Haverá escassez de volumoso no RN este ano e pecuária leiteira continuará em crise – Marcos Aurélio de Sá

- Com a seca que nos últimos dois anos enfraqueceu ainda mais e praticamente inviabilizou a pecuária leiteira no semiárido…

- Com a seca que nos últimos dois anos enfraqueceu ainda mais e praticamente inviabilizou a pecuária leiteira no semiárido nordestino, as esperanças de recuperação do setor estavam todas depositadas na ocorrência de um período de chuvas regulares em 2014.

– Isto porém acabou não acontecendo. Os índices pluviométricos da região ficaram, em média, pelo menos 30 por cento abaixo do que seria considerado normal, inclusive nos municípios situados na chamada Zona da Mata, ou seja, fora do semiárido.

– Assim, a crise nesse segmento da economia rural prossegue e com perspectivas nada otimistas no curto prazo, pois paira sobre a região uma nova ameaça: a chegada do fenômeno meteorológico “El Niño”, que prenuncia mais um ano de seca no Nordeste em 2015.

– Não bastassem as dificuldades naturais a que, tradicionalmente, sempre estiveram submetidos os produtores de leite nordestinos que teimam em se manter na profissão, no caso do Rio Grande do Norte elas foram ampliadas ainda mais pelo verdadeiro desastre em que se transformou o “Programa do Leite”, durante a atual administração estadual (governo Rosalba Ciarlini).

– Como sabem todos os empresários do Estado que atuam no campo, o “Programa do Leite” é um programa assistencialista oficial criado há quase 30 anos e que, ao longo desse tempo, se converteu no maior comprador (e regulador do preço) da produção leiteira potiguar, dele dependendo não só os laticínios e as usinas pasteurizadoras, mas quase a totalidade dos donos de vacarias.

– Na gestão da governadora Rosalba Ciarlini, a política adotada desde que ela tomou posse em janeiro de 2011 até a data de hoje, tem sido a de pagar a compra do leite com o máximo de atraso e pelo preço mais aviltado possível, o que serviu para que mais de 50 por cento dos antigos integrantes da cadeia produtiva desistissem da atividade e optassem pela venda de suas matrizes leiteiras para o abate.

– Ainda assim, uma pequena quantidade de agropecuaristas melhor estruturados, se utilizando de métodos produtivos mais modernos,fazendo o contínuo melhoramento genético dos seus plantéis, adotando nas suas fazendas tecnologias do primeiro mundo, e evitando se subordinar à política predatória do “Programa do Leite”, continua resistindo, graças inclusive à comercialização de gado puro de origem para outros Estados e até para fora do país.

– No auge das duas secas seguidas (2012 e 2013), esses produtores conseguiram salvar e manter a qualidade dos seus animais recorrendo à compra de quase toda a produção de cana-de-açúcar do Vale do Ceará-Mirim (graças à desativação da Usina São Francisco). E quando não existia mais cana, passaram a comprar volumoso (sorgo, capim e milho moídos) nas áreas irrigadas do Baixo-Açu, da Chapada do Apodi e até dos Estados do Ceará e da Paraíba.

– O custo da operação não foi baixo, mas garantiu a sobrevivência do setor.

– O problema é que este ano, em razão de ter chovido pouco e das reservas de água nas áreas irrigáveis do RN e do Ceará estarem muito baixas (efeito ainda das duas últimas secas), vai ser muito menor – e mais cara – a oferta de volumosos. Até mesmo a produção de cana-de-açúcar do Vale do Ceará-Mirim será reduzida, de modo que já se tem como certo que a atividade pecuária sofrerá percalços ainda maiores do que os enfrentados até aqui.

Mercado brasileiro aberto para receber fabricantes de equipamentos eólicos

– Analistas econômicos são unânimes em apontar que um dos setores da economia industrial brasileira mais promissores nos próximos dez anos será a fabricação de equipamentos para utilização em parques geradores de energia eólica.

– Com o país sofrendo um enorme déficit energético, o qual obrigou o Ministério das Minas e Energia e mandar colocar em operação dezenas de usinas termelétricas a um custo ambiental e financeiro elevadíssimo, sob pena de se enfrentar de novo os “apagões” que ocorreram na década passada, se tem como absolutamente necessária a política de ampliação dos investimentos públicos e privados na construção de novas hidrelétricas e no maior aproveitamento das fontes renováveis (energias eólica e solar).

– A previsão dos especialistas da área é de que até o final desta década serão acrescentados, ao ano, cerca de 2 mil megawatts de energia eólica ao mercado, grande parte dela produzida no Nordeste, onde o Rio Grande do Norte se destaca como o Estado com maior potencial gerador.

– Para suprir de equipamentos os parques eólicos que gerarão esses 2 mil megawatts, grandes indústrias do setor, como os grupos Vestas (dinamarquês), Acciona Windpower (espanhol) e Alstom Winds (norte-americano) já planejam investir no Brasil a soma de R$ 1 bilhão, instalando no Ceará, na Bahia e possivelmente no RN, fábricas de torres de aço e naceles (espécie de caixas onde ficam protegidos os geradores de energia).

– O que mais anima esses grandes investidores é o fato de que o BNDES (Banco Nacional do Desenvolvimento Econômico e Social), responsável pela maior parte dos financiamentos destinados à implantação de parques eólicos no país, vir exigindo um nível de nacionalização cada vez maior dos equipamentos a serem utilizados.

Entidades empresariais protestam contra criação de novo feriado em Natal

– Foi imediata a reação da Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Rio Grande do Norte, da Câmara de Dirigentes Lojistas de Natal e da Federação das Indústrias do RN contra a aprovação, pela Câmara de Vereadores da capital, de um novo feriado municipal: o Dia da Consciência Negra, a ser comemorado no dia 20 de novembro.

– As entidades foram surpreendidas pela notícia e imediatamente se pronunciaram contra a ideia, apelando ao prefeito Carlos Eduardo Alves no sentido de que vetasse a matéria, diante dos prejuízos econômico-financeiros que ela pode acarretar para os setores produtivos da sociedade.

– O presidente da Federação das Indústrias, Amaro Sales, chegou até a emitir uma nota de protesto nos seguintes termos:

– “A Fiern, representando o sentimento da indústria potiguar, se associa às manifestações de apoio à luta dos negros e destaca a importância das celebrações alusivas à consciência negra. Todavia, a decretação de mais um feriado municipal deveria ser precedida de várias análises e de diálogo com diversos segmentos da sociedade, dentre os quais, as entidades que representam os empreendedores. O feriado municipal em Natal, instituído para 20 de novembro, é inoportuno sob vários aspectos, sobretudo pelos muitos prejuízos que gera à atividade produtiva.

– A Fiern sugere, contudo, que o diálogo seja instaurado em torno do assunto, mas tem a responsabilidade de afirmar que o feriado municipal, na forma aprovada, compromete, ainda mais, o sucesso de empreendimentos e a consequente manutenção e ampliação de postos de trabalho em Natal”.

– Ao que parece os vereadores desejavam criar não apenas mais um feriado na cidade, mas sim um “feriadão”, já que no dia 21 de novembro – data em que os católicos celebram a santa padroeira de Natal (Nossa Senhora da Apresentação), não funcionam as atividades comerciais nem as repartições públicas.

– Este ano, por exemplo, o “Dia da Consciência Negra” (20/11) cairia numa quinta-feira, seguindo-se o feriado religioso na sexta, e mais um sábado e domingo pela proa. A semana de trabalho ficaria, portanto, restrita a três dias, com o custo disso sendo jogado nos ombros dos empresários. Deve ter sido ideia de algum comunista.

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