Homenagens a Reginaldo Rossi vão até depois do Carnaval

Reginaldo Rodrigues Santos Rossi, o homem que ganhou o topo das paradas de sucesso fez nesta sexta-feira sua ‘saideira’

No início do ano, em data ainda a ser marcada, haverá a Noite do Corno, um festival em que o grande homenageado será Rossi. Foto: Divulgação
No início do ano, em data ainda a ser marcada, haverá a Noite do Corno, um festival em que o grande homenageado será Rossi. Foto: Divulgação

A morte de Reginaldo Rossi vai render uma série de homenagens ao cantor. Na Feira de São Cristóvão (RJ), neste domingo, tem show do cover do Rei do Brega, Geraldo Rossi. No início do ano, em data ainda a ser marcada, haverá a Noite do Corno, um festival em que o grande homenageado será Rossi. “A gente conversou com ele em novembro sobre isso. Fomos pegos de surpresa com essa triste notícia. Mas não deixaremos de fazer. Agora, será para homenageá-lo”, anunciou Carlos Marabá.

 Especialista em mesa de bar, Marcos de Paula é um dos fãs que trabalham na Feira de São Cristóvão e vive na pele o dia a dia do hit ‘Garçom’ Foto:  Fernando Souza / Agência O Dia

Especialista em mesa de bar, Marcos de Paula é um dos fãs que trabalham na Feira de São Cristóvão e vive na pele o dia a dia do hit ‘Garçom’
Foto: Fernando Souza / Agência O Dia

O bloco de carnaval Fogo & Paixão, criado em 2011 e que fez sucesso imediato ao transformar música brega em marchinha, já prepara uma surpresa para os fãs de Reginaldo Rossi.No ano passado, o Fogo & Paixão foi considerado um dos melhores blocos do Carnaval ao homenagear Wando, falecido às vésperas da apresentação.

“Este primeiro momento será de prestar solidariedade à família. Mas o Reginaldo sempre esteve presente no bloco e ano que vem será ainda mais especial. Uma coisa é certa: as fantasias de garçom e viúvas do Reginaldo já estão entre as mais cotadas. Pode anotar”, aposta a diretora Viviane Aguiar.

 André Luiz Oliveira homenageou Reginaldo Rossi cantando suas músicas no videokê em São Cristóvão Foto:  Fernando Souza / Agência O Dia

André Luiz Oliveira homenageou Reginaldo Rossi cantando suas músicas no videokê em São Cristóvão
Foto: Fernando Souza / Agência O Dia

Morte de um Rei

Reginaldo Rodrigues Santos Rossi, o homem que ganhou o topo das paradas de sucesso ao mostrar que ‘no bar todo mundo é igual’, fez nesta sexta-feira sua ‘saideira’. Imortalizado como ‘Rei do Brega’, Reginaldo Rossi morreu aos 69 anos, vítima de um fulminante câncer de pulmão descoberto há menos de um mês. Ele estava internado desde o último dia 27, no Memorial São José, no Recife, cidade onde nasceu.

“Um dos mais queridos ídolos populares da música nacional”, definiu-o no Facebook a presidenta Dilma Rousseff, para se despedir do artista. Ele, que se consagrou com sua música romântica entre as classes mais populares, nunca escondeu ter sido bem criado. Formou-se em Engenharia Civil e começou a carreira no mundo musical cantando Beatles nos botecos do Recife. “Beatles é quadradão. É brega total”, dizia Rossi, irreverente.

Seu maior sucesso, ‘Garçom’, foi gravado em 1986, mas só estourou no Sudeste no fim dos anos 1990, quando virou cult. “Lembro dessa música em 1967, nos bregas que frequentava quando trabalhava em garimpo em Jacundá, no Pará”, contou Carlos Marabá, diretor cultural do Centro de Tradições Nordestinas, a popular Feira de São Cristóvão, local indicado para quem quiser mergulhar no universo imortalizado por Rossi.

“Ele tinha a alma nordestina, era meio cantor, meio humorista. Um cara de bem com a vida. Cantava o que o que povo sente e fala na mesa de bar”, resume o garçom Marcos de Paula. Ontem, o clima de velório deu lugar a uma homenagem divertida entre seus fãs no local. A venda de CDs do cantor disparou e, nos videokês, fãs como André Luiz Oliveira cantaram seus hits.

Apesar de brincalhão, Reginaldo se dizia tímido e usava o humor para disfarçar suas angústias e inseguranças. Alardeava que mulher era seu único vício, mas perdeu muito dinheiro no jogo de pôquer e não abria mão do cigarro e de uísque com guaraná. Queixa, só uma: não gostava de ser chamado de brega. “Ele sempre detestou esse troço. Brega é o rótulo que a classe média pregou nos cantores românticos brasileiros, como forma de diferenciá-los”, disse o escritor e amigo Xico Sá.

 

Fonte: O Dia

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