Indústria nacional de vinho comemora bons resultados de 2013

Vendas das vinícolas cresceram 10% impulsionadas pelo câmbio e diversificação dos negócios

Vendas das vinícolas brasileiras cresceram 10%. Foto: Getty Images
Vendas das vinícolas brasileiras cresceram 10%. Foto: Getty Images

No início de 2013, a indústria nacional de vinhos vivia um quadro desalentador — com alta carga tributária, de 57,86%, e a concorrência acirrada dos importados. Para diminuir as perdas, algumas vinícolas gaúchas entraram no ramo da importação, engarrafando parte de sua produção nos países vizinhos do Mercosul. Com a alta do dólar, a partir de meados do ano passado, e a diversificação de sua linha de produtos, a indústria nacional de vinhos retomou o rumo do crescimento.

De acordo com o Instituto Brasileiro do Vinho (Ibravin), as vendas de suco de uva — produto que vem substituindo gradativamente o vinho de mesa na linha de produção — aumentaram 40% em 2013. As vendas gerais do setor também subiram: 10% no ano passado, sobre 2012. E as expectativas para 2014 são bem positivas.

“Com o dólar cotado de R$ 2,40 a R$ 2,60, o produto nacional ganhou competitividade, favorecendo os negócios, tanto no mercado interno quanto no externo. As exportações de vinho registraram alta de 23% nas receitas e de 17,8% em volume no ano passado”, celebra Carlos Paviani, diretor-executivo da Ibravin.

De acordo com o executivo, as vendas de vinhos finos nacionais avançaram 7% em 2013, enquanto as de espumantes aumentaram 7,7%. No ano passado o setor faturou R$ 1,8 bilhão, contra R$ 1,2 bilhão em 2012. “O consumo de sucos está em franca expansão no país por causa do aumento do poder aquisitivo da população e da busca de um estilo de vida mais saudável. Os produtores nacionais de vinho têm substituído a produção de vinho de mesa, de baixo valor agregado, pela produção de suco de uva, embora o consumo de vinhos de mesa também tenha crescido 3,1% em 2013”, ressalta.

Paviani afirma que a comercialização dos espumantes nacionais registrou uma média anual de crescimento de 10% na última década, superando a questão da sazonalidade, já que a bebida era tradicionalmente mais consumida nas festividades de fim de ano. “O espumante é a cara do Brasil, pode ser bebido gelado e é de fácil consumo. Hoje em dia, ele faz parte do happy hour, da balada, das refeições, e não pode faltar nas ocasiões especiais. Isso sem mencionar que o consumidor brasileiro já percebeu que o produto nacional oferece uma boa relação custo-benefício”, diz, citando que uma boa garrafa de champanhe chega a custar R$ 200, enquanto o espumante nacional de qualidade tem preços de R$ 40 a R$ 80.

“Nosso maior desafio é superar o preconceito do consumidor em relação ao vinho fino brasileiro. A maior parte da população acredita que os importados são superiores ao nacional, apesar de empenharmos investimentos permanentes na qualidade do produto brasileiro. Mas essa percepção está mudando e é por isso que temos promovido ações no mercado varejista e pretendemos investir em marketing, para elevar a imagem do produto nacional”, afirma.

Atualmente, 80% dos vinhos finos comercializados no país são importados. Já os espumantes brasileiros dominam o mercado nacional, com 75% de participação. O consumo médio de vinho no país é de 2 litros per capita, enquanto a média mundial é de 4 litros. Para efeitos comparativos, no Uruguai e na Argentina o consumo médio é de 25 litros, no Chile, de 18 litros, e na França, de 60 litros.

Gilberto Petrucci, presidente do Sindicato da Indústria do Vinho do Rio Grande do Sul, conta que a indústria nacional vem retomando o crescimento após um período difícil. “Não é fácil superar a concorrência desleal dos vinhos do Mercosul que entram no Brasil pagando entre 20% e 25% de impostos (no Brasil, a carga é de 57,86%, segundo o Instituto Brasileiro de Planejamento e Tributação). Para atenuar as perdas, algumas vinícolas optaram por ter no seu portfólio vinhos dos países vizinhos com rótulos de suas marcas. Essa prática é polêmica e tem sido criticada por algumas empresas”, diz. Petrucci conta que os produtores de vinho do Rio Grande do Sul — responsável por 90% da produção nacional — pleiteiam isenção de ICMS no estado, a exemplo da Bahia e Pernambuco.

 

Fonte: IG

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