A impunidade

Não precisa de genialidade – a não ser o saber de experiências feito, como disse Camões – para ter certeza…

Não precisa de genialidade – a não ser o saber de experiências feito, como disse Camões – para ter certeza de que a impunidade é o caminho da desorganização civil de uma sociedade. E um dado basta para atestar esta certeza: há duzentos homicídios até hoje não investigados. Significa dizer que há, teoricamente, duzentos assassinos sem que se saiba se são todos eles culpados ou se há inocentes até hoje presos à espera da decisão da Justiça. Estamos, definitivamente, em pleno caos.

O cidadão, que já não tinha mais a presença forte do aparelho policial nas ruas para dissuadir a prática do crime em qualquer nível de gravidade, agora também não tem a investigação imediata e rigorosa dos delitos praticados. Ou seja: estamos entregues à própria sorte. Submetidos à lei do mais forte ou do mais ousado, todos garantidos pela impunidade generalizada que desafia o princípio da autoridade, produzindo de forma perigosamente coletiva um grave estado de descrença e desânimo.

É tal a indiferença, que é como se os poderes Legislativo e Judiciário não fizessem parte do Estado e da responsabilidade diante dos cidadãos. Não é hora de maneirismos e meneios políticos ou politiqueiros; de jogos partidários ou de jogadas. Tudo está abaixo da urgência de uma sociedade órfã da capacidade de indignação de suas autoridades, todas garantidas em tudo – na imunidade para cumprir seu dever, na estabilidade funcional e até irredutibilidade dos salários. O que falta, então?

Já não basta ao Ministério Público ocupar o seu tempo útil com as fiscalizações necessárias, mas muito menos urgentes, quando já deveria, com sua inegável credibilidade, provocar a Justiça e mobilizar as forças da sociedade em busca da tomada de consciência e decisão? Ora, se soube ir às ruas ao lado das multidões para denunciar os limites que desejavam impor às suas ações, como não saber voltar às mesmas praças para elevar, e garantir, o ânimo de uma sociedade que sente medo?

São do Rio Grande do Norte, afinal, os jornais que a OAB costuma ter como leitura habitual para nada conseguir enxergar? E as suas emissoras de rádio preferidas, são de Marte? E as tevês, de Netuno? Como nada se ouve e nada se enxergam, numa instituição que é a fortaleza da cidadania? Ou a OAB, desgraçadamente, perdeu sua capacidade de indignação e de responsabilidade, diante de uma sociedade com duzentos homicídios sem investigação espalhando a impunidade nas suas ruas?

É de horror a cena pública do Rio Grande do Norte. Horror pelo governo sem prioridade que seu povo elegeu e foi traído em sua boa fé. Horror pela indiferença dos outros poderes, não pela voz pessoal deste ou daquele integrante, mas pela leniência institucional diante dos graves sintomas de desorganização civil. Horror pela indiferença de instituições como o Ministério Público e a OAB, a quem o horror, estranhamente, não causa mais horror. Como de vivêssemos no reinado da danação.

FAGULHA – I

A corrente de energia da declaração da governadora Wilma de Faria transferindo para abril sua data para formalizar apoio à candidatura Henrique acendeu a lanterna vermelha na casamata do PMDB.

ALERTA – II

Por uma razão: para continuar sendo uma ameaça contra a possível candidatura de Wilma de Faria ao governo o ministro Garibaldi Filho terá que desincompatibilizar até o dia 6 de abril, no máximo.

OU… – III

Então, a declaração da ex-governadora não passa de mais uma cortina de fumaça no jogo de pantim que vem caracterizando a formação do chapão do PMDB. Mas, o calendário gregoriano não engana.

ENQUANTO – IV

Isso, a coluna Painel, da Folha, informa o que está coluna tem repetido há algum tempo: Henrique comunicou a colegas da Câmara Federal que é mesmo candidato a governador. E é candidato, sim.

MAIS – V

A Folha informa ainda que, por enquanto, o presidente da Câmara Federal não diz de público para evitar problemas. Hoje precisa acertar alguns detalhes, como é normal, mas vai disputar o governo.

ATENÇÃO

Discreto e objetivo, o novo secretário de segurança, general Eliéser Girão Monteiro Filho, trabalha no sentido de botar a polícia na rua dentro de trinta dias, impondo a presença da segurança. Tomara.

ESTILO

O deputado Fábio Faria tem feito apelos emocionais em busca do apoio do prefeito Carlos Eduardo para seu pai, Robinson Faria. Mas o PSD está fechado com o PMDB e até já acertou seus detalhes.

LIXO

O prefeito Carlos Eduardo, com toda razão, não consegue entender a clara ausência de boa vontade do Tribunal de Contas, mesmo cumprindo todas as exigências. Em família há sempre dessas coisas.

ANOTEM

Eleito hoje, e diante de uma coletiva para anunciar seu secretariado, Henrique Alves surpreenderia anunciando a continuação na sua equipe da atual secretária da educação, Betânia Ramalho. Anotem.

RISCO – I

O prefeito Carlos Eduardo, na gestão anterior, bancou contra tudo e contra todos a permanência de Aparecida Fernandes na Secretaria de Saúde, colhendo desgastes dentro e fora de toda área médica.

AGORA – II

Parece caminhar para repetir o mesmo erro: quinze meses depois de sua posse a saúde municipal é o principal desgaste de sua gestão. O secretário Cipriano Maia não consegue até hoje dizer a que veio.

NOTA RESPOSTA

A coluna abre espaço para nota da assessoria de imprensa do Itep: “A informação publicada na edição de ontem (18) deste periódico, na coluna Cena Urbana, referente ao Instituto Técnico e Científico de Polícia (Itep) é inverídica. De acordo com os registros da Coordenadoria de Medicina Legal, o corpo do Sr Gianni Garbellini deu entrada neste instituto no último dia 6 de março e foi liberado por um dos filhos da vítima, cinco horas depois, para sepultamento no cemitério Morada da Paz.”

ITEP – I

Esta coluna não contesta o Itep, mesmo não sendo uma referência de respeito aos mortos. Apenas informa, ouvindo a família, que o corpo de Gianni Garbellini ainda não foi liberado para cremação.

ALIÁS – II

Quantas vezes, este e outros jornais, denunciaram pedaços de corpos humanos jogados no pátio do Itep ilustrando várias graves denúncias dos próprios técnicos abandonados pelo Governo do Estado?

TEMOR

Já tem gente dentro do governo temendo que a campanha de marketing não produza mais os efeitos desejados. Não falta tempo. É por ausência de pré-disposição e total indiferença na opinião pública.

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