Henrique Alves: arranhado e favorito
Das reportagens que caem sobre a cabeça do deputado Henrique Alves desde a última sexta-feira, a que mais poderá causar estragos na sua imagem é a que ganhou a capa da edição de hoje da Folha de S. Paulo, exibindo a sede da construtora Bonacci Engenharia.
Quando se imaginava que a demissão voluntária do assessor Aluizio Dutra repetiria aquela velha solução da piada popular, de retirar o bode da sala, eis que acabou dando um bode de verdade, de pele branca, amarrado no quintal do escritório da empresa.
O enfoque do episódio na mídia, independente da ausência de investigação ou processo judicial sobre a atividade da construtora ou sobre os atos do parlamentar, provocou reações na Internet, principalmente pelas redes sociais, de críticas duras e achincalhe.
Evidente que esses episódios não alteram o jogo eleitoral da Câmara Federal, onde a liderança de Henrique é incontestável e ainda conta com o apoio da presidente Dilma Rousseff e do vice Michel Temer, além de uma penca de partidos bem representativos.
Que tudo isso arranha a imagem, ninguém é bobo de contraditar, mas está longe de comprometer de forma considerável o favoritismo do deputado potiguar diante dos adversários que agora se alimentam das manchetes que diariamente explodem na mídia.
Ninguém também é besta de achar que a imprensa só agora descobriu o encaminhamento das emendas às prefeituras do interior do RN e a contratação da construtora do assessor de Henrique para tocar as obras. Tal esquema é prática nacional.
De cada dez empreiteiros, médios ou grandes, do país, oito foram favorecidos por obras com licitações carimbadas, tudo num jogo político de comum acordo no mercado que nem sempre precisa ferir a questão legal, por mais que não sobreviva o aspecto ético.
Manter ingerência política sobre obras e bens públicos é um fato que persiste desde a República Velha, quando seus coronéis nomeavam e demitiam quem quisesse do serviço público. É ainda assim nas prefeituras do PMDB como nas estatais do PT.
Desde quando postulou a candidatura à sucessão de Marco Maia (PT), o deputado Henrique Alves sabia que entraria na alça de mira da grande mídia e se queimaria no fogo amigo tão comum no ambiente da política partidária, regional e nacionalmente.
As críticas e as ironias lançadas agora, depois das reportagens de Veja, Estadão, Folha e Correio Braziliense, são compreensíveis, mas dificilmente ajudarão na desconstrução da imagem de líder do parlamentar. Compará-lo a Severino Cavalcanti é mais que equívoco.
É possível que o bombardeio midiático provoque arranhões e até estimule investigações do Ministério Público quanto ao jogo das emendas. Até o dia da eleição, 8 de fevereiro, pelo menos a Folha publicará ainda muita coisa contra o líder do PMDB. Vem chumbo grosso por aí.
Mas, ainda acho improvável que tudo isso altere a disputa na Câmara, um sufrágio interno que nem sempre se deixa influenciar pelo mundo lá fora. E os adversários de Henrique estão longe de representar uma banda do Poder Legislativo com a mesma desenvoltura e experiência. (AM)
Ironia
Quem gostou de ler as matérias sobre a Bonacci foi a turma da assessoria do prefeito Carlos Eduardo. Durante a campanha de Hermano Morais, o PMDB dizia que só seu candidato era ficha limpa. Agora, aparece um irmão de Morais na casa do bode.
RN na fita
Enquanto a imprensa bate, Henrique Alves segue em campanha, favoritíssimo para presidir a Câmara Federal. E com amplas chances de emplacar na mesa o colega Fábio Faria (PSD) como primeiro secretário. Ainda há quem não veja vantagem para o RN.
Gastança
O governo Dilma vai torrar R$ 6,6 milhões em 2013 com pesquisas de opinião, a principal política de construir imagem positiva adotada pelo PT. Serão gastos R$ 3 milhões em quantitativas, R$ 1,9 mi em qualitativas e R$ 1,7 em enquetes telefônicas.
Cobrança
Rápidos e contundentes em cobrar moralidade dos partidos adversários, os deputados do PT, Fátima Bezerra e Fernando Mineiro, permanecem em silêncio sobre os desvios de milhões da ponte Newton Navarro, praticados por figuras ligadas ao aliado PSB.
No Oeste
O vice-governador Robinson Faria está visitando Mossoró e Tibau, recepcionado pelo grupo das deputadas Sandra e Larissa Rosado. Desde ontem, tem falado para TV, rádios e muitos blogueiros da cidade que tem a maior blogosfera política do estado.
Troca-troca
O jornalista Roberto Guedes escreveu hoje em seu blog que a governadora Rosalba Ciarlini e seu marido Carlos Augusto Rosado estão contando os dias para limpar as gavetas no DEM e procurar abrigo noutra legenda, de preferência “progressista”.
Coisa feia
Blogueiro petralha que se preza tem que por em prática a máxima da mulher de César. Não adianta bradar que é honesto e independente; tem que parecer isso. Forjar sorteio de passagem aérea para beneficiar a namorada é tão feio quanto corrupção tucana.
Fiscalização
Alguns promotores públicos têm sido firmes na cobrança de legalidade das prefeituras do interior com as festas de carnaval. Está na hora do MP reforçar o apoio à promotoria do meio ambiente em Natal no combate aos gastos do Erário com o Carnatal.
Professores
O prefeito de Macaíba, Fernando Cunha, conseguiu o que parecia difícil e pagou os salários do mês de dezembro/2012 dos professores do município, atrasado na gestão anterior do PMDB. Agora, é manter tudo atualizado, também na área da Saúde.
Aldeia boçal
Uma produtora da novela “Flor do Caribe”, gravada em Natal pela Globo, ficou impressionada com o modelo paulistano de vida da classe média natalense, que não vai à praia, não frequenta botecos, vive de costas pro mar e tem paixão por carrões pretos.
Tiros em Obama
A Associação do Rifle, uma das entidades civis mais tradicionais dos EUA (já foi presidida por Ulysses Grant e pelo ator Charlton Heston) lançou uma campanha publicitária chamando Obama de hipócrita por tentar proibir a venda de armas, um direito da Segunda Emenda.


