Ícone Fashion – Sylvio Piza Pedroza
O homenageado hoje é Sylvio Piza Pedroza ícone político e do esporte norte-Riograndense, era filho de Fernando Gomes Pedroza e Branca Fonseca Piza Pedroza. Contraiu núpcias com: Clotilde Maria d’Azevedo Pedroza, com a qual teve 04 filhos: Sérgio, Sylvio (falecido), Marília e Luiz Eduardo; com Elena, teve um filho Roberto e com a sua última esposa Nelma, um filho João Paulo, os quais geraram 10 netos e 8 bisnetos. Como político, segundo Dalton Melo de Andrade, ele inventou a verdadeira “democracia” no Rio Grande do Norte; como desportista, trouxe benefícios inegáveis em todas as modalidades da prática. Seu maior legado foi o paradigma de ética, simplicidade e generosidade.
POLÍTICO
“Sylvio Piza Pedroza, nasceu em Natal / RN em 12 de março de 1918 e faleceu no Rio de Janeiro em 19 de agosto de 1998, se vivo estivesse completaria 94 anos. Fez o curso secundário na Inglaterra e formou-se em direito no Rio de Janeiro. Foi prefeito de Natal com atuações importantes na orla marítima com a construção da Avenida do Contorno, a oficialização do bairro do Alecrim e integração do bairro das Rocas a cidade de Natal. Assumiu o governo do Estado após morte em acidente aéreo de seu antecessor Jerônimo Dix-Sept Rosado Maia em 12 de julho de 1951. Fez um governo de alto nível de estadista, sem discriminações, sem perseguições políticas, convivendo educada e democraticamente com os seus adversários. Ao concluir o seu governo foi nomeado pelo Presidente da República Juscelino Kubitschek para a diretoria do Banco do Nordeste, em Fortaleza/Ce. Foi chefe de gabinete do sob a presidência de Jessé Freire da Confederação Nacional do Comércio”.
Texto de Dr. Lauro Bezerra
—
RETIDÃO E CARÁTER
“Sylvio Pedroza foi um homem que se destacou, seja como político, executivo, esportista ou pai.
Seu jeito de ser afável e elegante se refletia nas relações familiares. Nunca levantou a mão ou alterou a voz, bastava um olhar. Foi a minha referência de retidão e caráter. Tenho a convicção de que Sylvio engrandeceu a política do Rio Grande do Norte, justamente por não ter seguido as atitudes e práticas tradicionais na sua época, preferindo deixar o Governo e a política em paz com a sua consciência.
Meu maior orgulho foi testemunhar as homenagens prestadas ao meu pai ainda em vida pelos seus conterrâneos.
Esse reconhecimento foi, para ele, muito importante”.
Luis Eduardo – filho
—
PIONEIRISMO
“Sylvio foi dos amigos mais chegados que tive, nos conhecemos na Praia de Areia Preta lá pelos idos de 1945 onde praticávamos peladas de futebol, eu com os meus colegas da FAB e o Sylvio com seus amigos que eram muitos, mas dentre eles figuravam Humberto Nesi, Alvamar Furtado, Marito Lira, Mozart Romano e outros que constituíam a fina flor da sociedade daquela adorável Natal. Dois anos depois do nosso primeiro encontro, tornei-me seu cunhado, anos depois, seu Chefe de Gabinete, ele Governador do Estado. Educado, finíssimo no trato, esportista. Campeão de tênis na juventude pelo Fluminense Futebol Clube do Rio, exímio cavaleiro fez parte do time sul americano campeão de Polo pelo Itanhangá Clube também do Rio. Transferindo-se para Natal sua terra de nascimento foi um dos fundadores do Centro Hípico de Natal e sempre com Humberto Nesi e com os irmãos Lamas deram um enorme impulso no tênis potiguar.
Amigo íntimo do Dr. Luiz da Câmara Cascudo que foi seu professor no Atheneu, a chamado de João Câmara, grande amigo do seu Pai, ingressou na política tendo sido Prefeito de Natal, Vereador e Vice Governador. Com a prematura morte de Dix-Sept Rosado assumiu o Governo. Teve oficiais de Gabinete que foram seus amigos até a sua morte como João Ururahy, Marcelo Fernandes e Terezinha Ururahy sua secretária particular. Fino no trato, sorriso calmo, dotado de paciência sem limites sabia ouvir queixas de correligionários e de adversários políticos com a mesma fleuma. Nunca se alterava. Como os principais personagens já morreram, posso citar nomes e lembrar o seguinte: na primeira vez que fui visitar o prefeito Sylvio Pedroza, eu já noivo da Elza, quando conversávamos, o Marcelo Fernandes nos interrompeu dizendo que o Dr. José Varela, então governador do estado, queria falar com Sylvio com urgência. Fui ao palácio acompanhando Sylvio, pois me dava muito bem com o Dr. José Varela, e o havia conduzido em aviões da FAB em três oportunidades. Lá chegando, Dr. José Varela disse ao Sylvio que iria tratar de assunto delicado, pois ele estava sendo pressionado por correligionários que desejavam a demissão do Dr. João Ferreira de Souza que era o secretário de finanças do município e militante da UDN. Com a calma que o caracterizava, Sylvio respondeu que, em primeiro lugar o Dr. João Ferreira era pessoa de sua absoluta confiança, segundo, era filho do Cel. Ezequiel Mergelino de Souza, que foi por muitos anos, o maior fornecedor de algodão para a Wharton Pedroza, firma da qual seu pai Fernando Pedroza, era fundador e diretor, além de amigos íntimos. Sylvio afirmou ao governador que não demitiria o Dr.João Ferreira, e que o governador poderia demitir o prefeito se assim o desejasse. Diante do que Sylvio falou, o Dr. José Varela, deu toda a razão a ele, e o Dr. João Ferreira permaneceu até o final do seu mandato a frente da prefeitura.
