Hospital Giselda Trigueiro muda perfil de atendimento e regula porta de entrada

Unidade passa a receber apenas pacientes graves de doenças infectocontagiosas e referenciados pela rede básica

Desde a mudança, atendimento no pronto-socorro da unidade tem sido mais ágil e tranquilo. Foto: Wellington Rocha
Desde a mudança, atendimento no pronto-socorro da unidade tem sido mais ágil e tranquilo. Foto: Wellington Rocha

Desde o dia primeiro de janeiro, o Hospital Giselda Trigueiro, referência em todo o Rio Grande do Norte no tratamento de doenças infectocontagiosas, está recebendo apenas pacientes referenciados, aqueles que são encaminhados à unidade por outros serviços de saúde. Localizado no bairro da Quintas, na zona Oeste de Natal, de acordo com dados da direção geral do Hospital, o Pronto Socorro realiza por mês cerca de dois mil atendimentos, sendo 17% deste total, casos de urgência e emergência, 50% de doenças infecciosas e 78% destes atendimentos são do município de Natal.

“Ao longo dos anos, os hospitais do Estado assumiram outro papel por causa da deficiência da rede básica de saúde. Mas houve a necessidade de reorganizar o modelo de atendimento do hospital. No segundo semestre de 2013 tivemos reuniões com o município e houve o entendimento por parte dele. Começamos oficinas com médicos e enfermeiros sobre profilaxias antitetânica e antirrábica, que podem ser feitas nas unidades de saúde. Tudo foi organizado, pensado e recebemos o aval do secretário estadual de saúde, Luiz Roberto, para fazer a mudança de perfil neste início de ano”, disse a diretora geral Milena Martins.

Milena também explica que o atendimento agora feito é chamado “porta regulada”, no qual o paciente só chega à unidade após ser avaliado pelo médico das unidades do município e ser detectada a necessidade do encaminhamento. “A descentralização é benéfica. Antes as equipes acabavam ficando dedicadas ao atendimento no ambulatório, deixando de lado pacientes graves. Orientamos a população que não procure espontaneamente o Giselda Trigueiro e, sim, as unidades de saúde do município ou a UPA [Unidade de Pronto Atendimento] mais próxima. Neste primeiro momento, a população está sendo orientada sobre a mudança, o que acaba gerando desconforto, mas é pela melhoria, reorganização e qualificação dos nossos serviços. A população deve entender”, pontuou.

De acordo com a enfermeira Priscila Isabele, que trabalha no Acolhimento e Classificação de Risco do Pronto Socorro do Giselda Trigueiro, há um pensamento errôneo por parte da população quanto ao real perfil do atendimento do Hospital. “Os moradores das Quintas, do Alecrim e de bairros próximos, acham que aqui é o hospital do bairro. Já aconteceram casos de internamos pacientes em estado grave, mas com doenças que não são infecciosas, como câncer de pulmão, e quando chegou um paciente com HIV ou tuberculose, por exemplo, com necessidade de ser entubado, não tinha leito”, enfatizou.

A enfermeira conta que a mudança no atendimento foi comunicada para toda a rede pública e privada. “Infelizmente algumas unidades encaminham pacientes para cá mesmos sendo casos que possam ser resolvidos no município, como profilaxia antitetânica, que todo posto de saúde tem e pode fazer. Mas todos estão cientes da mudança. É um acordo entre o Estado e o Município. Recebemos todos os dias a listagem de médicos que estão em atendimento para podermos orientar pacientes não referenciados a procurar outras unidades”.

Na manhã desta sexta-feira (3), o vendedor Cláudio Alessandro estava no Pronto Socorro do Hospital à espera de uma vaga para internamento após uma verdadeira via-crúcis por outros hospitais e unidades de saúde. “Estou com pneumonia e quase tuberculose. Primeiro procurei um posto em Mãe Luiza e fui atendido. Como não melhorei, fui para o Santa Catarina e não recebi atendimento. Segui para a UPA de Pajuçara e não tinha vaga. Agora estou aqui esperando a avaliação do meu raio-X e um retorno para ver se vão me internar. É um sofrimento grande. Espero que esta mudança melhore a vida da população”.

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