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Ícone Fashion – Francisca Dias Leão

Data: 09 janeiro 2013 - Hora: 17:58 - Por: Erika Nesi

A homenageada hoje é FRANCISCA DIAS LEÃO – ícone da sabedoria, do temor a Deus, do entendimento, conselho, fortaleza, da ciência e piedade. Cativante e de uma simpatia incomum, D. Francisquinha Dias, espelho onde se refletia a imagem do Criador, continua com a sua cadeira cativa na Santa Terezinha, com o seu sorriso convincente ao nosso retorno permanente, para a prática dos dons do Espírito Santo.

“Francisca Dias Leão, Francisquinha, Neném ou Chiquinha, como sempre quis ser chamada, foi uma precursora de uma geração. Nasceu em Jucurutu em 17 de novembro de 1926. Era filha de Alcindo Dias de Oliveira e Adalgisa Dias Pereira e tinha como irmãos: Ada, Aída, Alba, Aury, Adalva – do “Paçoca de Pilão”), Lourdinha, Betinha, Enéas e Tita.

Quando veio estudar em Mossoró, batalhou para trazer os irmãos, resistindo ao pai que havia sido o primeiro prefeito de Jucurutu e que de lá, não queria sair. Passava o dia trabalhando na firma de Raimundo Juvino de Oliveira, à noite, estudando e fazendo “escrita contábil”, com os pés em uma bacia de água quente, para ficar acordada e poder sustentar os irmãos que a essa altura, também já começavam a trabalhar. Mesmo nestes tempos de luta, havia tempo para declamar, fazer discursos, dançar e ter amizades sólidas. Nós os irmãos, guardamos dela uma imagem de firmeza, perseverança e amizade.
Aury Dias – irmã

FÉ E RELIGIOSIDADE

“Casou em 1950 com Evilásio Leão de Moura, seu companheiro por 46 anos, e tiveram 5 (cinco) filhos – Enilce, Célio, Nilma, Clélia e Marcos.

Vislumbrando como única saída a educação para os filhos, fez a mudança para Natal. A casa de Natal, na rua Mossoró, era pequena para acomodar a família mas, sempre tinha lugar para quem viesse estudar com seus filhos. E sempre tinha até quatro pessoas a mais, para lanchar, estudar ou dormir. Como resultado dessa visão, todos os filhos se formaram inclusive Maria das Graças, filha de Guiomar, que morava conosco.

Ao se aposentar da Rede Ferroviária, não ficou parada. Para muitos seria a hora do repouso ou acomodação. Era o início de uma nova jornada talvez mais exemplar para todos nós, que a anterior. Começa a atuação, onde, em 15 anos de atividade pública, só angariou boas amizades e exemplo de honestidade, dignidade e solidariedade.

Atendendo ao convite de d. Teresa esposa do governador Tarcisio Maia, sua amiga, para ajudá-la nos trabalhos sociais, foi posteriormente para a Prefeitura – quatro anos e Governo do Estado, oito anos, como secretária particular de José Agripino, nos seus tres mandatos.

Neste período, todos nós sabemos como foi o seu exemplo de fidelidade e acima de tudo, dizia sempre “cargos são passageiros, devem ser vistos como uma oportunidade de ajudar aos outros especialmente aos mais necessitados”. Este é um dos grandes orgulhos de nossa família!

A partida de meu pai, por quem sempre foi apaixonada e amiga, balançou, doeu, mas trouxe mais uma lição de vida: temos que encontrar na fé e na religiosidade motivos para continuarmos vivos e lutando.

Foi então, que passou a dedicar mais horas do seu dia ao trabalho da igreja, à pastoral, à solidariedade do trabalho voluntário, na Santa Terezinha, na Arquidiocese de Natal e na Igreja de Santa Rita.

Aos 81anos, ainda tomava conta de tudo: da preparação do almoço dos padres nas quartas feiras, do encontro dos netos nas segundas, do Rotary nas segundas à noite, dos netos que estavam estudando ou trabalhando fora de Natal, ou seja, nada escapava a sua observação e boa memória.

Nunca ficava parada num canto sem fazer nada. Nestas horas fiquem certos, estava sempre rezando, ou contando de 100 a 0, para não perder a lucidez e ativar a memória, segundo ela mesma dizia.

Ninguém escapava a esse seu jeito de tomar conta, rezar e ajudar quando era necessário. Agradecermos a Deus por sua existencia. Saudades!
Enilce Dias Leão Barbalho – filha
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AMOR E LIDERANÇA

“Mamãe, defini-la necessitaria de muitos adjetivos. Contudo, escolherei dois: amor e liderança. Exercia a liderança com a essência da palavra amor. Por todas as funções que exerceu tinha dogmas de fazer o bem a todos, ajudar e resolver problemas dos que lhes socorresse. Inúmeros foram seus bilhetes que iniciavam sempre com a palavra amigo. Até hoje recebo votos de agradecimento por empregos, transferências, promoções por ela conseguidas.

