Hora de mudar – Rubens Lemos

Felipão faz carranca de Dunga Velho, mas sabe que é preciso mudar. O Brasil sempre trocou o time quando foi…

Felipão faz carranca de Dunga Velho, mas sabe que é preciso mudar. O Brasil sempre trocou o time quando foi campeão. É hora de Fernandinho, arisco no meio-campo, de Maicon, gladiador na lateral-direita e quem sabe Hernanes. Oscar jogou a primeira partida e passeou nas outras duas.

Muito mais difícil foi Vicente Feola sacar o refinado Dino Sani para dar lugar ao aplicado e líder Zito em 1958, ao mesmo tempo em que tirou os flamenguistas Dida e Joel, merecedores de todas as reverências. Permitiram a revolução no futebol com Pelé e Garrincha. Vavá já havia tomado o lugar de Mazolla, de canelas negociadas com a Itália.

Até em 1962 o time seria outro. Planejada a simples mistura de Santos e Botafogo. O ataque estava escalado: Garrincha, Coutinho, Pelé e Pepe. Coutinho e Pepe se machucaram antes e entraram Vavá, nascido para Copa do Mundo, e Zagallo. Pelé sentiu a virilha divina e Amarildo ocupou a vaga eliminando os espanhóis com dois gols fundamentais.

Somente em 1970, não se mexeu em nada durante a Copa do Mundo. A pancada veio antes, com João Saldanha rifado por não convocar Dadá Maravilha. Aquele time não precisava de retoques.

No tetra, Raí saiu do Brasil com cartaz de craque. Nada fez e Mazinho foi escalado. Quando perdeu a zaga titular, Parreira confiou em Aldair e Márcio Santos. Branco mostrou que era muito melhor ao reassumir a lateral-esquerda na cotovelada do angelical Leonardo no ianque Tab Ramos.

E em 2002, no Penta, Juninho Paulista começou titular e o próprio Felipão, que fez doze aniversários depois, barrou o hábil nanico para colocar Kléberson de volante (o quarto ou quinto), soltando Rivaldo para esbanjar de melhor de verdade. Muda, Felipão. O Chile é freguês, mas tabus vêm sendo quebrados feito palitos.

É do sangue

O Uruguai é a prova prática de que extensão territorial e grandeza moral estão bem distantes. Pequenino, valente, prossegue na Copa do Mundo pelo seu espírito indomável. É preciso entender a história do país para compreender a raça plena e comovente do povo refletida na Celeste, a seleção que jamais se entrega.

Espanha, Portugal e o Brasil com a Cisplatina tentaram domar os uruguaios e não conseguiram. Dos heróis guerreiros José Artigas e Fructuoso Rivera ao caudilho Obdúlio Varela no futebol, brio, vergonha na cara e pulsação compõem a dramaticidade espantosa para o continente e o planeta boquiaberto.

O Uruguai é um país de craques. Mesmo sem troféu mundial há 64 anos, revela jogador todo ano, atiça a gula de empresários sanguessugas e abastece o mercado europeu na proporção dos brasileiros e argentinos. É que o Uruguai aparece menos, é aquele cara talentoso e rabugento que não gosta de cartaz.

No Grupo da Morte, o Uruguai foi dado como defunto de atestado ao perder da Costa Rica, em missa de corpo presente saudado até o segundo gol de Luisito Suárez contra a Inglaterra e fugiu do mausoléu da teoria na cabeçada de nuca do zagueiro Godin em jogo inesquecível para a história de Natal.

O Uruguai luta até o último homem. Se falta munição, parte para a infantaria. Briga de faca, de adaga, no braço. O Uruguai morde. É um perigo. Quando mata, a dor é incurável.

Danilo Menezes

É do maior meia-armador do ABC, fronteiriço de Rivera, a alegria Celeste da classificação.

Mordida

A suposta dentada de Luisito Suárez fez a Itália saber que a roda gira. Demora, mais gira. Durou 20 anos desde a cotovelada em Tassoti no espanhol Luiz Enrique – agora técnico do Barcelona. Pênalti escandaloso. O técnico foi punido, Tassoti banido da Copa dos Estados Unidos. A Espanha, desclassificada.

Golaço de James

Depois do golaço de cavadinha de James Rodríguez, a Fifa poderia encerrar e recomeçar a Copa. James é um monstro colombiano, colombino.

Pirlo

Por ele – e só por ele – o futebol sentirá falta da Itália. Pirlo é um nobre da bola. Sua seleção é pobre de futebol. Envelhecida, dividida e sem padrão. A Itália estacionou em 2006, quando ganhou nos pênaltis depois da cabeçada de Zidane no zagueiro Materazzi.

Garoto esperto

Malandro foi Balotelli. Bateu asas antes do gol uruguaio. Mascaradão o atacante de mídia. Bola murcha na Copa do Mundo. Apesar do gol marcado contra a Inglaterra, ficou devendo futebol. Balotelli é muito mais popstar do que boleiro.

Confirmação

A França tem tudo para confirmar, contra o Equador, que é candidata ao título. Mostrou toque filarmônico nos dois primeiros jogos e uma certa liberdade sem o ídolo Ribery.

Vaga

Aos 76 anos, o lendário Bobby Charlton, campeão em 1966, jogaria fácil na Inglaterra de hoje. Outro time decadente. Rooney é camisa 10 de casados versus solteiros.

Arena Brasília

De Agamenon Mendes Pedreira, jornalista dos tilintares de Olivetti e da redação do Casseta & Planeta, encerrando analogias entre pulhas e craques: “O estádio (de Brasília) foi batizado não em homenagem ao Garrincha, mas ao Zé Mané, o torcedor que pagou esta obra superfaturada.” Disse e foi dormir no seu Dodge Dart, comprado em 1973 e todo enferrujado.

Grafite na Copa

Um dos momentos hilários da história das Copas do Mundo completa quatro anos hoje. No dia 25 de junho de 2010, Grafite, o precursor de Jô e do Imobile Fred, entrava em campo no empate do Brasil com Portugal (0×0), jogo de compadres encerrando a primeira fase.

Topeiras

Por culpa de Dunga, o Felipão ainda menos simpático, o Brasil chegou a ter, juntinhos, Michel Bastos, Josué (que substituiu Felipe Melo), Júlio Batista e Grafite. Quarteto em chinfras. Jogo no Estádio Moisés Madhiba em Durban (África do Sul), com público pagante de 62.712 pagantes.

Ficha técnica

Brasil: Júlio César; Maicon, Lúcio, Juan e Michel Bastos; Gilberto Silva, Felipe Melo (Josué), Daniel Alves e Júlio Baptista (Ramires); Nilmar e Luis Fabiano (Grafite). Técnico: Dunga. Portugal: Eduardo; Ricardo Costa, Bruno Alves, Ricardo Carvalho e Fábio Coentrão; Pepe (Pedro Mendes), Duda (Simão), Raul Meireles (Miguel Veloso) e Tiago; Cristiano Ronaldo e Danny. Técnico: Carlos Queiroz.

ABC e América

Natal se volta agora para a sua verdadeira razão de ser: a dupla ABC e América e a Série B do Campeonato Brasileiro.

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