História das copas – 1962

Com o Chile escolhido para sediar a sétima Copa do Mundo, a América do Sul voltava a ser o centro…

Com o Chile escolhido para sediar a sétima Copa do Mundo, a América do Sul voltava a ser o centro do universo ludopédico, doze anos após a festa no Brasil que traumatizou 75 milhões de brasileiros. Mas a seleção canarinho era a franca favorita ao título.

O elenco da conquista anterior na Suécia foi basicamente mantido, com alterações na defesa do time titular, onde apenas Nilton Santos ficou absoluto na lateral esquerda. Djalma Santos, que já substituíra De Sordi na final de 1958, tomou posse da direita.

Os zagueiros que haviam sido reservas quatro anos antes assumiram a titularidade, entrando Mauro no lugar de Bellini e Zózimo no lugar de Orlando. A dupla de meio-campo permaneceu com Didi e Zito. O ponta Zagallo fez às vezes do velho Dino Sani.

Garrincha e Pelé eram a dupla dinâmica consagrada na Suécia e o atacante Vavá conquistara em definitivo a posição que disputou com Dida e Mazzola. Este último foi para o Chile como jogador da Itália, e já conhecido no Calccio pelo sobrenome Altafini.

A copa de 1962 era a última em que a FIFA permitiria a convocação de atletas que já defenderam outras seleções, como os argentinos Di Stefano (Espanha) e Sívori (Itália), o húngaro Puskas e o uruguaio Santamaria, ambos também jogando pela Espanha.

Os jogos em apenas quatro cidades chilenas foram realizados entre 30 de maio e 17 de junho, com dezesseis seleções e desta vez com mais duas americanas no torneio, a Colômbia e o México. As outras dez eram todas européias, com a Bulgária debutando.

O Brasil estreou em 30 de maio, na cidade de Viña Del Mar, contra a seleção do México, diante de um público equivalente a um ABC x América de hoje, pouco mais de dez mil almas. Venceu por 2 x 0 com gols de Zagallo e Pelé, ambos no segundo tempo.

No dia 2 de junho, no mesmo estádio, a seleção brasileira enfrenta a Tchecoslováquia e não consegue sair do 0 x 0, tendo ainda que arcar com uma contusão séria de Pelé, que a partir dali irá assistir a um show particular do amigo Garrincha, o carregador de piano.

Fazia apenas um ano que Pelé merecera a honraria de ser chamado rei pela imprensa francesa. E ao sentir a coxa durante o jogo com os checos, o zagueiro Masopust faz o mais belo dos gestos de um súdito: impede seus colegas de marcar o craque ferido.

Sem forças para sequer dar um passe, Pelé abandona a partida e Masopust o acompanha até a linha lateral, sempre estendendo a mão a mostrar-lhe o caminho, como quem serve a um superior hierárquico. Começava depois dali a odisséia do gênio das pernas tortas.

Depois veio a perigosa e talentosa Espanha, desfalcada do craque Di Stefano, mas que soube dominar a bola no primeiro tempo e encontrar o caminho do gol, com Abelardo superando o goleiro Gilmar aos 35 minutos. Amarildo estava substituindo o rei Pelé.

No segundo tempo, Garrincha desmanchou a zaga espanhola e abriu buracos para a conclusão do garoto Amarildo, que marcou aos 72 e aos 86 minutos, levando o time para enfrentar a Inglaterra nas quartas de final, onde de novo Garrincha fez misérias.

Dois gols do maior ponta direita da história e um de Vavá, descontando Hitchens para o “real team”. Nas tribunas de honra, o poeta Thiago de Melo e o jornalista Mário Filho buscavam ar para tanta euforia com a seleção. E Pelé se contorcia de felicidade.

E veio a seleção anfitriã na semifinal, a torcida toda contra, mas Garrincha vivia um estado de graça, dormia na concentração com a cantora Elza Soares, presentinho permissivo do técnico Aimoré Moreira e de toda a delegação do selecionado.

Dois gols dele, dois de Vavá, uma dupla explosiva, e uma vitória de 4 x 2 para carimbar a passagem à segunda final seguida do Brasil. E um novo encontro com a Tchecoslováquia, que dessa vez não resistiu aos campeões e tomou de 3 x 1.

Garrincha não marcou, mas escancarou a defesa para Amarildo, Zito e Vavá, autores dos gols do bicampeonato. Nelson Rodrigues diria: “O brasileiro anda por aí com ares de dragão do Pedro Américo. É a epopéia ventando nas nossas caras”. (AM)

A casa caiu

As revistas Época e Veja que chegaram hoje às bancas trazem novas revelações do escândalo de corrupção na Petrobras. E apontam caminhos para uma conexão PT-Petrobras-Carlinhos Cachoeira. A insônia subiu na cama de Lula e Dilma.

A Delta

Com a investigação da Polícia Federal, que ontem invadiu a sede da Petrobras, surgiram os indícios da participação da construtora Delta nos esquemas de Paulo Roberto Costa. A Delta, cujo dono é amigo de Sergio Cabral, fez doações à campanha de Dilma.

Calúnias

Os repórteres da Veja descobriram um esquema montado dentro da Eletrobras para atacar o senador Aécio Neves, principal adversário de Dilma Rousseff nas eleições. Um computador da estatal foi utilizado para espalhar denúncias contra o político mineiro.

Lavanderia

A reportagem de capa da revista IstoÉ é sobre o esquema montado pelo deputado petista André Vargas, que perdeu a vice-presidência da Câmara Federal depois de revelada sua ligação com o doleiro Alberto Youssef, detalha como funcionava a lavanderia.

Reparação

O DIAP – Departamento Intersindical de Assessoria Parlamentar, corre contra o tempo para retirar o nome de André Vargas da lista dos 100 parlamentares mais influentes do Congresso. Iria se destacar pelo “compromisso com a democracia e a sociedade”. tsc

Derrotas

Ainda chegam e-mails sobre o artigo das derrotas majoritárias de Fátima Bezerra e Henrique Alves. Um leitor enviou o ranking, com Fátima liderando com 4 fracassos, seguida de Wilma (3), Henrique e Lavoisier (2), Agripino, Garibaldi e Geraldo (1).

Robinson

O sábado é de comemorações em torno do vice-governador Robinson Faria (PSD), que passará grande parte do dia em Mossoró conversando com lideranças que apóiam sua candidatura ao governo estadual. Talvez ainda consiga comemorar em família, à noite.

Culto ao dinheiro

A Polícia Federal abriu investigação contra o pastor evangélico José Wellington Bezerra, presidente da Convenção Geral das Assembleias de Deus no Brasil. Foi a pedido do MPF para apurar supostos crimes de lavagem de dinheiro e sonegação.

Culto ao dinheiro II

O Ministério Público Federal deveria aproveitar e encaminhar pedido ao Congresso Nacional para votar o fim das facilidades fiscais com igrejas de todas as espécies. As religiões, sem pagar impostos, viraram uma gigantesca fábrica de fortunas pessoais.

Figurinhas

Foi só começar o troca-troca das figurinhas da Copa e os colecionadores trataram de criticar a inclusão de cromos publicitários no álbum da Panini, como antecipei aqui antes do lançamento do livro ilustrado. A editora promete que fará substituições.

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