Histórico é Pepe

O maior artilheiro da vida do Santos Futebol Clube chama-se Pepe. Fez 405 gols. Certo, Pelé, pela contagem oficial dos…

O maior artilheiro da vida do Santos Futebol Clube chama-se Pepe. Fez 405 gols. Certo, Pelé, pela contagem oficial dos arquivistas, marcou 1.091 vezes com a camisa do alvinegro praiano. Mas Pelé não conta, Pelé não vale, Pelé compunha a perfeição extraterrena. Pelé foi único e inimitável.

Pepe jogava de ponta-esquerda e seu chute chegava a 122 quilômetros por hora. Bem mais forte que o do lateral Roberto Carlos, alegria da Jovem Guarda. Goleiros do interior de São Paulo cansaram de escolher o canto esquerdo quando Pepe cobrava pênaltis, menos por intuição. Apelavam ao instinto de sobrevivência.

Sabiam que Pepe soltava a bomba com efeito no lado direito. Quem chegava a tocar a mão na bola, saía machucado e nem impedia o gol. A cinemateca mostra vários lances quase cômicos das patadas pepeanas.

Poucos sobrenomes recaem com tamanha perfeição sobre um homem quanto o de Pepe, Senhor José Macia, aos 79 anos feitos no último dia 25 de fevereiro. Irreverente, piadista, bom escritor, é um personagem adorável do futebol brasileiro e conquistou duas Copas do Mundo na reserva. E de Zagallo, que não jogava um terço dele.

Em 1958, o técnico Vicente Feola optou por deixar Pepe de fora e lançar o esquema com três homens no meio-campo. Zagallo voltava para cobrir os avanços de Nilton Santos e combater na intermediária, liberando o talento de Pelé aos 17 anos. Pepe assistiu Bellini levantar a taça sem tocar na bola uma vez sequer.

Quatro anos depois, a vez era dele, de Pepe. Aimoré Moreira, o treinador, sempre foi mais liberal do que o irmão, Zezé, e gostava de futebol bonito, bailarino, para a frente e montou seu time com base em duas máquinas de jogar bola.

Fixou base no Santos, que assombraria o mundo em outubro daquele ano humilhando o Benfica de Eusébio e sapecando-lhe 5×2 na final do Mundial de Clubes, e no Botafogo de Nilton Santos, Didi e a criança de formas tortas, Mané Garrincha.

O ataque titular estava pronto e escalado: Garrincha, Coutinho, Pelé e Pepe. Coutinho foi inscrito com a camisa 9 e Pepe com a 11. No meio-campo, Zito e Didi. Era o amarelo pátrio ocupando a prática alvinegra de dois times inesquecíveis.

Faltando 18 dias para a estreia contra o México, marcada para 30 de maio de 1962 no Estádio Sausalito, no Chile, o Brasil jogava seu penúltimo amistoso preparativo contra os vikings do País de Gales, conhecidos pela brutalidade de não distinguir o couro da pelota do tecido da canela de qualquer adversário.

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O Maracanã recebia 83.733 torcedores e vaiava Pelé, considerado pela mídia radical e burra, da qual não faziam parte João Saldanha, Armando Nogueira, Nelson Rodrigues e Oldemário Touguinhó, o padrinho da titularidade de Coutinho e Pepe.

Garrincha abriu 1×0 e Coutinho não comemorou o segundo gol, que fez aos 30 minutos de partida. O País de Gales diminuiu e Pelé, esplêndido, driblou dois beques e encobriu o goleiro Kelsey, também sua vítima na meia-lua sensacional das quartas de 1958.

Pepe arrisca um drible no lateral e recebe uma pancada forte. Torção no joelho esquerdo. Estava fora do time titular. O homem que alegrava a concentração com suas piadas e a paz de espírito intocável, teve uma crise de choro no vestiário. O destino lhe pregava a segunda peça.

Pepe foi ao Chile e fez companhia a Pelé e Coutinho nas cadeiras, ambos também contundidos. As substituições só seriam permitidas na Copa do Mundo de 1970. Zagallo, sortudo e aplicado, cumpriu as ordens de Aimoré e ajudou correndo atrás de marcadores e impondo sua indiscutível disciplina tática.

Pepe engoliu em seco o sabor de vencer sem lutar as duas Copas. Devolveu em cruzamentos e passes medidos nas duas partidas contra o Benfica, ainda em 1962 e enxurrou a alma de alegria no bicampeonato.

O Santos, em 1963, perdeu Pelé para o segundo jogo contra o Milan no Maracanã. Os italianos abriram 2×0. Comemoraram como se dançassem tarantellas diante de uma multidão em silêncio de fúria.

Gramado encharcado, Pepe virou o jogo com dois disparos granadeiros que rasgaram a zaga milanesa como as bombas que explodiram a Ilha de Navarone no célebre filme sobre a Segunda Guerra e a luta no Mar Egeu.

O Santos fez 4×2 e ganhou a terceira de 1×0, gol de Dalmo, batendo pênalti. Pepe era bicampeão mundial ou tetra, contados os dois canecos em 1958 e 1962.

José Macia, o Pepe, quem sabe o maior ponta-esquerda do Brasil, visitou Natal num evento sobre futebol e deram-lhe tratamento de segunda classe diante de Cafu e Márcio Santos, modernos campeões.

Cafu em 1994 e 2002 e Márcio Santos em 94, perdendo pênalti na decisão. O jornalismo precisa entender que é nefasto ao pisotear a história. E dos três, Pepe é biografia, referência e glória do futebol nacional.

 

O América em Fortaleza

Segurar os primeiros minutos do Ceará, que virá fazendo blitz e tentar fazer um gol, que vale dois pela Copa do Nordeste. Não importa jogar fechadinho fora de casa e sair na boa. O negócio para o América é chegar para o segundo jogo em condições reais de se classificar para a final porque o Ceará não é moleza como foi o CRB.

ABC no Espírito Santo

A Desportiva Ferroviária não pode ser considerada um adversário sobrenatural pelo ABC. Está mal no Campeonato Capixaba e seu reforço foi o atacante Alex Pedrozo, que atuou no rebaixado Assu na primeira fase potiguar.

Octávio com moral

O técnico Roberto Fernandes confia no meia Octávio para impor talento ao time do ABC. Octávio vem do Botafogo com fama de bom jogador e de nome para o futuro do time carioca. O ABC precisa de algum toque de bola, diferente do chutão padronizado para os atacantes.

Diferença brutal

A média de público da Copa do Nordeste é de 6.092 torcedores por partida, maior do que todos os estaduais. A média do Campeonato Potiguar é de 1.475 testemunhas a cada jogo. Não adianta comparar competência e falência.

Jabá

Um diretor do Bahia soltou a lista dos comunicadores beneficiados com “jabá”, grana dada pelo clube. Deve ser exceção.

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