Indústria potiguar registra mais de 700 demissões apenas neste ano

Em igual período de 2013, de janeiro a julho, a FTI tinha homologado 457 demissões e ao longo de todo o ano passado foram 797

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O aumento das demissões no setor da Indústria tem afetado o desenvolvimento da atividade no Rio Grande do Norte. Segundo a Federação dos Trabalhadores na Indústria no Estado (FTI-RN), as demissões em massa vêm provocando até o fechamento das empresas. Segundo dados divulgados pela entidade, só neste ano, até o mês de julho, foram homologadas mais de 700 demissões.

Nesses sete primeiros meses do ano, 514 demissões foram registradas pela sede em Natal e mais 189 casos em Mossoró. De acordo com Joaquim Bezerra de Menezes, presidente da Federação dos Trabalhadores, esses dados são de apenas parte do setor da indústria que é representado pela Federação e não incluem áreas como a de construção civil e têxtil, que também têm registrado demissões.

Em igual período de 2013, de janeiro a julho, a FTI tinha homologado 457 demissões e ao longo de todo o ano passado foram 797 demissões registradas na Federação. Já em 2012 foram 761 casos e, no ano de 2011, 687 demissões. “Ou seja, nos últimos anos temos registrado aumento e, neste ano de 2014, em apenas sete meses, já estamos próximos ao total do ano passado”, destacou Joaquim Bezerra.

Segundo a Federação, uma das explicações para o aumento das demissões e do fechamento de indústria é o reflexo da falta de política de incentivo fiscal. “Se os gestores não pensarem uma política de incentivo fiscal que vise curto, médio e longo prazo, projetando o futuro da indústria no Estado, a situação tende a se agravar e as demissões e fechamento se tornarem cada vez mais constantes”, afirmou o presidente da FTI.

Na semana passada, a fábrica de calçados Alpargatas fechou mais uma unidade, desta vez, na cidade de Santo Antônio. O anúncio do fechamento pegou de surpresa os trabalhadores e o Sindicato dos Trabalhadores na Indústria dos Calçados no Rio Grande do Norte. Aproximadamente 200 pessoas foram dispensadas da empresa.

Marcones Marinho da Silva, secretário geral da FTI-RN e representante do Sindicato dos Trabalhadores na Indústria dos Calçados, ressalta que é essa não é a primeira vez que essa situação acontece. Em 2008, a Alpargatas fechou a unidade da cidade de São Paulo do Potengi e, em 2012, a de Natal, no bairro de Neópolis.

“Infelizmente, nós e os trabalhadores só sabemos do fechamento no dia em que a fábrica é fechada. Então, todos são pegos de surpresa. Além disso, é de extrema preocupação o que tem acontecido no Rio Grande do Norte”, afirmou. “Sabendo disso, o Sindicato tem tentado reunião com o secretário de Estado do Desenvolvimento Econômico, mas sem sucesso”, revelou.

De acordo com Marcones, os trabalhadores buscam entender como tem funcionado o relacionamento entre o Governo do Estado e as indústrias no Rio Grande do Norte. “Isso porque, ao contrário do que possa parecer, a Alpargatas, por exemplo, de acordo com a revista Exame, teve uma receita líquida de R$ 1,747 bilhão, de janeiro a julho deste ano, com elevação de 9,5%, o que vai na contramão do fechamento de uma unidade por suposta crise no setor”.

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