Henrique, a construção

Pode ser um engano imaginar que a legitimidade da candidatura Henrique Alves é o que basta para vê-lo assumir o…

Pode ser um engano imaginar que a legitimidade da candidatura Henrique Alves é o que basta para vê-lo assumir o governo pelo fato de ter agregado à sua chapa majoritária o nome da ex-governadora Wilma de Faria para o Senado, do deputado João Maia para vice-governador e de mais dez pequenos partidos. Se não bastasse a própria experiência a mostrar que não há campanha fácil, sua declarada heterogeneidade de perfis, antes de enriquecê-lo, pode ser o forte desafio do seu marketing.

As contradições que pareciam aos sôfregos meras reações provincianas, nascidas na pressa das opiniões locais, se revelaram muito cedo, um dia depois do lançamento da pré-candidatura, e solapada por declarações não só contundentes, como de fontes partidárias altamente credenciadas: o governador Eduardo Campos, líder nacional do PSB que aqui é presidido pela ex-governadora Wilma de Faria; e da candidata a vice, Marina Silva, esta com um tiro direto contra a aliança com ele, Henrique Alves.

Uma candidatura, mesmo quando nasce da explosão de um fenômeno popular, há de ser sempre uma construção bem alicerçada: da pedra mais simples que é a determinação pessoal, à capacidade de agregar em torno de sua luta todas as forças pequenas e grandes que possa atrair desde que essa união de partes não traga à opinião pública um monstrengo deformado. Sobretudo, não tenha o rosto de um acordão retirando do eleitor o direito limpo de escolha, como é justo e devido nas democracias plenas.

Uma chapa, para exprimir a forma perfeita de coalizão em torno de princípios e metas, há de representar a união de ideias e ideais de semelhantes para não ser só a costura de um amontoado de siglas cozidas com o fio do desejo de cada um e acima do interesse coletivo. O que pode parecer uma visão romântica é, exatamente, a única alternativa a produzir um caldo de cultura que dispense o seu idealizador de explicar e explicar-se, como um malabarista a tentar convencer a consciência coletiva.

Esse sentido, o da harmonia positiva, não parece ter sido o crivo do candidato Henrique Alves. A conquista de Wilma de Faria para ser candidata ao Senado, com vantagens e facilidades, foi muito mais para removê-la de uma possível posição adversária do que por identidade e convivência. Não foi à toa que o próprio ex-senador Fernando Bezerra, numa sinceridade inédita diante de um adversário, declarou que o PMDB estava nas mãos de Wilma e que só Garibaldi Filho poderia enfrentá-la na urna.

O deputado sabe das dificuldades de sua imagem a serem vencidas, da clara vulnerabilidade de Wilma de Faria e João Maia e do risco que é fazer uma campanha precisando explicar e justificar cada disparo a uma sociedade que voltou às ruas decepcionada com a classe política. Não basta a palavra e a promessa. Vale o passado como garantia. Não é mais hora de acordão, chapão e outras rimas pobres. De blefar diante dos olhos e ouvidos da sociedade, hoje atenta e disposta a não mais se deixar enganar.

TORQUE

Henrique Alves viu no manual do seu carro que tem quase trinta cavalos de força no seu motor para a arrancada. Subir a velha Junqueira Aires, cruzar a Rua Ulisses Caldas e chegar à Praça 7 de Setembro.

PÍFIO – I

Não deve ser verdade que, se convocado, o PSB local dirá ao PSB nacional que fez esse acordão num gesto de sacrifício para salvar o Estado. Além de pífio, o argumento alcançaria até as raias do prosaico.

COMO – II

Alegar não ser acordão quando o PSB de Wilma fez oposição desde a posse do Governo Rosalba e se com Rosalba governaram Garibaldi Filho, Henrique Alves e até João Maia com secretários indicados?

QUEBRADO

Vamos e venhamos e caiamos no velho lugar comum: Henrique não exagerou quando afirmou no seu primeiro discurso como candidato que o TN está ‘quebrado e desrespeitado’. O cenário é este mesmo.

PIOR

De Raymundo Costa na sua análise na edição de sexta-feira, jornal Valor: ‘A pior notícia da pesquisa para a presidente Dilma é o reaquecimento do movimento ‘Volta, Lula’, espécie de gripe mal curada’.

ATENÇÃO – I

Marc Andreessen, megainvestidor do Vale do Silício, criador da Netscape e membro dos conselhos do Facebook e HP, aposta nas grandes reportagens de conteúdo qualificado e a rede social não sabe fazer.

INVESTIR – II

Sua entrevista foi feita em Washington por Raul Just Lores para o Valor e segundo declarou tem ‘tanta porcaria na rede’ que o mercado investirá mais na valorização das ‘reportagens e textos de qualidade’.

VIRADA

O governo já sentiu que não será o marketing a força capaz de promover a virada. O desgaste é crônico e o tempo é pouco. O obreirismo sufocando o desempenho na saúde, segurança e relações de trabalho.

ÂNIMO

Pela disposição, a deputada Fátima Bezerra está convencida de que tem chances reais de vencer a luta contra a ex-governadora Wilma de Faria. Não é fácil, mas o PT acha que tem bala para o novo desafio.

CRISE

A situação caótica da mobilidade exige a contratação de técnicos especializados na formulação urgente de um plano diretor de tráfego urbano. E quem pensar que a conclusão das obras basta, vai se enganar.

VERDADE -I

De uma eloquência inegável a votação do PDT em 2012: 202.998 mil votos. O segundo maior acervo eleitoral depois do PMDB e seus 462.747 mil votos. É um paiol expressivo. Subestimar pode ser fatal.

EFEITO – II

O dado matemático pode ser determinante na configuração do espaço do PDT na eleição proporcional para a Assembleia e a Câmara Federal. O voto é matéria nobre para quem disputa a eleição majoritária.

ALTO

Alguns párocos ainda resmungam contra o valor da contribuição fixada pelo ecônomo da Arquidiocese para ser depositada todos os meses por cada paróquia. É que algumas delas já arrecadam muito pouco.

PRESENÇA

Quem chega é Elenir. Deixa sua Gávea para assistir ao casamento da neta Beatriz, filha de Márcia e Kleber, que casa com Vinícius, dia 5, 19h, Matriz de N.S. da Apresentação, Pç André de Albuquerque.

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