Hotel dos Reis Magos deve passar por mais duas perícias estruturais

Idealizador da reforma, o engenheiro-civil Arthur Percínio, é contratado para projeto

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Marcelo Hollanda

hollandajornalista@gmail.com

O ex-diretor administrativo do grupo de Hotéis Pernambuco, engenheiro-civil Arthur Percínio, ex-genro do dono da empresa e que durante cinco anos coordenou pessoalmente o processo de reforma do hotel dos Reis Magos, na Praia do Meio, está de volta para retomar o projeto. Ele permanecerá até domingo quando retorna a Recife, onde fica sua empresa incorporadora e construtora.

Percínio conhece os problemas do Reis Magos como ninguém. Chegou a aprovar um projeto de reconstrução do hotel na Semurb no final da gestão anterior do prefeito Carlos Eduardo, mas a eleição de Micarla de Sousa interrompeu tudo. Nenhum documento do grupo saiu mais da Semurb sob a administração da então nova prefeita, bem como qualquer coisa que vagamente dissesse respeito a seu antecessor.

Hoje, falando a’O JORNAL DE HOJE, Percínio disse que sua intenção é retomar o trabalho do começo, percorrer todos os órgãos ligados ao caso, começando pelo gabinete do secretário Fernando Bezerril, de Turismo, passando pela Secretaria de Meio Ambiente e Urbanismo e, se possível, o Conselho Regional de Engenharia (CREA). E, principalmente, olhar de perto os estragos produzidos na estrutura da construção, que da última vez que ele viu custariam R$ 70 milhões para ser recuperada.

Artur Percínio, que já foi um diretor influente do Grupo de Hotéis Pernambuco quando pertencia à família, desenhou um projeto arrojado de retomada do hotel. Hoje, cinco anos depois, ele diz que sua missão é somente retomar todas as informações ligadas à engenharia, deixando de lado qualquer outra consideração de ordem mercadológica. “Estou fora há muitos anos do setor hoteleiro para opinar”, alega.

Especialista em incorporação e construção até de hospitais, onde o grau de complexidade é bem maior em relação a outros empreendimentos normais na construção civil, a princípio Percíni não descarta a possibilidade de retornar com péssimas notícias para Recife. Mas tudo indica que seu trabalho vá se resumir em aproveitar da melhor maneira possível a estrutura do hotel e pôr um capítulo final na novela criada em torno de sua demolição.

Como o prefeito Carlos Eduardo também se opõe a pôr a construção abaixo, para agradar os ambientalistas de plantão, fontes ouvidas pelo JH consideraram que é mais provável que se siga o projeto de recuperação já aprovado pela Semurb, em 2008, fazendo uma atualização do orçamento anterior que hoje o próprio Percíni definiu como “alto demais” para a época.

Ele citou o exemplo de duas torres de propriedade do grupo de Hotéis Pernambuco, localizados na Avenida Boa Viagem e de igual valor histórico, que foram postos abaixo para se transformarem em empreendimentos imobiliários com o maior preço do metro quadrado do Nordeste. “Essa é a visão do empresário, mas o caso do Reis Magos envolve outras circunstâncias culturais e a decisão não depende de mim”, explicou.

O secretário de Turismo e Desenvolvimento Econômico do município, Fernando Bezerril, que desde a gestão anterior do prefeito Carlos Eduardo se envolveu na reconstrução do hotel dos Reis Magos, disse que há uma preocupação do grupo pernambucano de preparar um projeto inteligente para o futuro, na possibilidade de expansão, caso mude o gabarito da área.

Na época em que Percínio era diretor do grupo, o Reis Magos seria redesenhado para abrigar flats ampliados e reformados, passando por uma reestruturação para dobrar sua capacidade de ocupação para 239 apartamentos, 21 lojas, 217 garagens privativas, centro de convenções na varanda (quarto andar), fitness, restaurante e parque aquático.

Hoje pela manhã, quando percorria o que sobrou do Hotel dos Reis Magos, Arthur Percínio não parava de repetir: “Degradante, degradante”. Depois de concluída a visita, ele antecipou as primeiras medidas: vai solicitar uma nova perícia estrutural da prefeitura, enquanto encomendará uma nova perícia independente. “Cinco anos é muito tempo, acho até que precisamos fazer um seguro contra perigo de desabamento”, afirmou.

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