Amava aos outros como sua fé cristã lhes ensinava. Sua doçura e afagos são inesquecíveis. Recordo como sempre viveu com austeridade nos gastos, consigo. Porém, para presentear a todos que a cercavam não havia limites. Havia sempre um presentinho que ela incansavelmente compilava para cada aniversário, batizado, formatura … e tantos outros.

Duas são suas lições que as guardo e reproduzo até hoje. Não perder tempo, pois, “eterna perda chora”. Amor ao trabalho: “primeiro a obrigação e depois a devoção”. Acordava cedo, trabalhava os três turnos e exercia suas funções de mãe, filha esposa, avó e amiga sem falhas.

Sempre cheirosa e elegante pedia a Nossa Senhora que não permitisse que ela desse trabalho na hora de sua partida. E sua oração foi acolhida. E hoje sinto-me abençoado por ter me despedido com um cheiro carinhoso que só eu poderia sentir.
Marcos Leão- filho

DOÇURA E FORTALEZA JUNTAS

“Sinônimo de fortaleza, retidão, era o suporte de todos nós, seus filhos, irmãos, netos. Decidida, resolvida, não deixava problemas sem solução. Enfrentava-os todos e, quando não tinha força suficiente, sabia arregimentá-las para alcançar o objetivo. Chamava todos de amigo e colecionou boas amizades. Passional, logo manifestava suas preferências, até entre os filhos, o que negava dizendo ser apenas zêlo pelo mais novo, filho temporão.

Cuidadosa com a aparência, nunca se apresentou desmazelada, mesmo na praia quando não estava penteada, usava um lencinho singelo no cabelo. Era de uma elegância simples, sem perda de tempo, mas mantinha sempre uma postura digna, desde as sessões de cinema no domingo à noite com papai, em Mossoró, até o vestir-se para uma cerimônia de casamento que não chegou a comparecer, pois escorregou na escada e veio a falecer em 8 de maio de 2007.

Adorava presentear. Desde março já começava a comprar os presentes de Natal, etiquetando-os todos. Trabalhou até os 75 anos no serviço público, e dedicada a Igreja de Santa Terezinha, passava as tardes e só retornava após a missa das 17:30hs. Aquela igreja é a cara dela.

Quando recebia o salário, pegava no banco R$ 200,00 trocado em notas de R$ 2,00 novas e mandava um pouco para cada neto pequeno e distribuía o restante em várias bolsas para a oferta da missa diária.

Pontual, atenciosa, gostava de ser a primeira a ligar nos aniversários, datas comemorativas e acontecimentos diversos. Todos nós sentimos falta de suas ligações. Seu foco sempre foi sua família. Seus filhos, seu tesouro. Por eles foi capaz de muitos sacrifícios. Era por isso exigente, disciplinada, forte, não admitindo fraquezas. Seus filhos e netos a tem como exemplo de força, coragem e amor.
Clélia Dias Leão – filha

BILHETINHOS CARINHOSOS

“Vovoquinha, não era somente uma avó amorosa, cuidadosa, dedicada… era muito mais que isso! Uma avó presente, que se preocupava em saber como cada um dos 13 netos estávamos, com quem namorávamos, quem eram nossos amigos, se estávamos “ganhando direitinho”, se estávamos satisfeitos com o trabalho, se estudávamos, quais os nossos sonhos, planos, preocupações e angústias…

Em sua casa sempre tinha comida e acolhida para quantos passassem; seja para almoçar, jantar, fazer um lanche, “fazer hora” e em todos esses momentos ela tinha uma palavra de orientação e um presentinho para dar, nem que fosse uma “besteirinha”, como ela dizia.

Nos últimos anos instituiu a segunda-feira como o dia do almoço dos netos – aí o cardápio era a nosso gosto. Ela sentava num banquinho e ficava a ouvir as histórias e perguntar de nossas vidas… Que satisfação!

Tem sido difícil não receber sua ligação diária para saber “- Está tudo bem?”… e quando íamos responder ela já tinha desligado, se queríamos contar algo era melhor passar por lá… Era seu jeito de mostrar que lembrava de nós em todos os momentos. Difícil não receber mais seus bilhetinhos carinhosos nos aniversários, nas datas especiais, nos momentos difíceis e de conquistas – ela vibrava com cada uma delas! Difícil o veraneio em nossa casa em Santa Rita, oportunidade em que ficávamos ainda mais próximos – e jogávamos mexe-mexe e muita conversa fora na rede…Difícil, muito difícil passar na Hermes e não olhar para aquela janela procurando-a!

