História das Copas – 1978

As sessões musicais praticamente foram abolidas na Esquina do Rock no bairro Candelária entre os dias 1 e 25 de…

As sessões musicais praticamente foram abolidas na Esquina do Rock no bairro Candelária entre os dias 1 e 25 de junho de 1978. A moçada quase toda abandonou o local para acompanhar os jogos da Copa do Mundo, a última com dezesseis seleções.

Comprei o álbum de figurinhas na mesma cigarreira que nos anos 1960 meu pai visitava para alimentar minhas coleções, a mesma em que um senhor chamado Peixinho vendia com ágio os cromos considerados difíceis. Esquina da Rio Branco com Ulisses Caldas.

Os dois primeiros dias da Copa eu assisti na casa de um amigo de infância, na subida da Rio Branco, já perto do Baldo, onde um televisor em cores atraiu minha loucura por futebol. O resto dos jogos, vi em dois ou três endereços distintos na própria Candelária.

Duas ausências diminuíram meu ímpeto inicial com o torneio: Marinho Chagas na seleção brasileira e Johan Cruijff na holandesa, o cara que maravilhou o mundo quatro anos antes na Copa da Alemanha. Mas a França estreava um rapaz chamado Platini.

Quem começou estraçalhando foi a velha e sempre impetuosa Itália, metendo 2 x 1 nos franceses, 3 x 1 nos húngaros e 1 x 0 nos anfitriões argentinos, calando 72 mil hermanos no estádio Monumental de Nuñez. Havia um boy de 22 anos chamado Paolo Rossi.

No grupo 3, as coisas não andaram muito bem para a seleção brasileira, que o técnico Claudio Coutinho bravateou ao final do evento como “campeã moral”. Que campeã era aquela que se classificava no maior sufoco com dois empates e um chocho 1 x 0.

O Brasil foi à segunda fase empatando de 1 x 1 com a modesta Suécia, bem inferior ao time que enfrentaríamos em 1994; depois piorou num 0 x 0 com a Espanha, e aí agarrou a classificação numa vitória magra de 1 x 0, gol chorado de Dinamite, sobre a Áustria.

Coisa bem melhor fez a seleção do Peru no grupo 4, que bateu a Escócia por 3 x 1, o Irã por 4 x 1 e empatou em 0 x 0 com o País de Gales. Quem escapou no grupo 2 foi a Alemanha, graças a um 6 x 0 no México, empatando com Polônia e Tunísia sem gols.

Na segunda fase, que na verdade era na prática uma semifinal, o time verde e amarelo cai no grupo da Argentina e ambos saem batendo os adversários, Peru e Polônia, para no confronto direto ficarem num 0 x 0 nervoso e com um show de cotovelos e ombros.

Diante de 37 mil torcedores, o jogo se arrastou com expectativas de arena romana, principalmente com a entrada do volante Chicão, pau de dar em doido e uma virilidade distribuída no 1,90 metro. Ele e o zagueiro Oscar colaram nos atacantes argentinos.

Artilheiro daquela copa, Mario Kempes ficou zanzando na órbita de Chicão, sem coragem de chegar perto, enquanto o outro goleador, Ortiz, experimentou escoriações invisíveis nas disputas com Oscar. Mas, foi dele a melhor chance de gol de todo o jogo.

A torcida local, talvez emulada pelo clima da ditadura de Jorge Videla, que a todo custo queria a taça da FIFA (como quisera Médici em 70 e quer agora Dilma em 2014), tirou o sono dos jogadores brasileiros com apitos e fogos diante do hotel na noite anterior.

Fosse o Brasil campeão que Coutinho imaginava, teria superado a Argentina como fez a Itália de Paolo Rossi, Bruno Conti, Scirea e Dino Zoff. No empate sem gols, o passaporte à final seria no saldo de gol; o Brasil fez 3 na Polônia, a Argentina 6 no Peru.

No outro grupo, a Holanda foi à final contra os anfitriões, e a Itália ficou para disputar o terceiro lugar com o Brasil. A estrela de Kempes brilhou duas vezes, Bertoni fez um gol e a Argentina meteu 3 x 1 na laranja mecânica que azedou sem o maestro Cruijff.

A seleção brasileira de 78 esteve longe de ser a “campeã moral” da desculpa patriótica. Tinha um jovem Zico em má fase, Reinaldo e Rivellino à meia-boca, Roberto Dinamite sem pavio, e se deu ao luxo de não convocar Falcão, Paulo Cezar Caju e Marinho Chagas, três craques em ponto de bala. (AM)

Copa dos problemas

O Brasil já é o país que mais problemas gerou para a FIFA em toda a história das copas, superando de longe até a África do Sul, que após o término do torneio de 2010 teve uma dúzia de ações do Ministério Público impetradas contra os organizadores do evento.

Judicialização

Ainda a 50 dias do início da Copa do Mundo, a FIFA já tem que lidar com mais de 500 ações judiciais nas doze sedes dos jogos. Há demandas de todo tipo, desde exigência de ingressos grátis para movimentos sociais a casais que tentam lugares especiais.

Judicialização II

Na Copa das Confederações, por exemplo, foram muitos os processos abertos contra a FIFA e CBF em tribunais de pequenas causas, mas com grandes transtornos. Houve quem protestou por comprar semifinal antecipada e não ter gostado da partida depois.

Mimimi

Defensores da candidatura Fátima Bezerra (PT) ao Senado se animaram com a confusão midiática na ausência do prefeito Carlos Eduardo (PDT). Seria uma ótima chance de vencer a parada por WO. Pela Lei, Wilma de Faria (PSB) está imune ao mimimi.

Comunicado

Faltou um pouco de faro jornalístico a muita gente, que esqueceu de checar na Câmara Municipal se o prefeito enviou comunicado sobre a ausência de 12 dias, como ele, de fato, fez. Só acima de 14 dias é que o parlamento discute e vota a viagem do alcaide.

Todos Juntos

O Planalto deixou a cargo de Gilberto Carvalho (já acostumado com alguns servicinhos) a missão de estimular manifestações sindicais e dos blogueiros alugados em favor da campanha publicitária que conclama o apoio popular à Copa da FIFA e da CBF.

Operação mordaça

Em recente reunião partidária, militantes esquerdopatas defenderam a ideia de que diversos diretórios espalhados pelo RN movessem ação judicial contra esta coluna e O Jornal de Hoje. Os manés se sentem perseguidos por eu opinar aqui sobre o lamaçal.

Aeroporto

Já não é mais segredo. Os chefes da FIFA determinaram que as delegações das 8 equipes e as autoridades que virão participar dos quatro jogos da Copa em Natal desembarquem no aeroporto Augusto Severo e não no inacabado de São Gonçalo.

Péssima imagem

Outra vez, o diário britânico The Guardian publica extensa reportagem especial sobre os problemas do Brasil com a Copa do Mundo e as Olimpíadas 2016. Em texto de Simon Jenkins, o jornal diz na edição de hoje que os gastos são obscenos e o Rio um desastre.

Televisão

O diretor Ridley Scott está finalizando o episódio piloto de uma série sobre alienígenas no antigo Egito durante a construção das pirâmides. A produção “Faraó” será transmitida pela rede HBO, segundo informa hoje o site da renomada revista Variety.

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