Henrique e seu cenário

Não será fácil a reeleição do deputado Henrique Alves à presidência da Câmara Federal. Não faz muito tempo registrei aqui…

Não será fácil a reeleição do deputado Henrique Alves à presidência da Câmara Federal. Não faz muito tempo registrei aqui a obstinação do senador Renan Calheiros em buscar um confronto com o deputado do Rio Grande do Norte, como se tentasse fixar uma reserva de mercado colando a imagem de fidelidade nas paredes do Palácio do Planalto. Ele sabe que o PT pode reivindicar uma das casas, reeleita a Dilma Rousseff e, assim, cava preventivamente seu espaço no chão sempre fofo do poder.

Depois, convenhamos, não é desses dias de agora que o noticiário político, de vez em quando, registra dificuldades nas relações do PMDB. Para os petistas o apoio dos pemedebistas representa uma aliança essencial para a tal governabilidade e a sustentação do Governo Dilma, mas a um preço que, a rigor, vem desde o Mensalão, quando o Palácio do Planalto precisou seguir o modelo de não fechar-se aos aliados, mesmo não muito puros, como fizera o próprio Lula para alcançar os degraus palacianos.

Nesse jogo, e apesar do prestígio de Alves junto a Michel Temer, o vice-presidente de Dilma e chefe político maior dos pemedebistas, a boa ciência pelo jeito consiste no não confronto, apesar das provocações de Renan. Sábado, a coluna Painel, da Folha de S. Paulo, registra nova e dura altercação de Henrique e Renan, sob o título de ‘Rompimento’, afirmando que os dois ‘discutiram aos gritos no Congresso’. Foi na quinta-feira quando Henrique prorrogou a apresentação de emendas ao orçamento.

Renan, pra todos os efeitos, principalmente públicos e jornalísticos, apresenta-se agora como um palaciano, fiel e solidário aos interesses do governo, convencido de que assim será o lado bom do PMDB. E deve certamente trabalhar com dados, como o apoio de José Sarney, essa espécie de vice-rei desta pública desde a ditadura. Só não pode cair no erro de imaginar que o senador Garibaldi Filho não abriria mão do ministério para fortalecer o primo. Abre, sim. Para surpresa do PT e de outros aliados.

As fontes de Brasília não acreditam que reeleita e, portanto, fortalecida nas bases, a presidente Dilma possa convencer o PT a ficar de fora das presidências que formam o Poder Legislativo, no caso, o Congresso Nacional – Câmara e Senado. E nascerá exatamente ai a disputa entre Renan e Henrique. Qual deles representará o PMDB com menos sacrifício político para o Planalto? Renan, que tem sido um aplicado espadachim dilmista? Ou Henrique que sabe manejar e usar a força histórica do partido?

Hábil na galvanização interna junto aos seus pares, nem assim Henrique parece livre daquela que é a indagação básica: não seria esta a hora exata para disputar o governo? Como presidente da Câmara, no auge do prestígio nacional e da sua força local? Com o apoio de Garibaldi Filho, da ex-governadora Wilma de Faria e do prefeito Carlos Eduardo Alves? Ou teme uma derrota para quem sair às ruas contra um novo acordão de poderosos? Eis o cenário no qual está imerso seu futuro político.

 

ATENÇÃO – I
A única uma data realmente determinante no calendário de 2014 é o dia 6 de abril. Quando esgota o prazo do prefeito Carlos Eduardo Alves renunciar ao cargo para ser candidato ao governo do Estado.

TODAS – II
As outras datas não são móveis por esse ou aquele interesse político como a nenhum deles a lei impõe a renúncia. Nem mesmo a Henrique Alves que pode ser candidato como presidente da Câmara Federal.

DESOLAÇÃO – I
A Folha de S. Paulo revelou os cenários de desolação e abandono das vilas construídas ao longo dos canais construídos para as águas do S. Francisco. Casas fechadas, sem telhado, já rachadas e sem vida.

ALIÁS – II
A grande foto do agricultor Francisco de Assis, em Sertânia, Pernambuco, parece um bico de pena de Percy Lau, o ilustrador que desenhou o sertão nordestino e foi amigo do escritor Oswaldo Lamartine.

IGAPÓ – I
O engenheiro Manuel Negreiros obteve o conceito ‘A’ na defesa de sua dissertação de mestrado na UFRN sobre a história e técnicas de projeção e construção da velha Ponte de Igapó, entre 1012-1916.

LIVRO – II
A pesquisa será transformada em livro com acervo de imagens e reprodução das planas originais que registram uma das mais importantes documentações da história do transporte no Rio Grande do Norte.

AMOR
De Isabel Allende, reúne para o leitor as melhores cenas de amor e desejo narradas pela romancista em seus romances. E uma introdução da própria Isabel que revela todo seu talento de grande ficcionista.

ESCREVER
De Fernando Morais na sua entrevista de seis páginas na Playboy de novembro que está nas bancas, analisando a vida dos biógrafos expostos, como ele, ao desgaste público: ‘Escrever é fazer inimigos’.

AVISO
Lançado no Brasil pela editora Geração o livro que vendeu milhares de exemplares nos EUA: ‘Vagina, uma biografia’, da feminista Naomi Wolf. Conta a história das conexões entre a genitália e o cérebro.

MISSA – I
Boa notícia: agora a missa do Padre Murilo é celebrada ao vivo, toda sexta-feira, às 17h, na Tevê União, nos canais 26 (analógico) e 126 (digital). E no 800 HD da Cabotelecom e TV Nova RN, da Net.

MAIS – II
Fique certo, meu caro Manuel Ramalho: não permitiria que neste espaço alguém prejudicasse o padre Murilo. Nem ao seu rebanho de telespectadores. Apenas registrei que a missa tem que ser presencial.

GOSTO
Nas páginas da Gosto a receita da salada de cebola, pimentão, tomate, orégano e azeite de Ary Barroso e os quindins caseiros como sobremesa. E tudo isso depois de algumas doses de uísque no Villarino.

BRINDE
A edição de novembro da Playboy antecipou para seus leitores o brinde de final de ano: circula com um baralho de cartas ilustradas pelas mulheres nuas que ocuparam as suas páginas ao longo de 2013.

HUMOR
De Miguel Falabella a uma amiga sua disposta a gastar uma grana preta com um vestido novo e caro para usar numa festa: ‘Lembre-se que os momentos de maior prazer de sua vida você viveu despida’.

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