Era uma avó moderna, até computador sabia usar, mas não abria mão de escrever os bilhetinhos de próprio punho!Saudades para sempre de seus netos: Mariana, Angelina, Adriana, Helena, Cíntia, Bebel, Enio, Breno, Tatiana, Bia, Tiago, Clarissa e Gustavo.
Angelina Dias L.Costa – neta

AMIGA DE TODAS AS HORAS

“Às vezes o telefone toca e meu primeiro pensamento é que deve ser Francisquinha ligando. Ou às vezes penso que faz tempo que não falo com ela e pego no telefone para ligar. Aí vem aquele aperto no coração, porque caio em mim que não existe mais a voz de Francisquinha do outro lado da linha. É assim a dor da falta que faz uma grande amiga. Meus filhos dizem sentir o mesmo aperto no coração, quando passam pela Hermes da Fonseca e olham a casa que era dela, e pensam que ela não está mais ali. Não está mais entre nós a amiga querida, a amiga de todas as horas, mas sobretudo das horas difíceis. Meu único consolo, ao me defrontar com a ausência cruel é mergulhar em lembranças, olhar fotografias, rememorar momentos felizes. Enquanto eu viver, viverá em mim, um pouco dessa pessoa generosa, inesquecível, que foi Francisquinha Dias Leão.
Teresa Maia –amiga

MULHER VIRTUOSA

“No epílogo da boa nova, o Apóstolo e Evangelista João, conclui o quarto evangelho dizendo: “Este é o discípulo que dá testemunho de todas essas coisas, e as escreveu. E sabemos que é digno de fé o seu testemunho. Jesus fez ainda muitas outras coisas. Se fossem escritas uma por uma, penso que nem o mundo inteiro, poderia conter os livros que se deveriam escrever”. Parodiando o Apóstolo eu afirmo: Muito já se disse e se escreveu sobre Francisquinha Dias, mas se fossemos publicar a sua biografia, nem a maior biblioteca do mundo poderia catalogar todos os seus livros.

Chamava-me a atenção sua simplicidade. Secretária por vários anos de prefeitura e governadoria e nunca subiu ao palanque para discursar. Jamais quis ser colunável. Preferia o anonimato. Mesmo assim, não se podia esconder esta lâmpada. Sempre estava a iluminar para que todos pudessem contemplar as suas boas obras. Feliz é a mulher silenciosa, nunca é comparada a mulher bem educada. No entanto, sua palavra era como a profecia de Isaias: “Tal como a chuva e a neve caem do céu e para lá não volvem sem ter regado a terra, sem a ter fecundado, e feito germinar as plantas, sem dar o grão a semear e o pão a comer, assim acontece à palavra da sua boca: não volta sem ter produzido seu efeito, sem ter executado sua vontade e comprido sua missão” (Is.55).

Assim como no início da criação do mundo, Deus disse: “Faça-se” e tudo acontecia e era muito bom, também na administração de Francisquinha, uma ordem sua era uma realização. E tudo era muito bem feito e com dedicação. Eita mulher forte, sábia e prudente! Esposa que estava sempre solícita ao seu marido e por isso lhe devotava tanta atenção e respeito numa convivência virtuosa e cristã. Sempre firme na sua fé e na sua caridade fraterna. Esteve sempre junta à nossa comunidade paroquial de Santa Teresinha da qual era devotíssima.

Durante muitos anos fez parte da equipe de apoio aos nossos trabalhos pastorais e sociais. Zangava-se comigo quando não a convidava para dar soluções a determinados empreendimentos paroquiais. Exerceu por vários anos, como voluntária, o cargo de Secretária Ad Hoc, prevendo e executando as ações de mais urgências e importantes de nossa querida paróquia do Tirol. Em casa, nunca se descuidava das suas obrigações de Mãe e Rainha do lar. Era sempre aquela que vestia o avental e enfrentava todas as imprevidências da vida doméstica.

Para ela eu dedico o elogio do livro dos provérbios: Uma mulher virtuosa, quem pode encontrá-la? Superior ao das pérolas é o seu valor. Confia nela o coração de seu marido, e jamais lhe faltará coisa alguma. Ela lhe proporciona o bem, nunca o mal, em todos os dias de sua vida. Ela procura lã e linho e trabalha com mão alegre. Alegra-se com o seu lucro e sua lâmpada na se apaga durante a noite. Estende os braços ao infeliz e abre a mão ao indigente. Abre a boca com sabedoria: amáveis instruções surgem de sua língua. Vigia o andamento de sua casa e não come o pão da ociosidade. Seus filhos se levantam para proclamá-la bem-aventurada e seu marido para elogiá-la. “Muitas mulheres demonstram vigor, mas tu excedes a todas”. A graça é falaz e a beleza é vã; a mulher inteligente é a que se deve louvar. Dai-lhe o fruto de suas mãos e que suas obras a louvem nas portas da cidade.”
Monsenhor Lucas Batista Neto

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