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Hipóteses sobre novo kartódromo dividem envolvidos

Data: 24 janeiro 2013 - Hora: 14:52 - Por: Portal JH

Segue a corrida de pilotos e dirigentes do kart potiguar rumo a um destino desconhecido. Sem pista para o campeonato 2013, surgem hipóteses variadas sobre o local onde as provas serão disputadas. Enquanto especulações são estudadas, uma reunião entre representantes do Governo e do automobilismo do Estado foi realizada na tarde da última quarta-feira (23) para definir próximos passos após a demolição do Kartódromo Geraldo Melo. Reclamações à parte, o espaço será utilizado como estacionamento da Arena das Dunas e gerou pronunciamentos desencontrados entre as partes envolvidas.

Na presença do chefe de Gabinete Civil, Carlos Augusto Rosado, o presidente da Federação Potiguar de Automobilismo, o presidente da Associação de Pilotos de Competição, Michel Aguiar e o entusiasta e pai do piloto Victor Uchôa, Gláucio Uchôa, escutaram que o Governo do RN construirá um novo kartódromo assim que for apresentado um terreno e este for doado à Associação. Pelo menos foi o que garantiu Michel Aguiar: “A Prefeitura já tem um no Planalto, que foi prometido pelo então candidato Carlos Eduardo Alves quando estava em campanha, no ano passado. O que ficou acertado foi que a pista pertencerá à Associação, não à Federação, que tem a função de apenas fiscalizar competições no Estado”.

Portanto, sem algo concreto, o presidente da Federação, Sesimar Correia, fala com cuidado sobre a incipiente ideia de construir uma pista de automobilismo no bairro da zona Oeste de Natal. “Vou procurar o Prefeito para saber onde e como é esse terreno. Mas ainda estamos no campo das promessas, da apresentação de idéias”. São necessários, segundo Sesimar, pelo menos, 8 hectares para a obra completa. “Dois só para a pista” – pedida por Ayrton Senna, em 1989, a do Kartódromo Geraldo Melo tem em 1.200 metros.

Em 2012, engenheiros e o próprio presidente da Confederação Brasileira de Automobilismo, Cleyton Pinteiro, estiveram no Estado para conhecer um terreno em Extremoz, de propriedade de um empresário que estaria disposto a doá-lo. Desde então, nada foi feito: nem laudo técnico foi enviado, nem cobranças da Federação. Resultado: chegou o prazo de devolução do espaço do Kartódromo ao Governo e nenhum plano B foi armado.

Na manhã desta quinta-feira, 24, os últimos funcionários foram vistos pela reportagem, durante a retirada de portas e esquadrias do bar-temático Kurt-Kart e das salas da administração. Um deles era Emanoel Silvestre, encarregado de manutenção do local que enfrentava o sol forte e a tristeza por abandonar o trabalho que executa há 11 anos. “Vi muita coisa aqui. Em 2001, por exemplo, a seletiva que a Petrobrás fez aqui me emocionou. Tinha piloto do Brasil todo e as arquibancadas estavam lotadas”.

Só com o fechamento do Kurt-Kart serão 15 pessoas desempregadas. “Eles já estão procurando emprego. É muito triste, mas é isso. Eu lamento porque é o único kartódromo que conheço dentro, no coração de uma capital, que será destruído”, é o diagnóstico feito pelo gerente administrativo do bar, Ricardo César. Ele estava há seis anos na condução do empreendimento que oferecia, além de comes e bebes, cursos de pilotagem. “Do instrutor ao auxiliar de pista, todos estão sem dinheiro agora”.

Um dos funcionários mais antigos do Kartódromo, o mecânico Pedro Freire chegou ao circuito de Lagoa Nova em 1990. “Eu vi Nelson Piquet correndo aqui. Foi demais. Agora estão falando nessa coisa de irmos para o Planalto [bairro]. Só acredito no dia em que eu ver. Para mim, será a mesma história do cemitério que iam fazer lá. Cadê? Até hoje, nada”.  Casado e pai de três filhos, ele freia ao falar do futuro. “Sinceramente, ainda não sei o que fazer”.

No outro box da disputa da prova de resistência entre desportistas e poder público, o secretário estadual de esporte e lazer, Joacyr Barros, desconhece a disponibilidade do citado terreno no Planalto e ventila novas possibilidade, tanto para a construção definitiva do kartódromo, como o paliativo para a temporada deste ano. “Eu sugiro que seja construído no Parque Aristófanes Fernandes [onde acontece a Festa do Boi]. Aquela área é muito grande, ‘em cima’ de Natal e funciona uma vez por ano.

“Quanto ao campeonato de 2013, tenho um projeto de levarmos para o Interior, com circuitos de rua. Já pensou? Seria uma festa”, avisa Joacyr. A experiência foi exitosa em 2011, com duas provas de exibição disputadas em Currais Novos e Santa Cruz, com grande participação popular. Com a possibilidade de serem organizadas entre seis e oito provas, o projeto de interiorização de um esporte considerado de elites seria ajudo para divulgar corridas de carro e oferecer entretenimento em cidades menos desenvolvidas.

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