Sylvio é um esquecido pela fraca memória do nosso povo. Como prefeito, a atual Praia do Meio foi por ele aberta, antes da sua passagem pela Prefeitura não existia. Como governador, encontrou os prédios do Atheneu e do Quartel da Polícia ainda em alicerces e os terminou, sempre tendo ao seu lado outro esquecido: Joaquim Vitor de Holanda. Construiu o primeiro ginásio de esportes coberto do Estado hoje com seu nome. Com um grupo de amigos como Dr. Aldo Fernandes, Paulo Viveiros, Câmara Cascudo, Alvamar Furtado criou a Faculdade de Direito. Com Onofre Lopes e cumprindo promessa feita ao seu grande amigo Dr. Januário Cicco criou a Faculdade de Medicina e na pagina 91 do livro A memória viva de Onofre Lopes está a foto da instalação da Faculdade de Medicina. Hoje ambas federalizadas, orgulho do Rio Grande do Norte. Doou o terreno para a Academia Norte Rio-grandense de Letras. Fossem os dois vivos eu pediria ao Nesi ou ao Alvamar para dar este depoimento, eles que foram amigos irmão do Sylvio. Nos dois últimos anos como governador, com o auxilio de Estélio Ferreira, fundou o Parque de Exposições de Parnamirim, cuja área ainda hoje existente, foi doação da viúva Machado, ao governo do estado. No governo Aluizio Alves, foram construídos mais dois pavilhões, e com o falecimento do seu grande amigo, Aristófanes Fernandes, Aluizio deu o seu nome ao parque, ainda considerado um dos maiores do nordeste”
Graco Magalhães Alves – cunhado
—
INCENTIVO AO ESPORTE
“Por conta da grande amizade que existia com o meu pai Humberto Nesi, pude conviver de perto com a família do homenageado. Dr. Sylvio promoveu competições em Natal em nível local e interestadual de remo, natação, vela e caça submarina. Ajudou nos deslocamentos das nossas delegações para outras capitais. Foi um dos incentivadores para a criação e fundação da flotilha de snipes do iate clube de Natal. Nos esportes terrestres agiu da mesma forma com o tênis de mesa e de campo, voleibol, futebol, xadrez e basquetebol. Participou dos campeonatos de futebol mirim, realizados e promovidos pelo América Futebol Clube no qual mereceu destaque como bom jogador defendendo a equipe de cor branca. Foi um dos grandes tenistas do estado. Defendeu as cores azuis/rubras atuando nas quadras do América e do Aero. Jogando ao lado de Humberto Nesi, Alvamar Furtado, Ulisses Cavalcanti e da família Lamas, obteve brilhantes e memoráveis vitórias contra tenistas de outros estados. Ao retornar ao Rio de Janeiro continuou jogando tênis. Mercê das suas qualificações como homem público e atleta, em pouco tempo de atuação nas plagas cariocas, foi eleito presidente da Confederação Brasileira de Tênis contando com o apoio do brigadeiro Murilo Santos”.
Fernando Nesi – amigo
—
ADMINISTRADOR MODERNO E DEMOCRÁTICO
“Recebi com alegria a incumbência que me foi dada por Érika Nesi para escrever algumas linhas sobre Sylvio e nada melhor do que iniciar contando uma história que Vivi (Veríssimo de Mello, grande figura e meu tio) tornou conhecida. Um diálogo, entre o professor de História do Brasil, Câmara Cascudo, e o aluno, Sylvio, no exame oral:”Como o rei de Portugal teve notícias do descobrimento de Vera Cruz? Pedro Álvares Cabral passou um telegrama. O aluno foi aprovado”. Essa história revela de forma eloquente quem foi Sylvio Pedroza. Inteligente, ótimo humor, presença de espírito e irreverente. Gosto de dizer, e sem qualquer exagero, que foi ele quem inventou “democracia” no Rio Grande do Norte. Tanto na Prefeitura, ( 1946 a 1951), como deputado estadual, o mais votado naquele ano. Como Prefeito, fez uma administração moderna e democrática. Deixou como marco de sua administração a Avenida Circular, uma das obras que marcaram o destino de Natal como cidade turística. E, nessa ocasião, deixou também um testemunho de seu bom humor e de sua inteligência. Na Praça da Jangada, ali na Areia Preta. A jangada tinha um interruptor, para que os casais amorosos, em vez de quebrar a lâmpada, pudessem apagá-la. Desencavou dos arquivos da Prefeitura o esquecido Plano Palumbo e procurou continuar sua implementação. Esse espírito democrático, bom humor e inteligência, levou para o governo do Estado. Assumiu depois de uma tragédia, a morte de Dix-Sept Rosado, em 1951, e governou o Estado até o dia 31 de janeiro de 1956. Se poderia dizer, e eu digo, que sua administração “inventou” democracia no Rio Grande do Norte. Antes dele, nem se precisa comentar. Quem conhece a história política do nosso Estado sabe como os adversários políticos eram tratados. Depois dele, e muito em razão de seu exemplo, e dos novos tempos, o comportamento e tratamento dos adversários melhorou substancialmente.
