História das Copas – 1974 – Alex Medeiros

Foi uma longa espera para os meninos que testemunharam quatro anos antes a epopeia da geração de Pelé. O tempo…

Foi uma longa espera para os meninos que testemunharam quatro anos antes a epopeia da geração de Pelé. O tempo correu demorado na relação com a minha ansiedade futebolística, moldando o garotinho de 11 anos de 1970 no adolescente de 15 de 1974.

Mudou também o local dos jogos. Deixei a “televizinha” da Copa do México, onde as emoções do tri me marcariam para sempre na sala de Daniel e Alinete, e fui para a TV colorida de Waldomiro e Vera, onde respiraríamos esperança na Copa da Alemanha.

Quando o Brasil do potiguar Marinho Chagas entrou em campo contra a Iugoslávia, lembrei da felicidade coletiva de 70 e de um comentário de Dona Lili, sogra do meu vizinho. Embalada nos 90 milhões em ação, disse “será que estarei viva na próxima?”.

O pífio 0 x 0 da estreia prenunciou que as coisas já não eram como quatro anos antes, apesar da presença do técnico Zagallo e dos craques Jairzinho e Rivellino, titulares na conquista no México. Já não tínhamos Pelé, nem Tostão, nem Gérson, nem Clodoaldo.

A coisa ganhou contornos de aperreio nacional quando repetimos o empate com a mediana seleção da Escócia e passamos a precisar de saldo de gols contra o então desconhecido Zaire. Com gols de Jairzinho, Rivellino e Waldomiro, o time avançou.

Na fase seguinte, uma apertada vitória de 1 x 0 sobre a Alemanha Oriental, estabeleceu a desconfiança de que estava difícil repetir a glória da copa anterior. Que diabo de futebol era aquele que não dava baile nem numa seleção formada por comunistas?

Para o jogo seguinte, a concentração na mercearia de Waldomiro começou logo após o almoço. Eu já havia aderido ao cigarro e exibia imprensado no cós do calção um maço de Peter Stuyvesant, contrabando de marinheiros numa cantina da Rua Mário Negócio.

Vencer a Argentina jogando bem seria a senha para uma possibilidade real de vitória. Superar os rivais históricos era uma espécie de garantia para encarar a poderosa Alemanha e as duas sensações daquela copa, a Holanda de Cruijf e a Polônia de Lato.

O jingle do creme dental Kolynos repetido na televisão parecia nos avisar: “Vai, vai, vai, vai em frente / vai buscar a sua glória / você vai sentir o novo gosto / o gosto da vitória / Kolynos / uma refrescante sensação / o gosto da vitória / Kolynos, Ah!”.

Jogo difícil, Jairzinho jogando mal, apesar de lutar como um cão raivoso, ficamos dependendo das boas atuações de Rivellino, Paulo Cezar Caju e de Marinho Chagas. O galego de Natal era como uma arma secreta, surgindo de repente diante dos platinos.

O Brasil abriu o placar num míssil de Rivellino, numa distância de 40 metros, após uma jogada mágica do crioulo Paulo Cezar. Mas não demorou para os argentinos empatarem, numa falta cobrada por Brindisi e que Leão até hoje não assume como meio-frango.

Minha turma era fã de Ademir da Guia, o gênio do Palmeiras, que estava no banco como se fosse um reparo atrasado pela ausência em 70. Zagallo tinha sacado o cansado Piazza e entrara com o jovem Paulo Cesar Carpegianni, que foi essencial naquele jogo.

Vencemos sem convencer, o segundo gol numa cabeçada de Jair, que junto com Waldomiro e Leivinha não rendeu quase nada no ataque. Agora era encarar o carrossel holandês, à essa altura o xodó da imprensa mundial com seu futebol maravilhoso.

Tomamos um totó e só Marinho Chagas escapou do fiasco, graças ao seu estilo guerreiro, incansável. O Brasil suportou o primeiro tempo num 0 x 0, mas tomou dois gols no segundo, obras dos dois maestros da “laranja mecânica”, Neeskens e Cruijff.

Na decisão pelo terceiro lugar, nova derrota, por 1 x 0, para a Polônia, num gol aos 31 do segundo tempo em que o artilheiro da copa, Lato, disparou como um bólido (como dizia Hélia Câmara), vencendo na corrida os zagueiros Marinho Peres e Alfredo.

Na final da Copa, eu vesti um calção cinza com o número 14 em homenagem ao craque do evento, Cruijff. Só que a Alemanha repetiu 1954 diante da Hungria e venceu a Holanda com uma geração de ouro: Beckenbauer, Müller, Breitner, Overath, Netzer…

A Copa de 74 voltou à memória oito anos depois, quando torci pela última vez pela seleção brasileira, em 1982. Por mais que se fale que a Holanda de Cruijff e o Brasil de Zico eram melhores, os campeões Alemanha e Itália tinham times grandiosos. (AM)

Babaquice

Não poderia ser num ambiente tão apropriado para que Luiz Inácio vomitasse sua própria babaquice chamando de babaquice a existência de estação do metrô dentro dos estádios. É assim na Europa, onde não existe os babacas blogueiros progressistas.

O guardião fake

É surpreendentemente espantoso o caso do militar nomeado pelo MP para administrar a espionagem do sistema guardião. Poderia ser qualquer um, mas nunca alguém com suspeita de crime de falsificação de documentos, como noticiou o Portal No Ar.

Organização

Depois de definir a gama de partidos que o apoiarão, o candidato Henrique Alves (PMDB) passa o fim de semana em Natal fechando o cronograma e a infraestrutura da campanha, principalmente nos setores financeiro, mobilidade e de comunicação.

Vice

O candidato Robinson Faria (PSD) não sofre de ansiedade quando o assunto é definir o vice na chapa de governador. Sabe que as costuras partidárias são mais urgentes agora e serão elas que naturalmente encontrarão o vice ideal até o dia da convenção.

Reforço

O candidato a presidente do PSDB, Aécio Neves, já tirou de Eduardo Campos (PSB) dois profissionais que trabalharam na campanha de Marina Silva (Rede) em 2010: Fábio Feldman, que coordenará a área ambiental, e Maurício Brusadin, da mídia digital.

São Paulo

Cada vez mais forte a possibilidade do PSDB paulista contar com um aliado de Dilma Rousseff na vice do governador Geraldo Alckmin. Em não sendo Gilberto Kassab (PSD), poderá ser o presidente do hospital Albert Einstein, Cláudio Lottenberg (PR).

Saques

Não serão poucos os comércios e escolas que poderão fechar as portas na segunda-feira se for realmente confirmada a greve na Polícia Militar. As imagens do Recife aterrorizaram e serviram de alerta para todas as cidades. Cautela é o que importa.

Repasses

Não vejo diferença no ato ilegal e imoral de um parlamentar que nomeia cargos comissionados para que estes lhes passem parte do salário. O PT institucionalizou isso com seus milhares de barnabés que doam um bom percentual para o partido.

Dando as cartas

Um dos mais habilidosos articuladores políticos do estado, o ex-deputado e ex-conselheiro do TCE, Valério Mesquita, não pendurou as chuteiras como se imagina. Os sinais da sua influência como militante do PMDB ainda estão naquele tribunal.

Bain Douche

A rede de lojas de moda feminina, criada pelo empresário George Ramalho, está completando 30 anos de atividade, um marco de respeitabilidade num setor em que poucos atingem uma década no mercado. Bain Douche opera em Natal e Recife.

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