“Robinson sabe que moro em Natal; Ele mesmo jantou no meu apartamento”

Candidato do PMDB afirma que, ao criticá-lo, adversário Robinson Faria “perdeu a memória na campanha”

HENRIQUE-98

O candidato do PMDB ao governo do Estado do Rio Grande do Norte, Henrique Eduardo Alves, acusou o candidato do PSD, Robinson Faria, de mentir e de faltar com o respeito. Foi uma resposta direta ao vice-governador, que na última segunda-feira, também em entrevista ao Jornal da Cidade, da FM 94, afirmou que o atual presidente da Câmara dos Deputados não nasceu no Rio Grande do Norte, não morava no Estado e viveria mais no Rio de Janeiro. Robinson disse ainda na sua entrevista, que Henrique nunca teve trabalho para ter um mandato de deputado federal, sempre arranjado pela família e que, agora, está mais presente no Estado porque é oportunista e quer apenas o voto do eleitor para ser governador.n

Em resposta, hoje, no mesmo Jornal da Cidade, Henrique apontou que as declarações de Robinson foram mentirosas e desrespeitosas a sua pessoa. Disse que o próprio Robinson conhece sua história e sua vida, inclusive sendo íntimos o suficiente para ter frequentado a residência do peemedebista, onde jantaram juntos. “É difícil acreditar que Robinson, meu amigo Robinson, tenha dito isso. Dizer que eu não moro aqui. Eu descredencio logo o autor pela absoluta inverdade”, rebateu. “Todo o RN sabe que eu moro aqui com a minha família. Inclusive ele, Robinson, com todo o respeito, jantou lá no meu apartamento. Jantar em homenagem ao seu irmão Ricardo Farias, que é um dos grandes amigos meus. Ele sabe disso. Na hora que você parte para uma inverdade dessas, é isso que eu não quero mais me permitir”, respondeu Henrique, lembrando que já foi radical, mas que esse tipo de comportamento não mais o representa nos dias atuais.

“Se fosse o Henrique de ontem, uma provocação dessas, um desrespeito desses, uma inverdade dessas, eu estaria aqui batendo, eu estaria aqui revidando. Aquela história de bateu, levou. Eu estaria aqui agredindo também. Mas eu não quero mais fazer isso”, continuou Henrique, ressaltando que, em tempos passados, não perdia oportunidade de revidar. Coisa que ficou no passado, segundo ele. “Posso ter feito isso antes. No radicalismo que eu praticava, uma provocação dessas, um desrespeito desses, lá vinha Henrique desrespeitando, agredindo, batendo. Mas isso eu não faço mais. Porque, nesta guerra que não pode se tornar uma eleição, tem um grande perdedor que é o Rio Grande do Norte”, afirmou.

Em entrevista ao Jornal da Cidade, Robinson elevou o tom das críticas contra Henrique, o que foi interpretado como uma estratégia para alavancar seu nome nas pesquisas, que apontariam, hoje, para uma vitória de Henrique no primeiro turno com mais de 200 mil votos de maioria. Ainda respondendo às críticas de Robinson, Henrique disse que amadureceu politicamente e aprendeu como pessoa. “Eu amadureci, eu aprendi. Nesse tempo todo de vida política, eu entendi que não é essa a prioridade que quero discutir no Rio Grande do Norte”.

MEMÓRIA PERDIDA

Chamando Robinson de “o vice-governador de Rosalba”, o candidato do PMDB também rebateu as críticas de que sempre teve tudo com facilidade. “O vice-governador de Rosalba, Robinson Faria, diz que eu sempre tive as coisas com facilidade, que nunca lutei por elas. Pelo amor de Deus, Robinson! Com todo o respeito! É um pouco de história. Você não tem uma boa memória. Acho que, na campanha, pode ter perdido. É só olhar um pouco para a história política do Rio Grande do Norte”, disse Henrique, recordando a trajetória de lutas e conquistas da família Alves.

