Henrique volta a admitir candidatura para Governo em caso de “acordão”

Presidente da Câmara Federal seria nome do partido se Fernando Bezerra não se viabilizar até o carnaval

Henrique Eduardo Alves seria a opção do PMDB para o Governo do Estado. Foto: Divulgação
Henrique Eduardo Alves seria a opção do PMDB para o Governo do Estado. Foto: Divulgação

Ciro Marques
Repórter de Política

Uma semana e pronto. Tudo mudou na política potiguar do Rio Grande do Norte. Se na semana passada o nome que o PMDB iria lançar para o Governo do Estado era o do empresário Fernando Bezerra, agora, a situação virou e o presidente da sigla no RN e da Câmara Federal, Henrique Eduardo Alves, voltou a ser dado como opção. Isso é: se o partido conseguir uma coalizão de forças para disputar o Executivo Estadual. E, nestes últimos dias, de fato, o “chapão” está se configurando.

O ponto forte (até agora) dessa volta de Henrique a possibilidade de disputa majoritária como candidato ao Governo ocorreu em Tibau do Norte, em entrevista aos veículos de comunicação mossoroenses. O presidente da Câmara admitiu ao jornal Gazeta do Oeste que aceitaria ser candidato ao Governo, “se houver uma coalizão de forças em torno do seu nome”. Fato é que, declaradamente, o PMDB já tem o apoio do PROS, do PV, do PDT e do PR para disputar o Executivo, independentemente de qual seja o candidato colocado na “cabeça da chapa”.

Desses apoiadores, inclusive, o PROS, o PDT e o PR anunciaram que o apoio aos peemedebistas é consequência do trabalho de Henrique Alves em Brasília, seja para viabilizar a filiação deles ao partido (no caso do PROS) ou seja por conseguir projetos para a Prefeitura (no caso do PDT). O deputado estadual Agnelo Alves, um dos líderes pedetistas, inclusive, foi além e afirmou: “Henrique é hoje na política do Rio Grande do Norte quem detém um somatório de condições que são indispensáveis para um bom candidato e, sobretudo, para um bom governador. É só ele dizer que todo o PMDB vai atrás, que se proponha outro nome”.

Sobre essa declaração, Henrique disse se sentir motivado, “mas que a questão de ajudar ao Estado vinha em primeiro lugar”. Ajudar o Estado como presidente da Câmara Federal, ressalta-se. E essa motivação, inclusive, estaria sendo muito mais manifestada aos aliados próximos do parlamentar federal.

Inclusive, Henrique estaria colocando ele mesmo como “garantia” de que o PMDB terá um candidato ao Governo do Estado, uma vez que o empresário Fernando Bezerra, principal nome do partido para o cargo, até o momento, não assumiu nem que é candidato ou pré-candidato. “Henrique me disse que se Fernando Bezerra não for viabilizado até o carnaval, ele será o candidato”, afirmou um dos aliados do parlamentar, que pediu sigilo na matéria.

Essa condição de candidatura de Henrique, por sinal, já teria até chegado à “oposição” ao projeto do PMDB. Afinal, no início da semana, em entrevista aO Jornal de Hoje, o deputado estadual José Dias, do PSD (partido do pré-candidato ao Governo, Robinson Faria), insinuou a articulação de Henrique nos bastidores políticos do RN. “Existem atores poderosos que manipulam os bastidores.

Eles não querem aparecer para que possam dar um golpe de última hora e sair candidatos, vindo com esses acordões para o povo engolir”, contou José Dias, sem citar, necessariamente, o nome de Henrique.

“Os ‘balões de ensaio’ lançados não sobrevivem nem a Reta Tabajara. Não tem aceitação, nem na sociedade, nem dos próprios candidatos”, acrescentou o parlamentar, se referindo à pré-candidatura de Fernando Bezerra, divulgada pelo PMDB, mas sem ter nem mesmo o consentimento do empresário – e ainda a resistência de correligionários e aliados.

