Incerteza sobre remessa de milho inquieta produtores
O presidente da Federação da Agricultura do RN, José Álvares Vieira, disse neste sábado que existe uma grande incerteza sobre as quantidades de milho a serem destinadas ao estado dentro das 300 mil toneladas a serem liberadas aos estados necessitados dentro do plano emergencial de prorrogação do Governo Federal.
Oficialmente, esse prazo terminou no último dia 28, mas uma pressão dos produtores pela prorrogação já teria conseguido fazer a medida chegar à mesa do Ministro Guido Mantega, do Planejamento, para ser autorizada.
Segundo José Vieira, que acompanhou esta semana em Brasília todo esse processo de liberação desse milho, a única preocupação agora é saber a quantidade exata a ser destinada ao RN, uma informação que – segundo ele – nem a Conab ainda tem.
“O ideal seria o estado receber pelo menos 50 mil toneladas agora, já que armazéns da Conab em Umarizal, João Câmara, Lajes e Natal (a unidade próxima a Ceasa) já estão zerados”, informou.
Outra inquietação de Vieira é com a manutenção do milho subsidiado apenas para os produtores não “pronafianos”, ou seja, os cadastrados no Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar. Isso deixaria de fora os demais produtores, igualmente atingidos pela estiagem. “Levei essa questão da senadora Kátia Abreu, que a repassou imediatamente ao governo”, acrescentou.
“Era um grande receio nosso que isso viesse acontecer, já que houve algumas informações esta semana sugerindo essa possibilidade”, afirmou Vieira. “Pedimos então a intervenção da CNA para evitar que propriedades produtivas ficassem de fora da distribuição, o que seria um contra-senso”, acrescentou.
Vieira explicou que as 50 mil toneladas de milho para o RN seriam um fôlego adicional enquanto não se define uma cota oficial para março. “Pedi a Neri Geller (Secretário Nacional de Políticas Agrícolas) 150 mil toneladas de milho para o RN agora em março e ao presidente da Conab (Rubens Rodrigues dos Santos) pedi a montagem de um armazém de estoque regulador”.
O presidente da Faern aproveitou ainda a audiência com o presidente da Conab para debater a questão do armazém em Lajes, criado em abril e desativado recentemente pelo prefeito Benes Leocácio, que alegou falta de apoio para manter a estrutura destinada a armazenar e distribuir o milho subsidiado. O prefeito de Lages, que também é presidente da Federação dos Municípios do RN, anunciou o fechamento das instalações durante a primeira etapa da expedição “Retratos da Seca”. Segundo ele, manter a estrutura custava por mês R$ 3 mil ao município, que já despendeu R$ 40 mil em sua manutenção.
“Retratos da seca”
Deve acontecer nos próximos dias, em data a ser definida, a entrega oficial de um documento à governadora Rosalba Ciarlini sobre os resultados da Expedição “Retratos da Seca” que, durante três dias no último final de semana, percorreu 1.200 km das regiões Central e Oeste, até a divisa com a Paraíba, contendo um resumo da situação dos produtores rurais atingidos pela seca que já dura um ano.
Organizada pela Federação da Agricultura, a caravana levou no roteiro um grupo de 40 jornalistas cujo trabalho foi reunido num “clipping” entregue esta semana em Brasília pelo presidente da Faern, José Álvares Vieira, à senadora Kátia Abreu, presidente da Confederação Nacional da Agricultura. O passo seguinte e já previsto foi reunir as conclusões finais da expedição em um documento à parte cuja entrega a Rosalba será definida pelo cerimonial da Governadoria.
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