Henrique diz que PMDB está indefinido sobre candidaturas majoritárias em 2014

PMDB manda recados para Wilma de Faria e Fátima Bezerra: "Chapa será construção de todos"

Deputado Henrique Eduardo Alves diz que a hora ainda é de “ouvir” e cita apenas partidos da base de Dilma Rousseff. Foto: Divulgação
Deputado Henrique Eduardo Alves diz que a hora ainda é de “ouvir” e cita apenas partidos da base de Dilma Rousseff. Foto: Divulgação

Alex Viana

Repórter de Política

O presidente da Câmara dos Deputados, deputado federal Henrique Eduardo Alves, dirigente do PMDB no Rio Grande do Norte, mandou um recado para o mundo político potiguar. Nesta quinta-feira, através de sua conta na mídia social Twitter, com 21,6 mil seguidores, ele afirmou que o PMDB ainda está indefinido em relação tanto a candidaturas quanto a alianças políticas. “Com tanta especulação envolvendo o PMDB do Rio Grande do Norte, quanto à eleição de 2014, esclareço que o partido, como todos, está sem definição de coligação e candidatos. Hora de ouvir”, declarou o peemedebista.

A declaração da liderança do PMDB no Rio Grande do Norte gerou perplexidade no mundo político potiguar. Informações dão conta da existência de um acordo já fechado pelo PMDB com o PSB da ex-governadora Wilma de Faria, que teria aceitado ser candidata ao Senado numa chapa onde o PMDB apresentaria um candidato a governador, este podendo ser o próprio Henrique ou ainda o empresário e ex-senador Fernando Bezerra. Tal articulação exclui o PT, que pretende eleger a deputada federal Fátima Bezerra como sua primeira senadora pelo estado. Entretanto, numa outra postagem, Henrique “esclareceu” que o “PMDB continua conversando com suas lideranças e militância. Também com os partidos, PT, PSB, PR, PROS, todos. Chapa majoritária será construção de todos”, afirmou.

A “zerada” de jogo propalada pelo filho do ministro Aluizio Alves confundiu os atores políticos potiguares. Afinal, a aliança com PSB havia sido confirmada pelo empresário Fernando Bezerra, que em entrevista disse que sua candidatura dependia apenas do sim da ex-governadora Wilma de Faria. Foi o suficiente para iniciar dentro do PT uma reação em favor do projeto de eleger Fátima senadora, que ensaiou uma aproximação com o PSD do vice-governador Robinson Faria, pré-candidato a governador.

E o que teria levado Henrique a “zerar” a partida? Nos bastidores, a declaração de Wilma ao Jornal de Hoje, esta semana, afirmando que ainda não decidiu se apoiará candidato do PMDB ao governo, foi interpretada como um recuo da atual vice-prefeita de Natal. Wilma não aceitaria ser candidata ao Senado, tendo como companheiro de chapa ao governo o empresário Fernando Bezerra. Nas palavras do deputado Nélter Queiroz (PMDB), Fernando Bezerra “puxaria para baixo” a pessebista, pondo em risco a eleição dela ao Senado. “Se tivesse alguma decisão, eu já teria declarado”, afirmou Wilma.

E o que teria levado o líder do PMDB a “zerar” o processo com o PT? Também na visão de analistas, o fato de o PT ter se debandado para o lado do PSD, avançando muito rapidamente na formação da chapa Robinson governo, Fátima Senado, teria “assustado” o PMDB estadual, por temer a formação e crescimento de um palanque forte. O PT deu diversas declarações esta semana, acenando que não aceitará ser excluído da chapa majoritária.

Resta saber como o PMDB irá conciliar os interesses de PSB e PT. Principalmente sabendo-se que a sigla de Henrique articula a formação de um amplo palanque com a participação do DEM, do PPS, do PSDB e outras legendas que fazem oposição nacional ao governo da presidente Dilma – inclusive o PSB, que irá lançar a candidatura de Eduardo Campos.

DEM, PSDB e PPS são excluídos da “construção” da chapa

As voltas que o mundo dá. Ao se pronunciar nesta quinta pelo Twitter sobre as articulações políticas com vistas à formação de uma chapa para as eleições deste ano no Rio Grande do Norte, o presidente do PMDB, Henrique Alves, deixou de citar DEM, PSDB e PPS na lista de partidos que irão ajudar a “construir” o palanque estadual. “O PMDB continua conversando com suas lideranças e militância. Também com os partidos, PT, PSB, PR, PROS, todos. Chapa majoritária será construção de todos”, disse, enumerando apenas os partidos da base de Dilma Rousseff.

O peemedebista, pelo menos publicamente, faz as pazes com a base governista nacional, após um período em que esteve como certa a aliança local do PMDB com partidos que formam a oposição nacional, a exemplo do DEM do senador José Agripino Maia e da governadora Rosalba Ciarlini, o PSDB do suplente de deputado federal Rogério Marinho e o PPS do suplente de vereador Wober Júnior.

Como o perigo reside nos detalhes, chamou atenção na declaração de Henrique inclusão da palavra “todos”. Ele disse: “O PMDB continua conversando (…) com os partidos, PT, PSB, PR, PROS, todos”. Literalmente, citou os partidos da base de Dilma. Mas, quais legendas estariam sob o guarda-chuva do “todos”. DEM, PPS e PSDB? O PSD do vice-governador Robinson Faria? O grupo de dez legendas nanicas, dentre elas o PV, que com ele se reuniu nesta semana?

O fato é que Henrique articula um superpalanque no RN. Quer incluir nele as três principais lideranças do Estado: o ministro Garibaldi Filho, o senador José Agripino e a ex-governadora Wilma de Faria. Para tanto, conta com a desistência de Rosalba de ser candidata à reeleição, o que permitiria uma aliança com o DEM na proporcional, salvando os mandatos dos deputados do partido, que precisam de uma boa coligação.

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