Horizonte da indústria – Alex Medeiros

Por Miriam Leitão A indústria parece não encontrar o chão. Esta semana as projeções do mercado, na pesquisa feita pelo…

Por Miriam Leitão

A indústria parece não encontrar o chão. Esta semana as projeções do mercado, na pesquisa feita pelo Banco Central, foram reduzidas fortemente e entraram no terreno negativo. Há um problema estrutural na indústria no mundo inteiro que a faz ter um percentual menor do PIB de todos os países, mas há uma questão específica no Brasil que é a soma de incertezas que tira o horizonte do setor.

Os economistas consultados pelo Banco Central revisaram de 0,51% para -0,14% a projeção industrial deste ano. Normalmente, as quedas são lentas, esta mudança foi forte demais; de 0,65 ponto percentual em apenas uma semana No início do ano passado, o mercado ainda acreditava que fosse possível fechar 2014 com um crescimento no setor de 3%. Em janeiro deste ano, a projeção já havia caído para 2,2%, mas continuava positiva. Ontem, foi para o negativo, tornando ainda mais difícil o panorama industrial. São projeções e, por isso, podem mudar, mas há poucas razões para uma inversão positiva dessa curva.

Na última semana, a crise cambial argentina ficou pior com a decisão da Suprema Corte dos EUA, e os argentinos são compradores de manufaturados brasileiros. O calote de 2001 ainda gera consequências para o país, que está com baixas reservas cambiais ao mesmo tempo em que vê aumentar a conta que ainda precisará ser paga aos credores. Seu volume de reservas vai emagrecer mais ainda. O cenário provável é mais restrições de importações. O Brasil e sua indústria vão sofrer com a Argentina jogando toda na retranca.

Quando se olha para o país, a perspectiva também não é boa. O varejo vinha sustentando um ritmo forte de crescimento, e, embora a concorrência com o produto importado sempre tenha sido uma grande reclamação da nossa indústria, havia demanda por produtos brasileiros. O problema é que o comércio também está perdendo fôlego. A Fecomercio de São Paulo divulgou que o índice de confiança dos consumidores na capital caiu em maio para o menor nível já registrado:

“O atual cenário socioeconômico, com baixo crescimento, aliado à persistente alta da inflação foram os principais motivos que resultaram no pior nível histórico do Índice de Intenção de Consumo das Famílias na cidade de São Paulo, chegando ao patamar de 113,6 pontos (em maio).”

De janeiro a abril, o emprego industrial caiu 2% em relação a 2013. O número está negativo em 11 dos 14 locais pesquisados e em 14 de 18 setores. São Paulo, centro industrial do país, teve queda de 3,1% no emprego da indústria. No Rio Grande do Sul, retração de 4%. A indústria de máquinas e aparelhos eletroeletrônicos fechou 6,3% dos postos de trabalho; máquinas e equipamentos, -4,7%; e até refino de petróleo e produção de álcool eliminou 7,9% das vagas. A política de venda de carros dos últimos anos não está segurando empregos nesse setor industrial. Em maio, o Caged já apontou fechamento de 28 mil vagas na indústria de transformação.

Os números frios não combinam com o clima de Copa, com a animação que se vê das torcidas vitoriosas nos bares das cidades onde os jogos aprisionam a atenção. O que os especialistas dizem é que a animação de torcidas não muda um quadro que já vinha minguando. Os muitos feriados pioram ainda mais a atividade industrial nestas semanas do evento.

A disputa é curta e a cada etapa há menos times em campo. O que há de explicação mais permanente é mesmo a falta de expectativa para a indústria. Os empresários têm medo da excessiva intervenção no câmbio, que tira espaço dos exportadores. Quem vende apenas para o mercado interno teme o efeito da inflação na renda. Investidores temem fazer plano sem saber algumas variáveis de custo importantes, como o preço dos combustíveis e da energia no ano que vem. Os preços represados viraram mais um fator de incerteza. Esse é o pior ambiente para quem quer investir. (ML)

Mensalão

Atentos à Copa, a maioria dos brasileiros não assistirá a TV Justiça no julgamento dos pedidos dos mensaleiros do PT para trabalharem fora dos presídios. A presidência do Supremo está com Ricardo Lewandovski e a relatoria com Luis Roberto Barroso.

Apoios

Numa mesma semana, Dilma Rousseff recebe oficialmente os apoios à reeleição dos partidos PSD, PP e PROS. Aqui no RN, as três legendas subirão em palanques distintos na disputa de governador. PSD e PP com Robinson Faria, PROS com Henrique Alves.

Atropelo

Luiz Inácio continua misturando o partido com o Planalto. Ontem, antecipou para empresários o programa do governo federal, “Plataformas do Conhecimento”, que estava marcado para ser lançado somente hoje pela presidente Dilma Rousseff.

Sobre Lula

“Graças aos trotskistas e dissidentes do movimento comunista, católicos de esquerda e o obreirismo insano de intelectuais paulistas, fundou o PT pelas mãos do general Golbery do Couto e Silva, titular emérito do regime militar”. (Jornalista Miranda Sá)

Tradição

O jogo entre Itália e Uruguai anulou quase que por completo o noticiário sobre os festejos de São João na imprensa de Natal. Este foi o mês de junho mais fraco em termos juninos, posto que o poder público priorizou o clima de Copa do Mundo.

São João no Centro

O salão de eventos da Assembléia Legislativa estará aberto hoje a partir das 18h para a 97ª edição do projeto Assembléia Cultural, em ritmo de festa junina. O Forrozão Balai de Gato e o Balé Popular Terras Potiguares animam o ambiente. Entrada gratuita.

Clássico fraco

O jogo tinha o peso das duas seleções azuis, uma celeste e outra marinho, e contou com uma festa de cores e alegria das torcidas. No gramado da Arena das Dunas, no entanto, o futebol esteve longe da história de Uruguai e Itália. Uma partida sem a magia da bola.

Arranca-toco

Uruguai e Itália jogaram com o modo atropelamento ligado. O nervosismo em ambos os lados justificou tantas faltas e jogadas desleais, além de provocações. Lembrei das peladas na Vila Xurupita, com o Zé Carioca encarando brutamontes enraivecidos.

Nas quartas

Acaso o Brasil passe pelo Chile, acho que Felipão e sua família deveriam torcer por uma vitória do Uruguai sobre a boa Colômbia. É melhor enfrentar os uruguaios destemperados do que os colombianos cheios de técnica. A Itália não soube vencê-los.

O criador

O jovem James Rodriguez, meia colombiano, está suprindo com sobras a ausência do craque Falcao Garcia. Sua perna esquerda vem dando espetáculo e fazendo gols. Ontem, no Jornal da Globo, Tiago Leifert o chamou de “melhor camisa 10 da Copa”.

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