Ícone Fashion – Cardeal Dom Eugênio Sales
Oportunamente hoje, queremos relembrar a homenagem prestada ao Cardeal Dom Eugênio Sales, ícone da paz e fé cristã, que fez da sua vocação, uma fonte inesgotável de serviço pelo bem, promoção do homem e da edificação do Reino de Deus, e que se vivo estivesse, com sua saúde em plenitude, certamente estaria na relação como forte candidato, na sucessão do papa emérito Bento XVI.
Dom Eugênio Sales, nasceu em Acari- RN em 8 de novembro 1920, foi ordenado sacerdote no dia 21 de novembro de 1943, atuou na Arquidiocese de Natal como Bispo auxiliar em 15 de agosto de 1954 e em 29 de outubro de 1968 foi nomeado por João Paulo VI, Arcebispo de Salvador e primaz do Brasil. No ano seguinte, foi nomeado cardeal pelo papa Paulo VI e em 1971, Arcebispo do RJ, onde passou mais de 30 anos. Defendeu a Fé, buscando sempre as coisas do Alto, na fidelidade a Jesus Cristo. Exerceu as suas funções até 2001. Encantou-se aos 91 anos durante o sono, acometido de um infarto do miocárdio, deixando a Igreja Católica brasileira, órfã de um de seus maiores líderes.
MENSAGEM DE DOM HEITOR DE ARAÚJO SALES (para a Festa da Padroeira de Acari, Nossa Senhora da Guia).
“Quinze de Agosto foi sempre um dia de grande significado para mim. Quantas vezes estive em Acari nesta grande solenidade, uma das maiores festas religiosas do Estado! Dom Eugênio sempre lembrava este dia e mandava sua mensagem para a Paróquia do Acari. Foi este dia que ele escolheu para ser sagrado bispo, em 1954. Neste ano de 2012, sua mensagem não pode ser lida como nos anos anteriores… No entanto, ela é muito mais bela e rica de graças, pois ele, ao lado de Nossa Senhora da Guia, festejando sua presença em corpo e alma no céu, intercede por todos os acarienses, sempre tão devotos da Mãe de Deus, e por todos os que tomam parte em seus louvores. Essa criança que ao abrir os olhos para a vida terrena avistou as serras que circundam esta querida cidade, e que, na pia batismal desta imponente Matriz, passou a ser membro desta Igreja católica, esta Matriz poderá guardar a sua Mitra, como sinal da sucessão apostólica. Esta Igreja católica que ele tanto amou e serviu com incansável e total predileção. Ele foi e passou a ser reconhecido como uma de suas figuras mais importantes no século vinte, a ponto de o Santo Padre me ter confidenciado certa vez: “Ele é uma coluna da Igreja”. Foi isso que aquela criança chegou a ser e agora abre os olhos para as belezas infinitas e transcendentes da Pátria celeste.
Eu desejaria muito poder estar em Acari no dia da Padroeira Nossa senhora da Guia para celebrar com os Bispos, os padres, todo o povo santo de Deus a grande festa de Nossa Senhora da Guia quando o nome de Dom Eugenio é lembrado com tanto carinho. Mas sabia que era uma emoção grande demais para um irmão querido, aos 86 anos de idade, fragilizado por acontecimentos tão fortes nestas últimas semanas. Era também conselho medico.
Nossa Senhora da Guia e Dom Eugenio haverão de interceder junto ao Divino Filho de Maria para que o Pai eterno derrame suas mais fecundas bênçãos sobre esta Paróquia e esta querida Diocese de Caicó. Natal, 15 de agosto de 2012. +Heitor de Araújo Sales – Arcebispo Emérito de Natal.”
Depoimento de Monsenhor Pedro Ferreira (Padre Pedro)
“Dom Eugênio cardeal Sales – no prisma de uma fagulha de visão antropológico – religiosa.
Pessoa líder por temperamento, firme nas decisões pelo perfil biotopológico, prudente nos limites pela formação religiosa, de olhar definido por vislumbrar horizontes jamais mapeados, de atitudes “longo-alcance” por reportarem ao dom de Deus reafirmado na marca de um gesto plural sempre cravado na mira do acerto. E o que parecia ordinário, nele, já se fazia extraordinário. Suas obras que se constituiram história migraram para a dimensão transitória. O que seria transitório, sujeito à dispersividade do tempo, passa a preservar a permanência revestida de atualidade.
Seus projetos inolvidáveis tanto quanto oportunos e reveladores do sobrenatural refletam a missão de um homem que, só sendo de Deus, conseguiu pautar sua leitura sócio-religiosa na mensagem da Revelação compreendendo a ótica humana na perspectiva da redenção dessa vida de âmbito temporal para o alcance da vida em plenitude, do além-mundo. Então, surgiram as primorosas iniciativas com raízes no contexto humano das carências, por um lado, e, por outro, fincadas na convicção da fé como alavanca de superação. E o conjunto de suas estratégias, por força da competência e da abrangência envolvendo a tridimensionalidade dos aspectos social, antropológico e eclesiológico, denominou-se, com propriedade internacionalmente reconhecida, MOVIMENTO DE NATAL.
