História das Copas – 1990 – Alex Medeiros

Desde a divulgação da tabela oficial, eu percebera que aquela seria uma copa sem magia. O duplo fracasso da geração…

Desde a divulgação da tabela oficial, eu percebera que aquela seria uma copa sem magia. O duplo fracasso da geração Zico, em 82 e 86, deixou traumas profundos na alma do torcedor. Nem o álbum de figurinhas mexeu com meu ludismo copeiro.

Treinada por Sebastião Lazaroni, a seleção brasileira embarcou para a Copa da Itália com uma geração homogênea no quesito natalício, toda nascida nos anos 1960 (exceção de Tita), e que acabou nivelada também no fraco futebol naufragado na segunda fase.

E nem era tão medíocre assim o elenco, com craques como Romário, Bebeto, Careca, Müller, Mauro Galvão, Silas, Renato Gaucho, Branco e aquele que logo se tornaria o maior goleiro da história do futebol nacional, Claudio Taffarel, então com 24 anos.

O baixinho Romário viajou sob a sombra de uma contusão sem hora exata para sanar, entrou em campo contra a fraca Escócia e logo deu lugar ao são-paulino Müller. As três vitórias na primeira fase tiveram o dom de iludir, contra Suécia, Costa Rica e Escócia.

Se o torcedor mais exigente da Copa 2014 resmunga da qualidade musical desses tempos de “Lepo Lepo” e “Beijinho no Ombro”, lembro que em 1990 o ambiente pacheco foi emulado pelas lambadas de Beto Barbosa. Até a cerveja era ruim: Malt 90.

Bom, mas passamos para as oitavas com dois gols de Careca e dois de Müller, pelo menos mostrando que o time não sentia a falta de Romário. O tempo todo, eu ficava lembrando que estava fazendo 20 anos da mais esplêndida copa, a do México em 1970.

No bairro da casa dos meus pais, Nova Descoberta, ainda havia aquele clima bissexto de futebol religioso, algumas ruas estavam enfeitadas de bandeirinhas e os meninos jogavam bafo com as figurinhas das 24 seleções no álbum ilustrado da editoria Panini.

O próximo jogo do Brasil seria contra a Argentina, numa tarde de São João, 24 de junho, e os comentaristas da TV acreditavam que uma vitória sobre os rivais históricos engrenaria a seleção numa copa em que ninguém se mostrava tão superior aos demais.

Se eu não estava empolgado com o time, estava muito eufórico com o primeiro aniversário da minha coluna no Diário de Natal, a ser completado naqueles dias. E na coluna manifestei uma ideia que seria posta em prática pelo amigo Edivan Martins.

Eu queria celebrar os 20 anos da Copa de 70 com os mesmos amigos da infância, os meninos da Rua e da Travessa Mário Lira que se espremeram na casa do meu televizinho para torcer por Pelé, Tostão, Gerson, Rivellino, Jairzinho e companhia.

Edivan, que tinha na sua agenda de vereador os nomes e o destino de cada um dos antigos colegas, quase todos seus eleitores, arregimentou a turma de agora homens com mais de 30 anos e menos de 30 dinheiros. Só não deu para reuni-los na mesma casa.

O professor Daniel, nosso anfitrião de 70, já não morava nas Quintas, por isso fomos todos para a casa de Waldomiro, sogro de Edivan e meu pai de adoção afetiva. Havia sido ali que nós assistimos a Copa 74, torcendo pelo conterrâneo Marinho Chagas.

Uma equipe da TV Cabugi contou a nossa história e foi registrar in loco o reencontro de dezenas de amigos, vinte anos depois. Uma tomada nos telhados das casas mostrou um dossel de antenas como antítese das únicas três casas com televisores na copa do tri.

Fui entrevistado com minha filha no colo, então com 5 aninhos, e fiz comparações temporais com a própria esposa de Edivan, Valéria Martins, que tinha em 1970 mais ou menos a idade da minha menina. O repórter nos perguntou se a alegria se repetiria.

No meu íntimo, eu já sabia que não haveria em mim a repetição da euforia dos tempos de garoto, aquele reencontro tinha mais importância pelos personagens reunidos do que pela seleção brasileira. Minha pátria de chuteiras se acabou no Estádio Sarriá, em 1982.

Os resíduos futebolísticos de 1970 se acabaram naquela tarde de 1990 quando meus amigos de infância arregalaram os olhos e fizeram figa no momento em que Maradona venceu três brasileiros e deixou Caniggia diante de Taffarel, a 10 minutos do fim.

Eliminados pelos argentinos e repetindo um fracasso só visto em 1966, quando caímos ainda na primeira fase diante de húngaros e portugueses. Quatro anos depois, aquela geração de Dunga, Taffarel, Ricardo Gomes e Ricardo Rocha conquistaria o tetra.

Mas, aí, já é outra história. (AM)

Repercussão

Manchete na capa do jornal Público, de Madrid (não confundir com o homônimo de Lisboa): “A indignação brasileira devora a Copa de Dilma”. No corpo da matéria, destaque para os protestos contra os gastos públicos e a corrupção no evento.

Os milicos

“O problema de Dilma é que, na hora da Copa, emergiram movimentos que nem sempre se subordinam às conveniências do Partido. A presidente resolveu, então, militarizar provisoriamente o país”. Demétrio Magnoli, na Folha de S. Paulo.

Risível

O PT correu atrás do Paulo Maluf, posou para fotos com Maluf, ouviu Maluf, fez acordo (de princípios, como diz Rui Falcão) com Maluf. Aí os manés de Natal vomitam nas redes sociais que a imprensa é culpada pelas críticas da sociedade ao fato.

Joaquim Barbosa

“Com alguma margem de certeza, pode-se dizer que, sem a presença de Barbosa na condução daquele processo, não se conheceria até hoje o desfecho de um caso que se arrastava havia anos pelos meandros da Justiça”. Editorial da Folha de S. Paulo.

Política

A maioria absoluta da sociedade brasileira, ainda não contaminada pela delinqüência ideológica da esquerda revanchista e retrógrada, quer que Joaquim Barbosa entre na política. E que use do conhecimento privilegiado para combater os aloprados.

É fato

Os petistas Fátima Bezerra e Fernando Mineiro silenciaram sobre o comentário de Dilma Rousseff de desejar ver o RN governado por Henrique Alves. Não têm o que dizer, já que eles próprios desejavam formar chapa com o PMDB da família Alves.

Literatura

O poeta, ensaísta, historiador e diplomata paulistano Alberto da Costa e Silva, 83, é o vencedor do Prêmio Camões 2014, pelo conjunto da obra, recheada de livros sobre a história e a cultura da África. Ele irá receber 100 mil euros pela honraria literária.

Literatura II

O escritor e jornalista americano Carlos Harrisson, ganhador de um Prêmio Pulitzer, acaba de lançar mais uma obra de belo conteúdo literário e importância histórica. Em “Os Fantasmas de Hero Street”, fala de soldados esquecidos na Segunda Guerra.

Clássico

Um dos grandes destaques na Feira do Livro de Lisboa é a edição compilando num só volume o clássico “A Morte de Virgílio”, do austríaco Hermann Broch, lançada pela editora Relógio D’Água, fundada em 1983 por um grupo de jornalistas portugueses.

Poesia e cinema

O ator brasileiro Rodrigo Santoro vai atuar ao lado de John Malkovich e Rhys Ifans numa produção independente sobre a vida de Dylan Thomas, um dos maiores poetas de língua inglesa do século XX, morto em Nova York com apenas 39 anos.

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