“A minha família, meu pai foi o líder maior deste Estado, deputado por muitos anos, com uma cassação violenta, brutal, no auge de sua vida política. Henrique e Garibaldi, dois meninos naquela época, foram forçados a segurar uma bandeira com ideal de luta de vida, todo o Rio Grande do Norte é testemunha”, disse, lembrando que, com apenas 21 anos de idade, assumiu a responsabilidade de sustentar a luta política no Rio Grande do Norte, em pleno tempo árduo da ditadura militar.

“Eu com 21 anos de idade assumi a responsabilidade, numa época em que meu pai sequer podia vir ao Rio Grande do Norte, impedido pela Polícia Federal, que ele viria aqui contaminar, cogitar contra o poder e sobre o golpe militar que se estabeleceu neste país”, ressaltou, historiando o que teve de enfrentar, “para chegar aqui, hoje, de cabeça erguida, de mãos limpas, para pedir ao Estado do Rio Grande do Norte a oportunidade de governá-lo”.

Henrique lembrou ainda de Aluizio Alves governador, depois cassado. “As pessoas tinham medo de hospedar o filho do cassado. Era o medo do governo, às vezes o comerciante, o pequeno empresário, o prefeito. Eu, naquela situação, eu tinha que seguir viagem”, disse. “Isso passou e não criou nenhuma mágoa que esteja em meu coração. Eu sofri as humilhações que eu passei, meu pai esteve de cima, debaixo. Todos nós, graças a Deus… É Deus escrevendo certo por linhas tortas. Aqueles dois meninos que passaram por tudo isso (Henrique e Garibaldi), que o vice-governador de Rosalba se esquece de maneira impressionante e lamentável, pelas mãos de Deus, um é ministro de Estado da República e o outro é presidente do parlamento brasileiro”, destacou.

Peemedebista cita “desespero” e “nervosismo” do adversário

Ainda ao falar sobre se mora ou não no Rio Grande do Norte, conforme a acusação de Robinson, o candidato do PMDB, Henrique Alves, citou provável “desespero” e “nervosismo” do vice-governador. “Dizer que eu não moro em Natal, partir para esse tipo de colocação, se fosse o Henrique de ontem estava batendo de volta, estava revidando. E eu não quero fazer isso. Não quero, porque essa não é a prática que o RN quer dos seus homens públicos. Se está fazendo por desespero, por nervosismo, até entendo e vou procurar compreender”, afirmou o peemedebista, ainda à Rádio Cidade.

“Esse tipo de colocação eu sequer vou responder, é um descredenciamento que eu dou ao autor que fala que eu não moro no Estado, que eu não vivo no Rio Grande do Norte. A minha vida é em Brasília, todos sabem. Eu sou deputado federal, eu tenho que estar lá, terça-feira, quarta-feira, quinta-feira, sexta-feira, às vezes segunda-feira. É meu trabalho, todo o Estado sabe e todo município sabe, que tem a minha presença política no Estado e, nos finais de semana, sempre nos momentos de lazer, no recesso do parlamento, está Henrique em Natal com a sua família, que faz hoje outro patrimônio que eu tenho e Robinson sabe disso”, completou.

OPOSIÇÃO

Ao pedir respeito ao candidato Robinson Faria, Henrique lembrou que, em eventual governo seu, gostaria de ter uma oposição qualificada, séria e respeitosa. “Até porque eu quero amanhã que essa oposição eu possa convocá-la para trabalhar no estado do Rio Grande do Norte. Quanto melhor uma oposição séria, melhor será o governo, que vai errar menos, acertar mais. Esse tipo de bateu, levou, eu não faço mais. Porque eu aprendi, eu já radicalizei deste jeito, já me coloquei deste jeito. Eu reconheço, não me diminui em nada, mas isso eu não faço mais”.

Henrique finalizou sua resposta a Robinson afirmando que seu amadurecimento lhe dá o dever de ser hoje uma pessoa serena e tranquila e entender que o que o eleitor quer saber é o que o candidato Henrique Eduardo Alves está dizendo que vai fazer e como vai fazer a partir da hora que se sentar como governador do Rio Grande do Norte. “É essa conduta: começo, meio e fim, que eu vou adotar. Não pode ser uma guerra, agressões de bate boca, de baixaria. Só tem um perdedor nessa história que é o Rio Grande do Norte”.

Compartilhar:
    Publicidade