“Hoje sou uma vítima da Telexfree”, diz maior divulgador da empresa

Sann Rodrigues, considerado o maior divulgador mundial da empresa, diz desconher quantas pessoas atraiu para o negócio, acusado de ser uma pirâmide bilionária

Sanderley Rodrigues, apontado como top divulgador da Telexfree, em frente à sede da empresa, no EUA. Foto: Divulgação
Sanderley Rodrigues, apontado como top divulgador da Telexfree, em frente à sede da empresa, no EUA. Foto: Divulgação

Sanderley Rodrigues de Vansconcelos, considerado pela Telexfree como o maior divulgador mundial da empresa em 2013, diz ser vítima do negócio, acusado por autoridades americanas de ser uma pirâmide financeira bilionária.

“Eu sou uma vítima da Telexfree hoje”, afirma Sann Rodrigues, como é conhecido, em entrevista. “Se está acusando [a empresa] de ser uma pirâmide, então as vítimas são as pessoas que estavam participando.”

Nesta terça-feira (15), Comissão de Valores Mobiliários (CVM) de Massachusetts concluiu que a Telexfree é um fraude disfarçada de venda de pacotes de telefonia VoIP destinada a atingir a comunidade brasileira no Estado, mas que acabou amealhando US$ 1 bilhão em todo o mundo.

Rodrigues, premiado em 2013 pelos serviços prestados à empresa, foi incluído na denúncia como quem tem “laços significativos e substanciais” com os brasileiros residentes em Massachusetts e está relacionado ao esquema. Na entrevista, ele diz desconhecer os motivos pelos quais seu nome consta do documento.

“Não tenho participação acionária nem exerço nenhum outro tipo de função junto à Telexfree que não seja a de divulgador como milhares de pessoas.”

Leia abaixo trechos da entrevista.

Qual a relação do senhor com a Telexfree?

Sanderley Rodrigues de Vasconcelos: a minha relação com a Telexfree é: sou um divulgador, como outro qualquer. Eu entrei na Telexfree como um divulgador por entender que era uma boa oportunidade. Não tenho participação acionária nem exerço nenhum outro tipo de função junto à Telexfree que não seja a de divulgador como milhares de pessoas. Eu sou uma vítima dentro do sistema Telexfree, hoje. Se está acusando de ser uma pirâmide, então, as vítimas são as pessoas que estavam participando. Porque o meu nome estava no processo eu não sei.

A Telexfree é uma pirâmide financeira?

Eu acredito que uma empresa que tem dentro do seu corpo jurídico uma das maiores autoridades [no assunto], que é o advogado Gerald Nehra…não acredito que o advogado Gerald Nehra emprestaria o seu nome para estar no site da Telexfree. (….) A minha confiaça estava [em] que, se o corpo jurídico tem Gerald Nehra, então a coisa está correta. Então eu não consigo te responder. Na minha visão não é uma pirâmide, mas quem tem de responder isso é um advogado da Telexfree.

O senhor é o maior divulgador da Telexfree?

Eu trabalho bastante e como a rede cresceu muito, talvez as pessoas colocam [o título]. Mas não vejo dessa maneira. Eu creio que trabalhei bastante e tentei ajudar ao máximo. Sou um divulgador qualquer, mas que trabalha bastante.

Qual a sua recomendação para as pessoas que você atraiu para a Telexfree?

O momento é de aguardar a Justiça, o que seja decidido da vida da Telexfree. Então a recomendação é o que estou fazendo: aguardar a decisão da Justiça. Nos Estados Unidos, bem diferente do Brasil, existem leis específicas para o marketing multinível. Então a minha confiança realmente sempre esteve nessa questão jurídica americana. Eu jamais estaria envolvido com algo que esteja errado. Tive uma experiênica em 2006 [naquele ano, Rodrigues foi acusado de ter operado uma pirâmide financeira] e aprendi bastante com essa experiência. Mas, graças a Deus tudo foi resolvido, todas pessoas receberam, tanto que eu não tive nenhum tipo de multa porque a Justiça entendeu, a própria Comissão de Valores Mobiliários entendeu que não tinha feito algo para prejudicar as pessoas.

Se a Telexfree sair desses questionamentos, o senhor vai voltar a investir nela?

Primeiro que eu nunca investi na Telexfree, eu nunca entendi a Telexfree como investimento e sim como uma empresa de marketing multinível que vende a tecnologia VoIP. Então, se a Justiça der ganho para a Telexfree, você não tenha dúvida, vou continuar meu trabalho como divulgador Telexfree.

O senhor está proibido de oferecer e vender ativos financeiros, como a CVM entendeu que a Telexfree está fazendo. O senhor julga que estava vendendo ativos financeiros ao atrair pessoas para Telexfree e descumprindo a proibição de 2006?

Não acredito. Até porque como eu te disse: olhando o jurídico da Telexfreee, eu tive a tranquilidade de ver a Telexfree como uma oportunidade legal de venda de produtos em marekting multinível.

Quantos pacotes VoIP você vendeu para consumidores finais que não são divulgadores da Telexfree?

Eu não tenho esse número, não.

Você pode me dizer o tamanho da sua rede?

Também não tenho essa informação. Até porque faz muito tempo eu não conseguia abrir minha rede. E quando eu reclamava para a empresa diziam que estavam atualizando o sistema.

O senhor aparece em vídeos dentro da sede da Telexfree fazendo a divulgação.

Não existe nenhum fato estranho nisso uma vez que qualquer divulgador pode fazer isso. A única diferença: eu fui o primeiro que fiz. Não tem só o meu vídeo na internet. Existem vídeos e fotos de várias outras pessoas na sede da empresa. Eu queria conhecer a empresa, eu não queria entrar numa coisa que eu não conhecesse.

Como o senhor conheceu o Carlos Wanzeler e o James Merrill?

Eu conheci eles através da Disk à Vontade [criada por Wanzeler nos EUA]. Eles tinham uma empresa chamada Disk à Vontade e eu só os conheci, mas nunca tive relacionamento e depois só conheci já através da Telexfree.

Fonte: IG

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