Henrique, o arquiteto

Ninguém razoavelmente informado precisa esperar pela data que o PMDB vier a escolher para ter certeza da candidatura Henrique Alves…

Ninguém razoavelmente informado precisa esperar pela data que o PMDB vier a escolher para ter certeza da candidatura Henrique Alves ao governo. Ainda que um detalhe ou outro possa depender de algum acerto final, estão certos e acertados os elementos fundamentais da construção que ao longo dos últimos três meses vem sendo erguida. E muitas vezes num jogo dissimulado quem nem sempre o olho jornalístico, mesmo muito curioso sempre, foi capaz de perceber em alguns dos seus detalhes.

O que no início foi uma dúvida verdadeira – Fernando Bezerra, Henrique Alves ou Garibaldi Filho, este na emergência anti-wilmista – acabou beneficiando o PMDB. O que parecia prender o avanço das decisões acabou beneficiando o partido e se transformando na estratégia. Poucos dias antes do carnaval, quando Fernando e Henrique viajaram ao exterior, tomaram uma decisão de manter suas candidaturas até como forma de evitar a concentração em torno do verdadeiro nome já então escolhido.

Foi uma tática. Claro que o ex-senador Fernando Bezerra manteria o compromisso de aceitar a missão de disputar o governo para evitar que o partido ficasse sem candidato ou caísse nas mãos fáceis de algum improviso. Mas cuidou de renovar o apelo para que Henrique Alves que vinha articulando os apoios. Sem antecipar nomes e, quando inevitável, lançando Fernando como o provável, e mantendo a dúvida, a cortina de fumaça indispensável para a garantia de um trânsito sem a marcação adversária.

Aliás, Henrique já tinha acertado, em detalhes e condições, os apoios da ex-governadora Wilma de Faria, também com papel no jogo para manter a dúvida que preservou cada articulação, e o prefeito Carlos Eduardo Alves. Na sua pasta já estavam os dez pequenos partidos do chamado G-10 articulados pelo senador Paulo Davin, no exercício do mandato como suplente de Garibaldi Filho, assim como o deputado federal João Maia que pode ser o vice se for impossível a nova conquista de Robinson Faria.

Henrique nunca fala como candidato e sua mulher, a jornalista Laurita Arruda, lançou nova cortina de fumaça realimentando a candidatura de Fernando Bezerra ao anunciar que ele cumprira o dever durante o carnaval. O próprio Henrique dissimulou o apoio do prefeito Carlos Eduardo, mas já fez o acerto final. A única pendência é engendrar a solução para a aliança, à parte, de alguns pequenos partidos com o DEM e o PSDB, para que não tomem o caminho da oposição e levem o tempo de tevê.

A tarefa mais difícil, pelo jeito, é como unir tantos, tão díspares e tão conflitantes entre si, sem parecer um acordão, com o risco de despertar o nojo popular. Tal como aconteceu quando os governos federal, estadual e municipal se uniram para impor a vitória da petista Fátima Bezerra, então candidata a prefeita de Natal. O deputado Henrique Alves, hoje o mais poderoso político do Estado, não acha tão difícil e tão arriscado assim. Principalmente depois de neutralizar facilmente Wilma e Carlos Eduardo.

 

MÉTODO

O deputado Henrique Alves pode divulgar uma nova data para anunciar sua candidatura se por acaso julgar necessária a presença de Wilma de Faria e do prefeito Carlos Eduardo na mesa. Só por método.

AVISO

Não vai funcionar o apelo emocional do PT ao prefeito Carlos Eduardo apesar das inegáveis afinidades com a deputada Fátima Bezerra. O PSB vai apoiar o PMDB. Principalmente se estiver Wilma de Faria.

ABSURDO

O corpo do italiano Gianni Garbelinni desde o dia 6 passado, continua numa geladeira do Itep a espera de uma decisão judicial para ser cremado como deseja a família. Um verdadeiro horror para os filhos.

EXEMPLO

Tem razão o deputado Henrique Alves: não é possível governar bem sem contar com o apoio do Poder Legislativo. E há quem, mesmo com apoio, não consiga. A governadora Rosalba Ciarlini é o exemplo.

HISTÓRIA – I

Dia 21 de março o Escritório de Advocacia Rocha promove a palestra sobre ‘Doações e contribuições de empresas para a Campanha Eleitoral de 2014′. Será um evento fechado para cinquenta convidados.

MARCA – II

Vão falar o desembargador federal Marcelo Navarro e o juiz federal Marco Bruno Miranda. O evento marca cinquenta anos do escritório criado pelo advogado José Rocha, hoje desembargador aposentado.

HISTÓRIA

O professor Cláudio Galvão, doutor em História, é o conferencista dos 112 anos do Instituto Histórico e Geográfico na solenidade do dia 28 de março, vizinho IHG, bem ali na esquina da Rua da Conceição.

QUE… – I

Não se negue, nem em nome de Deus: o curso de especialização em Metodologia do Ensino Religioso ainda é resultado do esforço do Monsenhor Lucas Batista quando era diretor da Faculdade de Teologia.

PARA – II

Implantar o curso, Lucas propôs convênio da Faculdade de Teologia D. Heitor Sales com a Secretaria de Educação, tudo com a assessoria técnica do padre João Medeiros Filho, a maior autoridade na área.

HUMOR

De um bem plantado homem do PIB olhando os animados torneios sociais: ‘O jet que gosta muito de autoridade não convida o casal Rosalba-Carlos Augusto pra nada. A cretinice nessa gente é uma arte’.

VIVA!

Nasceu André, em São Paulo, filho de Márcio e Maiara, ela filha de Dailor Varela que na poesia assina Máh Luporini. É homenagem a André Breton, ‘aquele para quem a beleza é convulsiva ou não será’.

REVOLTAS

A revista Caros Amigos iniciou a publicação de sua série de fascículos sobre as revoltas populares no Brasil. Começa com a Guerra de Canudos e tem entrevista com Nicolau Sevcenko sobre Conselheiro.

DOSSIÊ

Na edição de março da Cult um dossiê sobre o fim do jornalismo crítico, a morte programada pelas novas diretrizes do Ministério da Educação para o curso de jornalismo. A teoria vai derrotar a prática.

POESIA

Circulando a nova edição do jornal Ler Mais reunindo em quatro páginas poetas de todo o Rio Grande do Norte, com muitas ilustrações e caricaturas, além da homenagem a Vinícius de Morais e Toquinho.

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