéis velhos o livreto amarelado, impresso exatamente há um século,…

Há tempos dorme numa prateleira desta caverna de livros e papéis velhos o livreto amarelado, impresso exatamente há um século, reunindo as notícias e discursos publicados no dia 1º de setembro de 1914, na solenidade de inauguração da Escola Doméstica, edição impressa nos prelos seculares de A República. A ideia parece ter sido a de garantir vida longa àqueles instantes, como se presos apenas às páginas perecíveis de um jornal não resistissem ao tempo e acabassem desaparecidos para sempre.

A capa tem a singeleza das feições tipográficas antigas, com pequenos adornos, tudo reunido a partir da ‘Liga de Ensino’, encimando as informações: ‘Breve Notícia da Inauguração da Eschola Domestica de Natal – (Estado do Rio Grande do Norte) – Em 1º de Setembro de 1914 – Extrahido de A Repúbica’. Logo abaixo, cercado por quadradura em traços finos – ‘Typ. d’A República – 1914′. Todo seu conteúdo se resume a 21 páginas, com os nomes e as assinaturas da ata histórica da inauguração.

A instalação da Escola Doméstica é fruto do empenho pessoal do governador Ferreira Chaves, mas também teve a ajuda de Alberto Maranhão. Nasceu ‘devido a um concurso de circunstâncias e a um esforço de vontades’. A Liga de Ensino fora fundada há três anos e o funcionamento da Escola, em sede própria, aguardou a decisão e o apoio oficiais, como está no discurso do seu primeiro presidente, Meira e Sá, ao lembrar a conferência de Henrique Castriciano depois de sua visita a uma escola Suíça.

Ali, diante das primeiras diretoras, Héléne Bondoc e Jeanne Nugulesco, e de várias autoridades do Estado, Meira e Sá lamentou a ausência de Henrique Castriciano, em tratamento num sanatório de Lausanne, na Suíça. Em seguida, agradeceu aos esforços do governador Ferreira Chaves, afirmando que não fora seu ‘decidido e dedicado empenho’, teria fracassado, por completo, a ‘ideia fecunda’ de Henrique Castriciano que na justa visão de Meira e Sá é o maior benemérito e seu grande idealizador.

Logo depois, Meira e Sá lembra a conferência de Castriciano dia 23 de julho de 1911 – ‘escrita com o engenho e a arte do seu estilo inimitável’ – que transpôs as fronteiras do Estado e como um eco chegou aos ‘centros mais cultos do país, até mesmo no Congresso Nacional’ onde recebeu um elogio consagrador de Félix Pacheco. É na conferência que Henrique fixa o modelo da escola que sonhou ao conhecer a Escola Menagére de Friburgo, na Suíça, ‘terra clássica da pedagogia’, afirma Meira e Sá.

No dia seguinte, já estavam abertas as matrículas na Escola instalada em sede própria, a antiga, na Ribeira, à Pç. Augusto Severo, onde hoje funciona unidade da Previdência Social. Informa ainda o livreto que as alunas poderiam ser matriculadas a partir do dia seguinte, dois de setembro, das 8h às 10h e 13h às 15h, com o início das aulas marcado para o dia 15 de outubro. Pedro Soares de Araujo foi o redator da ata que foi assinada às 12h30m do dia primeiro de setembro. Há exatamente um século.

 

ATENÇÃO

A semana, por todas as razões da carne e do espírito, não chegará às raias da ainda distante sexta-feira sem nova pesquisa para azedar a boca de uns e adoçar a língua de outros. O poder tem seu tempero.

VOTO

A revista Época do fim de semana tenta desvendar como é o voto da classe ‘c’, o que classifica como ‘o povo que marinou’. A pesquisa mostra que a nova classe média se desiludiu com Dilma Rousseff.

PALCO

Três estrelas da moderna intelectualidade brasileira vão iluminar o palco da Feira do Livro de Mossoró de quarta até domingo próximo: Lira Neto, Xico Sá e Bráulio Tavares. Além das várias estrelas locais.

ESPERANÇA

Os 240 ex-funcionários do Bandern irão ao candidato Henrique levando a esperança de uma solução. Há quase 25 anos o banco sofreu liquidação do Banco Central num governo do PMDB e eles vagam.

PERIGO

A morte do grande Vingt-Rosado não matou a Coleção Mossoroense. Mas as notícias que chegam de lá dão conta de muitas e graves dificuldades para manter o maior patrimônio intelectual do seu povo.

TRISTE

De Wood Allen depois de ‘Magia do Luar’, seu novo filme: ‘Por ser ateu e não acreditar em outras encarnações ou na razão para estarmos aqui, tive uma vida muito triste, sem esperança, assustadora’.

PETISMO

José Barrocas, o assessor da Petrobrás que levou previamente perguntas a diretores da Petrobrás, não foi punido. Só transferido da estatal, em Brasília, para a assessoria da presidente, Graça Foster, no Rio.

DÚVIDA

Deu na Folha: estado-maior do marketing de campanha da presidente Dilma Rousseff enfrenta uma dúvida de soneto parnasiano, atroz, recôndita e infinita: não sabe se bate ou não bate em Marina Silva.

FRAUDE

Alertado por Juliano Siqueira, acessei artigo da família de José Dirceu no qual desmente qualquer teor de verdade na afirmação a ele atribuída de que teria comparado Marina a Lula. O artigo é uma fraude.

MARINA

Uma verdadeira ode o texto postado por Caetano Veloso no facebook para saudar a grande esperança que representa a candidatura de Marina Silva. Para Caetano, recusar vê-la ‘é estar cego para toda luz’.

BORDUNA

De Reinaldo Azevedo no seu artigo ‘Marina, a tirana de Brasília’, na Folha, sábado: ‘Os brasileiros deveriam ter o direito de escolher apenas um presidente. Marina quer nos oferecer uma nova era’.

SCABORA

Na capa da Trip, a hostess Natália Scabora. De tão bela, é uma escultura. E de tão perfeita, é a própria imperfeição grega. Prova que a nudez feminina – com todo o respeito – é mesmo uma coisa de Deus.

AVISO

Os ventos largos de agosto vão passando, levando seus desgostos, e o sol luminoso do verão acende os verdes dos morros. É hora, mais uma vez, de repetir Joaquim Cardozo: ‘Viva o verão que vai chegar!’.

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