A idade e a educação o ajudaram. Assumiu a Prefeitura com 28 anos; o Governo do Estado aos 33. Lembro-me, num dia quente de Natal, e não sei por que estava junto, desceu do carro oficial e, em vez de vestir o paletó, o pendurou no ombro e entrou no Palácio. Uma cena de simplicidade e descontração inesquecível. Um outra história que mostra seu comportamento. Tarde de sábado, no Iate Clube. Havia uma cerca de arame que nos separava da Rampa, então da FAB. Sempre houve uma dificuldade entre o Iate e a FAB, buscando esta receber de volta o terreno que ocupávamos. Chega um pelotão da Aeronáutica; o sargento procura Fernando, irmão de Sylvio e Capitão da Flotilha de Snipes (o Iate ainda não havia sido criado), para comunicar que iam tirar a cerca. Fernando vira-se para Sylvio, então governador, e pergunta: Vamos permitir? Claro, respondeu, vamos ter mais espaço e podemos usar a rampa para botar e tirar os barcos do rio.
Dizia Alvamar Furtado, que junto com Humberto Nesi e meu tio Protásio Mello eram seus grandes amigos, que a simpatia, o carisma, o espírito cordial irradiado por Sylvio era de tal ordem que, se você estivesse com raiva dele, o abraçava com entusiasmo se chegasse perto.
Mas, a minha aproximação maior com Sylvio se deveu ao esporte náutico. Ambos éramos apaixonados pelo mar e pela vela. Convivemos praticamente desde os anos 51/52 até a sua ida para Fortaleza, onde foi ser Presidente do Banco do Nordeste. E foi para lá em seu iate “Boa Sorte”. Quase todos os fins de semana, quando estava em Natal, ainda governador, ia para o clube. Muitas vezes ia com ele, num perúa (como se chamavam então as SUV de hoje), branca, De Sotto, que ele mesmo dirigia.
Tinha uma casa em Pirangi do Norte, onde meu pai também tinha. No veraneio, organizava times de futebol com a rapaziada da praia e fazia competições. Joguei com ele, e contra ele. Era um jogador como outro qualquer, dando e levando pancadas como um de nós. Foi grande jogador de tênis, tendo conquistado vários troféus. Lembro-me de vê-lo jogando no Aero Clube onde, na época, existiam as duas únicas quadras de tênis da cidade, ambas de saibro. Alvamar, com a sua verve usual, comentava, depois de visitá-lo no Rio, anos depois: Sylvio continua jogando tênis; sai da quadra de cadeira de rodas, mas não larga a raquete.
João Machado, de boa memória, comentava sobre Sylvio, numa crônica que escreveu, na “Tribuna do Norte” de 25/10/64:
“Se encontre com seu Sylvio em qualquer parte, claro, que avec Humberto Nesi dum lado – Alvamar parece que tomou chá de sumiço danado – e verifique com seus próprios olhos que a terra há de comer, se tribuna de João Machado tá mentindo nem exagerando nada, se não está ali vivinho da silva o mesmo tenista e fuleiríssimo jogador de futebol de salão que eram o prefeito de Natal e o governador do Rio Grande do Norte, nos idos de quarenta e muitos para cinqüenta e poucos. Pois é a esse homem do esporte que a Associação dos Cronistas Esportivos vai entregar hoje, em solenidade simples como os homens do esporte gostam, entrega a domicílio, Getúlio Vargas, 750, a mais alta comenda que o Rio Grande do Norte tem para dar, no setor, que é a Medalha do Mérito Esportivo. E já vai tarde, não resta a menor dúvida. Mas demonstração de reconhecimento e gratidão não cai em exercício findo. E tá escrito lá na bíblia, que é o buquê dos buquês, que os últimos serão sempre os primeiros, principalmente quando são gabaritados que nem Sylvio”.
Nessa mesma crônica, ele fala do abandono a que estava relegado o Ginásio Sylvio Pedroza, vítima do descaso habitual dos governos. Tive eu a satisfação, ao assumir a Secretária de Educação no Governo Cortez Pereira, de fazer uma reforma completa do ginásio, e convidei Sylvio para a reinauguração. Foi a forma que encontrei de homenagear um bom amigo, uma figura ímpar, e um dos grandes homens que o Estado não pode esquecer”.
Dalton Melo de Andrade – Professor universitário aposentado
Notícias Relacionadas