“Alianças só serão definidas quando Henrique Alves se lançar ao Governo”

Foi uma sequência de fatos que culminaram na volta de Henrique ao cenário da eleição majoritária deste ano. Primeiro, a antecipação dos apoios do PROS, PV, PR e PDT. Depois, os elogios de Agnelo Alves, seguido pela entrevista cheia de lacunas de Henrique e, ainda, o lançamento da ex-prefeita de Mossoró, Fafá Rosado, como candidata a Câmara Federal – com a possibilidade de usar, até mesmo, a estrutura de Henrique para a campanha, se ele realmente de desistir da reeleição para substituir o Governo.

Contudo, não foi só. Em entrevista nesta terça-feira, o deputado federal Betinho Rosado, do PP, afirmou que as coligações partidárias para as eleições 2014 só serão concretizadas se o presidente da Câmara dos Deputados Henrique Alves lançar a candidatura dele ao Governo do Estado. “As alianças entre os partidos só serão definidas quando Henrique lançar sua candidatura ao governo”, declarou Betinho ao Portal No Ar.

O deputado federal, por sinal, estaria fora do “chapão” que começa a ser montado em torno do nome do PMDB, vetado por alguns aliados de Henrique devido ao que fez aos parlamentares do PROS no ano passado, quando os tirou da liderança do PP e assumiu a presidência da sigla no RN.

ESTADÃO

Por sinal, a notícia do “acordão” do PMDB já teria chegado até São Paulo e foi publicado em matéria do jornal Estadão. PDT, PR, PROS, Solidariedade, PPS, PV, PSDB e PSC estariam interessados em se aliar a sigla de Henrique Alves. “O próprio DEM, que, tendo seu único governo estadual como o pior avaliado no País, vê na coalizão peemedebista uma forma de se distanciar de Rosalba e assim priorizar a reeleição dos atuais três deputados estaduais na Assembleia e de Felipe Maia na Câmara, em Brasília”, acrescentou a matéria.

Na matéria, inclusive, Henrique dá margem para a aproximação do PDMB com o PSB da ex-governadora Wilma de Faria, mesmo que isso represente um afastamento do projeto nacional, que seria a aliança com o PT, da pré-candidata ao Senado, Fátima Bezerra. “A aliança natural, pelo projeto nacional, seria o PT, mas a realidade estadual, associada a manifestação de nossas bases, decidirão”, disse Henrique Alves. E, atualmente, Wilma seria mais “forte” eleitoralmente que Fátima.

 

Presidente do PMDB também estará em Natal para discutir política

Os presidentes nacionais do PMDB, o senador Valdir Raupp, e o do PT, o deputado estadual de SP, Rui Falcão, estarão em Natal na próxima sexta-feira (24) para participar do evento Conexão Mídias Sociais. Contudo, não é só. Os líderes partidários também participarão de reuniões que deverão definir (ou confirmar) os rumos das duas siglas nas eleições de 2014.

Aliados nacionalmente, trabalhando juntos para a reeleição da petista Dilma Rousseff (presidente) e do peemedebista Michel Temer (vice), PT e PMDB devem ficar de lados opostos na eleição do Rio Grande do Norte. Isso porque o PMDB deve lançar um candidato ao Governo do Estado, tendo a ex-governadora Wilma de Faria (do PSB e, por isso, vetada pelo PT) como candidata ao Senado Federal.

O PSB é vetado pela Executiva Nacional do PT pelo fato do partido ter o nome do governador de Pernambuco, Eduardo Campos, como pré-candidato à Presidência da República – para o PMDB isso é, aparentemente, indiferente. Além disso, os petistas também têm planos de ampliação do número de senadores deles e, por isso, lançariam o nome de Fátima Bezerra para o cargo, entrando em choque com a possibilidade de candidatura de Wilma.

Dessa forma, é provável que a reunião com o PMDB confirme o rumo que a sigla vem tomando e, no caso do PT, defina a linha da sigla, uma vez que ela se encontra um pouco “a deriva”, sem saber se segue como chapa “puro sangue”, lançando o deputado estadual Fernando Mineiro para o Governo; ou apoia a pré-candidatura de Robinson Faria, do PSD, para o Executivo.

 

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