Os estragos materiais, espirituais e morais resultantes de uma situação da pós-guerra fragilizaram os alicerces construídos pelo histórico de uma sociedade que houvera sido mais saudável enquanto simples e pacata, quando celebrava mais auroras do que crepúsculos desde “o então” que carregara, no seu caminhar, a contínua alegria dos festejos do Natal, nome que é seu. O Movimento (dessa) Natal foi a página feliz onde se leu a resposta da boa nova aos apelos setoriais de educação, de amparo, de profissão, da religiosidade. Resgatou-se o brilho de uma paisagem traçada vocacionalmente pelo rastro de uma estrela misteriosa que clareou para os Reis Magos, como também para os Mártires de Cunhaú e Uruassú, ou ainda para o Padre João Maria, o roteiro de acesso ao Deus verdadeiro.
Da sua safra de criatividade brotaram a Emissora de Educação Rural, a Casa da Criança Padre João Maria, a Escola Ambulatório Matias Moreira, novos conceitos para o Movimento Sindical Rural, Reunião mensal do Clero, Campanha da Fraternidade, etc., etc. Seu nome, etimologicamente condizente com o porte exemplar do seu feitio pessoal, é também significativamente funcional pela eficácia “do como” realizou, em plena cocretude, suas obras.
Se Dom Eugênio era dádiva de Deus, suas realizações edificaram a pilastra que inspirou Roma a expressar coloquialmente um cognome que traduziu a investidura de dignidade maior para seu serviço sacerdotal:”Cardeal Eugênio Sales , uma das colunas de Igreja”!
Agora, preciso esclarecer por onde transitou meu conhecimento a seu respeito:
- No Seminário de São Pedro, fui seu aluno e seu dirigido espiritual.
- Minha ordenação presbiterial se deu através da imposição das suas mãos.
- Minhas funções sacerdotais ocorreram mediante suas designações.
- Minha admiração teve como fonte os círculos concêntricos da projeção dos seus carismas ímpares. Razão tenho de sobra para considerá-lo:
GÊNIO – Eu – Gênio, Cardeal Sales!!! ”
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Monsenhor Lucas Batista Neto – Pároco de Santo Afonso e Diretor Geral da Faculdade D. Heitor Sales.
“Dom Eugênio, antes de tudo um sertanejo do Seridó que muito nos honrou. Conheci-o quando vim estudar no Seminário São Pedro em 1962 e fui seu aluno de apologética. Como bispo auxiliar da Arquidiocese de Natal empreendeu várias atividades pastorais e sociais naquele desejo de atingir o homem todo e todos os homens.
O seu trabalho apostólico “Movimento de Natal” teve repercussão no exterior. Havia mês de recebermos mais de 90 estrangeiros visitando as obras e as iniciativas pastorais de nossa Arquidiocese. Eram muitas as experiências desde as Comunidades Eclesiais de Base até às Escolas Radiofônicas.
Podemos afirmar que ele inventou reunião, planejamento pastoral e plano de pastoral orgânica. Trouxe para Natal o 1º Encontro dos Bispos que fez nascer, com Dom Helder Câmara, o início das assembléias da CNBB. Naquela época, com a dificuldade de se comunicar, despertou entre os padres o encontro do clero da Arquidiocese que até hoje acontece nas terceiras quintas-feiras de cada mês. Através da Rádio Rural, instalada no seu pastoreio, fez chegar a tantos irmãos do mundo rural a Santa Missa que ele celebrava cada domingo às 19h00, na Catedral.
Quando ia celebrar a Santa Missa pela rádio rural na Catedral de N. S. da Apresentação, na hora exata, o motorista apanhava dois seminaristas escalados para acolitá-lo. Por várias vezes fui escolhido pelo nosso reitor do Seminário São Pedro, o Cônego Lucilo Alves Machado, para exercer esse ministério de acólito. Achava tudo muito solene e organizado e com muita precisão e disciplina. Nunca pude imaginar que um dia eu estaria como vigário da Catedral, naquele mesmo horário da missa de Dom Eugênio, celebrando para todos os fieis ouvintes do rádio cativo da Rural.
Impressionava-me sua piedade e cuidado pelas coisas sagradas. Suas homilias eram profundas e de conteúdo bíblico catequético. Admirava mais ainda porque era breve, preciso e conciso. Homem de decisão e poucas palavras, mantinha uma linha de posição coerente nos seus planos de pastoral e de ação social. Logo se projetou como um grande Pastor a exemplo de Moisés que conduziu o povo da Antiga Aliança à terra da promissão onde corre leite e mel. Foi um Profeta como Elias que desafiou o deus Baal desmascarando os falsos profetas idólatras e assim posicionou-se Dom Eugênio apontando o caminho da doutrina social da Igreja.
