Inauguração da Arena Corinthians encerra 104 anos de espera e promessas

Clube estreia contra o Figueirense, neste domingo, às 16h (de Brasília), a casa que promete ser a definitiva em uma história de estádios que começou no "campo do lenheiro", passou pelos próprios Ponte Grande e Parque São Jorge e terminou no municipal Pacaembu

Corinthians treina na véspera de estreia no estádio; sonho por estádio perseguiu gerações de corintianos. Foto: Divulgação
Corinthians treina na véspera de estreia no estádio; sonho por estádio perseguiu gerações de corintianos. Foto: Divulgação

A Arena Corinthians não está 100% pronta para este domingo, mas o jogo contra o Figueirense, pela quinta rodada do Campeonato Brasileiro, será mesmo assim um marco histórico para os torcedores alvinegros. Após 104 anos de existência do clube e seis décadas de promessas, eles verão com os próprios olhos um jogo de seu time naquela que promete ser a sua casa definitiva, na zona leste de São Paulo.

O Corinthians foi fundado em 1910, mas data de 1953 o primeiro registro da necessidade de superar os limites do Parque São Jorge. O terreno no Tatuapé havia sido adquirido em 1926, por 750 contos de réis, pelo presidente Ernesto Cassano, e foi decisivo no progresso preto e branco com a ampliação e reinauguração da Fazendinha dois anos mais tarde. Porém, já tinha ficado pequeno para o clube.

“Nosso campo, sejamos sinceros, não está à altura do Corinthians. É inadiável a construção de um estádio de verdade, do qual possamos nos orgulhar”, dizia o editorial publicado na Revista Corinthians, órgão oficial do clube. O texto falava em uma equipe de engenheiros destacada para trabalhar no “espetacular estádio”, em uma amostra do que viria nas décadas seguintes.

Presidente entre 1961 e 1971, Wadih Helu apresentou um dos vários projetos de arena. O esboço tinha até uma cobertura para o campo, algo então revolucionário. Depois, o dirigente mudou de ideia e falou em comprar o Pacaembu, plano que seria revisitado em várias oportunidades – até pela gestão de Andrés Sanchez, que acabou dando o passo final em Itaquera.

Na década de 1970, foi a vez de Vicente Matheus lançar novos planos de construção da casa própria. Seu devaneio inicial, um palco para mais de 100 mil pessoas no lugar da Fazendinha, acabou sendo trocado por outro ainda maior: uma arena de 200 mil espectadores, para a qual um enorme terreno foi cedido pela prefeitura em 1978. Até o presidente Ernesto Geisel esteve presente na cerimônia de entrega do terreno, mas o projeto ficou só na maquete.

Pouco depois, ressurgiu o plano de reforma da Fazendinha, que chegou a ser reinaugurada no início dos 1990, para um público inferior a 15 mil pessoas. Após a conquista do Campeonato Paulista de 1982, por exemplo, um comercial de TV tinha até Sócrates convidando o torcedor para o lançamento da pedra fundamental, “dia 25 de janeiro, às 10h”. Mais uma vez, nada saiu do papel.

Seguindo o ciclo, na extensa gestão Alberto Dualib (1993-2007), o Corinthians passou por três parcerias na gestão do clube e todas repetiram a promessa de um novo e grandioso estádio. Andrés Sanchez sucedeu Dualib e teve algumas frustrações até que, com habilidade política, conseguisse começar a construção no espaço obtido por Matheus. A partida deste domingo, contra o Figueirense, representará o fim de uma espera longa.

Primeira casa

O Corinthians equipe já nasceu inquilino em 1910, alugando por dois anos “o campo do lenheiro”, um terreno na Rua dos Imigrantes (atual José Paulino) pertencente a um vendedor de lenha. No ano seguinte, Neco e seus companheiros passaram a disputar a Liga Paulista de Futebol (LPF), com jogos frequentes no Parque Antártica – que viria a ser do seu principal rival.

Foi em 1918 que o Corinthians teve a sua primeira casa. O campo da Ponte Grande, onde hoje fica a Ponte das Bandeiras, foi erguido em mutirão pelos próprios jogadores, então (muito) amadores. Lá, eles conquistaram 70 vitórias em 92 jogos, entre eles o que lhes rendeu o título de 1923, e ficaram até 1928, quando a Fazendinha foi inaugurada como sua casa.

Decisiva para o crescimento do clube como um todo – foi ali que surgiram a âncora e os remos do símbolo, menção ao remo praticado no Rio Tietê -, a sede na zona leste não foi suficiente. A partir da abertura do Pacaembu, em 1940, o estádio municipal foi aos poucos adotado como casa – alugada – dos alvinegros, agora de mudança definitiva para Itaquera.

Fonte: Terra

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