Iaponan Araujo

Quando Iaponan Araujo emudeceu, calado pela doença terrível, sua voz já não se ouvia nestas dunas há uns bons anos.…

Quando Iaponan Araujo emudeceu, calado pela doença terrível, sua voz já não se ouvia nestas dunas há uns bons anos. Foi muito cedo morar em Florianópolis, a Ilha do Desterro, como ele preferia chamar, negando o entusiasmo da alma ao marechal Floriano Peixoto. Tinha irmãos nas fraldas destes morros, mas aqui sua voz também chegava trazida pelas publicações que lançou quando dirigiu o Museu Arquivo da Poesia Manuscrita e reunindo em pequenos livros um mundo inteiro de textos talentosos.

Não sei dizer quantos títulos foram publicados ao todo. Se os dezoito que aqui estão são o muito ou o pouco de tudo quando saiu dos prelos. Mas o que há, nestas prateleiras, já demonstra a grandeza da ideia e a riqueza do que produziu. Vendo hoje os pequenos livros, tamanho de bolso e magras páginas, só então é possível avaliar o valor da pequena coleção de ensaios que conseguiu publicar ao lado de um conselho editorial que já naquele ano de 2002 contava com a presença de um Antônio Carlos Secchin.

A Coleção Mapa é uma publicação padrão. Vertical na forma, um pouco maior do que o cordel, todos com sobrecapa encartada às folhas de guarda do texto, com uma ilustração de capa que reproduz a figura de um entalhador de letras sobre uma prancha. Dentro da cercadura, além da ilustração, o título do ensaio, o nome do autor e, na linha inferior, a assinatura do Museu/Arquivo da Poesia Manuscrita. Na contracapa, a relação atualizada dos títulos publicados e endereço do museu para correspondência.

São ensaios e conferências que de outra forma talvez tivessem desaparecido: ‘Os Milagres da Palavra’, de Thiago de Melo; ‘O Sagrado e o Profano’, de Gerardo Mello Mourão; ‘Intenções do Ofício’, de Gilberto Mendonça Telles; ‘Chão de Palavras’, de Renata Pallotini; ‘Literatura Paranaense’, de Wilson Martins, ‘Cruz e Souza, a dor superada’, de Henriqueta Lisboa; ‘O Romance de um romance’, de Érico Veríssimo; e ‘Um mar à Margem, de Antônio Carlos Secchin, sobre o mar na poesia.

Cito alguns dos que sobrevivem aqui, mas vejo que foram lançados mais de trinta títulos a partir de 1998. Iaponan era um grande bibliófilo, principalmente da história literária de Santa Catarina, e um dos maiores conhecedores da poesia de Cruz e Souza. Colecionou raríssimos originais inéditos do poeta de Broquéis e Faróis. Escreveu vários ensaios sobre sua vida e sua obra, corrigiu informações que eram lidas como verdadeiras, organizou a poesia completa e viveu intensamente a força do seu simbolismo.

Depois de tantos anos vivendo na Ilha do Desterro, Iaponan nem assim era um desterrado. Sabia de tudo que acontecia aqui, nos jogos florais da literatura provinciana. E tínhamos, naqueles anos ainda jovens, o mesmo sonho de ter na estante a obra completa de Câmara Cascudo. Claro, nunca festejamos a vitória, afinal a floresta cascudiana é invencível. E Iaponan faleceu dia 19 de julho de 2012, aos 75 anos, depois de longa e grave enfermidade. Ocupava a cadeira 36 da Academia Catarinense de Letras.

ATENÇÃO – I

A governadora Rosalba Ciarlini mesmo que vença a luta jurídica não terá um caminho fácil para ter a maioria da convenção do seu DEM. A decisão, hoje, é negar a legenda. Garante uma fonte do partido.

LUTA – II

A fonte não afasta a dificuldade de uma maioria dos votos para vetá-la, mas há um trabalho silencioso para levar sua candidatura a cair antes, nas malhas da Justiça. E evitar influência para o segundo turno.

AINDA – III

A ideia dos que integram o chapão é fixar o confronto único Henrique-Robinson como forma de tentar a vitória no primeiro turno. Uma tarefa possível, mas que pode não ser tão fácil. A prática vai demonstrar.

ALIÁS – IV

Também não fácil acomodar as muitas legiões pemedebistas e wilmistas junto às bases regionais ainda que o chapão conte com a presença dos caciques. Há rejeições de lado a lado nas contendas municipais.

ALVO – I

A ex-governadora Wilma de Faria vai concentrar a luta no interior na maior parte dos dias da semana deixando para atuar em Natal nas grandes caminhadas com o eleitorado, principalmente na zona Norte.

TESTE – II

Ela sabe que desta vez a luta é para conquistar os votos petistas, alicerçados pelo bolsa-família com forte fixação no interior. O voto majoritário para o Senado será único e excludente: será dela ou de Fátima.

FORTE – III

Os petistas planejam uma campanha forte, um confronto da chapa limpa – Robinson e Fátima – contra a chapa suja: Henrique-João Maia-Wilma. Com direito a um suculento cardápio com todas as denúncias.

HERANÇA – I

O novo livro do professor Muirakitan Macedo – ‘Rústicos Cabedais – cotidiano e patrimônio Familiar nos sertões da pecuária’, deve ser lançado até final de maio com selo e bom gosto da editora Flor de Sal.

SERTÃO – II

A partir do pioneirismo de Hélio Galvão, Muirakitan realizou o mais vasto e erudito estudo sobre velhas heranças nos formais de partilha dos sertões do Seridó, batendo a poeira dos inventários do Século 18.

GRANA

O prefeito Carlos Eduardo Alves pode ter problemas no ritmo de liberação dos recursos federais e sem tê-los pode pagar o preço de um cenário de obras inacabadas durante a tal vitrine da Copa do Mundo.

MEMÓRIA

Wilson, o livreiro da Cooperativa Cultural da UFRN, numa manobra rápida e certeira, foi o primeiro a receber o livro de memórias de Almino Afonso sobre a derrubada de Jango e implantação da ditadura.

CULT

Antônio Negri, ‘o pensador da potência política’, é o entrevistado da matéria de capa da Cult de março. É o filósofo da multidão, aquele que pergunta ‘o que é, quem é a multidão?’. O dossiê tem 18 páginas.

IHG

O editor Abimael Silva inicia ainda em abril a publicação de uma série de números especiais da revista do Instituto Histórico e Geográfico. Um convênio que devolve aos leitores grande ensaios históricos.

RETRATO

De Otávio Frias Filho no ensaio que publica na revista Piauí sobre a força de Carlos Lacerda: ‘Era dos tais tribunos que fazem, mas não conduzem as revoluções, que derrubam governos e não governam’.

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