Homenagem a líder da Telexfree no Senado é cancelada

Sanderley Rodrigues, investigado nos EUA, receberia medalha de personalidade do ano de associação particular

Sann Rodrigues: premiado em 2013 como maior líder da Telexfree no mundo. Foto: Divulgação
Sann Rodrigues: premiado em 2013 como maior líder da Telexfree no mundo. Foto: Divulgação

Uma homenagem em salão nobre do Senado Federal ao principal líder da Telexfree, empresa acusada no Brasil e nos Estados Unidos de ser uma pirâmide financeira bilionária, foi cancelada nesta quinta-feira (29), horas antes de ser realizada.

A honraria seria concedida a Sanderley Rodrigues de Vasconcelos, conhecido como Sann Rodrigues, que  teve recursos congelados quando a Justiça americana bloqueou os bens da Telexfree. Em 2006, o brasileiro já havia sido acusado de liderar uma outra pirâmide financeira nos EUA.

Nesta quinta-feira (29), Rodrigues iria receber o prêmio de personalidade do ano em marketing multinível durante o evento Tributo ao Imigrante, organizado pelo Centro de Integração Cultural e Empresarial de São Paulo (Cicesp), uma entidade privada presidida por Regino Barros.

O uso do salão foi reservado pelo senador Cícero Lucena (PSDB-PB), cujo gabinente informou desconhecer a presença de Rodrigues na lista de homenageados.

Marketing multinível seria disfarce

Durante o evento, no Auditório Petrônio Portella do Senado, Sanderley Rodrigues seria ainda nomeado conselheiro da Agência Reguladora de Marketing Multinível do Brasil (Aromm), comandada também por Barros. Apesar do nome, a Aromm não é um braço do governo.

Para as autoridades norte-americanas e brasileiras, a Telexfree usou o marketing multinível – um modelo de varejo legal baseado em redes de vendedores autônomos — como mera fachada para montar a pirâmide financeira. Os representantes da empresa sempre negaram irregularidades.

“[Rodrigues] foi o maior líder da maior empresa que incluiu gente no marketing multinível”, afirmou Regino Barros ao iG, antes do cancelamento o evento. “Estudei muito a postura dele junto a seus comandados, a condução dele de 1,6 milhão de pessoas espalhadas por 120 países.”

Questionado sobre o fato de Rodrigues ser investigado nos EUA, Ramos disse que “não deveríamos crucificar antes que tivéssemos sob a luz da lei.”

Rodrigues afirmou, também antes do cancelamento, que começou a divulgar por acreditar que se tratava de um negócio legítimo. O profissional ainda discorda da acusação de que a empresa é uma pirâmide.

“Eu devo ter acima de US$ 1 milhão [bloqueados] no meu escritório virtual”, diz ele. “Eu estou trabalhando para montar uma associação das vítimas.”

Gabinete de senador diz desconhecer lista de homenageados

O evento foi cancelado após a reportagem entrar em contato com o gabinete do senador Cícero Lucena (PSDB-PB), que havia feito a solicitação de reserva do auditório Petrônio Portella do Senado a pedido de Regino Barros.

Um assessor do gabinete informou que essas solicitações são comuns e que os senadores não participam da elaboração da lista.

Após o cancelamento, Barros disse lamentar a retirada de Rodrigues da lista de homenageados.

“Eu não quero criar constrangimento para os meus pares no Congresso”, afirmou sobre a decisão de não mais nomear Rodrigues como conselheiro da Aromm.

Rodrigues afirmou que não tinha conhecimento do cancelamento.

Fonte: IG

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