Governou suas Arquidioceses a exemplo do Rei Salomão que antes de assumir o poder do seu reinado orou a Deus dizendo: “Agora, pois, Javé meu Deus, constituíste rei o teu servo em lugar do meu pai Davi, mas eu não passo de um jovem, que não sabe comandar. Teu servo se encontra no meio do teu povo que escolhestes, povo tão numeroso que não se pode contar nem calcular. Dá a teu servo um coração cheio de julgamento para governar teu povo e para discernir entre o bem e o mal pois quem poderia governar teu povo, que é tão numeroso?”
Agradou ao Senhor este pedido e Deus lhe disse: “Dou-te um coração sábio e inteligente, como ninguém teve antes de ti e ninguém terá depois de ti” (1Rs. 3,7-10). Acrescento ainda mais: a exemplo de Pedro e Paulo, duas colunas da Igreja, que pregaram o Evangelho, um dirigindo-se aos judeus e o outro aos gentios, poder-se dizer o mesmo de Dom Eugênio que foi reconhecido como um Apostolo da Igreja cumprindo o mandato de Cristo: “Ide pelo mundo inteiro e pregai o Evangelho a toda criatura”. Certamente nestas palavras de Jesus ele se inspirou para criar o movimento de educação de Base e a Campanha da Fraternidade.
Por tudo isso que testemunhou e conforme o lema que escolheu: “Quanto a mim, de bom grado despenderei, e me despenderei todo inteiro, em vosso favor”, mereceu um grande elogio do Bem-aventurado João Paulo II, quando de sua mensagem pelo transcurso dos 80 anos, assim se expressou: “Comparo o Cardeal Eugênio Sales como um dos Santos Padres da Igreja”.
Entendemos que João Paulo II tinha uma predileção a Dom Eugênio pelo seu amor à Igreja, sua fé inabalável em Jesus Cristo e na doutrina dos apóstolos e sua fidelidade à pessoa do Papa.
À guisa de conclusão sirvo-me do pensamento do Santo Agostinho quando diz: “Que se há de temer neste cargo, a não ser que mais nos agrade aquilo que é arriscado para nossa honra do que aquilo que é frutuoso para a vossa salvação? Aterroriza-me o que sou para vós, consola-me o que sou convosco. Pois para vós sou bispo; convosco, sou cristão”.
Foi tão feliz em toda a sua vida, que lembrando o Patriarca Noé, quando de sua aliança com Deus após o dilúvio, recebeu em sua arca mortuária a Pomba da Paz, momentos antes de descer ao túmulo da Catedral de São Sebastião no Rio de Janeiro, querendo assim deixar a sua última mensagem à Igreja que ele tanto amou: “A esperança nunca morre”.
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Ir.Vilma Lúcia de Oliveira, FDC.
“D. Eugênio é uma profissão de fé na Igreja, um Homem extraordinário. A história vai comprovar isto e muito mais. Falava e agia com o vigor e a liberdade dos profetas bíblicos. Conjugava a lucidez do profeta com a ternura do místico na militância pastoral, na administração, na política, em comunhão de fé religiosa e de paixão humana pela Igreja, em profunda obediência ao Sucessor de Pedro.
Seus ensinamentos refletiam uma absoluta fidelidade ao Papa, aos compromissos, aos amigos, aos horários; desvelando, em tudo, a presença de Deus no cotidiano das humanas buscas. Viveu conforme o seu lema episcopal, Impendam et Superimpendar (2Cor 12, 15). No contexto paulino e sinteticamente quer dizer: de bom grado me gastarei e desgastar-me-ei, superlativamente, pelo meu rebanho, para agradar ao Pai, mesmo que seja incompreendido. Ele sacrificava a sua imagem pelo bem de suas ovelhas. Sabia ser ao mesmo tempo firme, enérgico, amável e caridoso. Muito bem identificado com o homem bom e reto do sertão nordestino. Este é o D. Eugênio que conheci e que muito ajudou a formar o meu coração de mulher consagrada. Vale a pena fazer memória deste extraordinário homem, pastor feliz, corajoso, disciplinado, extremamente prático e de uma profunda sensibilidade social.
Com a minha Congregação, Filhas do Amor Divino, especialmente com a minha Província Nossa Senhora das Neves, uno-me a todos os Bispos, Padres, Religiosos (as), Leigos (as), admiradores, amigos devotados e familiares para prestar o meu filial e afetuoso tributo, de grato reconhecimento a este tão humano quanto santo e inesquecível Pastor. Como diz o poeta, o que a memória ama, fica eterno.
Sou grata a Deus pelo privilégio de testemunhar, de perto, o como Dom Eugênio se consumiu por inteiro, alegremente fiel, dócil e intrepidamente todo doado. Que seu espírito de profecia, de pioneirismo pastoral se difunda, em todos nós, especialmente nas novas gerações. Que a chama divina, que ele nos legou, nos ilumine, nos aqueça e nos encante, sempre! E assim, vamos verificar o que está ainda e apenas nos arquivos, nos mais diversos suportes e inúmeros testemunhos, para sermos mais fiéis à sua história e melhor seguirmos suas pegadas, na Igreja e Reino adentro rumo à morada da Luz, o coração de Deus. Obrigada, sempre, D. Eugênio!”
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