Hospital Santa Catarina pode ficar sem cirurgiões gerais e clínicos

Escala está completa só até o dia 27 de maio. Sesap promete contratar cooperativa

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Alessandra Bernardo

alessabsl@gmail.comg

Aproximadamente 400 mil habitantes da zona Norte de Natal e municípios vizinhos podem ficar sem assistência médica depois do dia 27 de maio, caso o Estado não complete as escalas de Clínica Médica e Cirurgia Geral da unidade, conforme denúncia feita nesta segunda-feira (19) pelo médico Sebastião Paulino. Ele, que trabalha na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) do Hospital Santa Catarina, disse ainda que, se continuar assim, os pacientes de urgência e emergência da região terão que se deslocar para outros hospitais, como o Walfredo Gurgel, por exemplo. A direção da unidade informou que contratará médicos de cooperativa para resolver o problema.

“Se a Secretaria de Saúde não completar a escala, o hospital vai ficar sem clínico e cirurgião geral depois do dia 27 de maio e muitas vidas podem ser perdidas. Imagine que um paciente vítima de tiro ou facada e que chegue precisando de atendimento urgente terá que ser transferido para o Walfredo. Não podemos deixar que isso aconteça, porque um minuto pode representar a diferença entre a vida e a morte, pois até que consiga atravessar a cidade, pode não suportar”, explicou Sebastião.

Ele disse ainda que a situação já foi comunicada à Secretaria de Estado da Saúde Pública (Sesap) desde o início do mês de maio e que até o momento nada foi feito para completar a escala. Sebastião também falou que atualmente, apenas dois médicos trabalham à noite, quando o número mínimo é de três profissionais.

“Só temos dois trabalhando neste turno e, se os dois médicos precisarem participar de uma cirurgia, a clínica médica ficará descoberta pelo tempo que durar o procedimento. É um descalabro, ou fica sem médico os últimos quatro dias ou puxam a escala de junho para cobrir o buraco, mas já sabendo que só vai arrastar o problema para o final do próximo mês”, denunciou Sebastião.

Essa situação, segundo ele, deixa os profissionais que atuam na unidade expostos às agressões físicas e verbais provocadas por pacientes e/ou acompanhantes, que se revoltam com a demora nos atendimentos. “Há duas semanas, um médico apanhou de um paciente e teve que ser atendido, após registrar queixa na delegacia de polícia. Já na semana passada, outro colega foi ameaçada e xingada por um paciente”, desabafou Sebastião.

 

Médicos de cooperativa completarão escala

No final da manhã desta segunda-feira, o diretor geral do Hospital Santa Catarina, Jaime César, informou que as escalas de clínico e cirurgiões gerais da unidade serão completadas com profissionais da cooperativa médica, que já possui contrato com outras unidades hospitalares do Estado. Ele afirmou também que um profissional que atendia no local pediu afastamento recentemente, para assumir o cargo de vereador em uma cidade do interior.

Jaime afirmou ainda que existem, atualmente, três médicos que trabalham durante os turnos da manhã e tarde e outros dois, que completam os plantões noturnos e que essa medida foi tomada porque a demanda do período da noite é menor que a diurna. Além disso, há dois meses, foi implantado o protocolo de classificação de risco na unidade, que diminuiu em 40% o número de atendimentos feitos diariamente pela unidade. De acordo com essa classificação, os pacientes são selecionados por cores e graus de necessidade de atendimento.

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