Ingestão diária de margarina pode reduzir o colesterol ruim, afirma cientista

Em visita ao Brasil para participar de Congresso de Cardiologia, pesquisadora chefe da Unilever defende consumo de margarina

Cientistas divergem sobre qual a melhor forma de ter uma alimentação saudável. Foto:Divulgação
Cientistas divergem sobre qual a melhor forma de ter uma alimentação saudável. Foto:Divulgação

O duelo histórico entre manteiga e margarina será um dos temas do Congresso da Sociedade de Cardiologia do Estado de São Paulo (SOCESP), neste domingo (23). A renomada pesquisadora da área da saúde cardiovascular, Elke Trautwein, vai falar sobre como a ingestão diária de dois gramas de fitoesterois, encontrados na margarina, podem reduzir o colesterol ruim.

“Existem vários novos estudos de meta-análises que têm mostrando claramente que a ingestão diária de 2 g de fitoesterois reduz em média 10% do LDL. O efeito é independente da dieta de pano de fundo e é aditivo a uma dieta saudável e ao uso de medicamento como as estatinas”, disse ao iG Elke, que também é pesquisadora Chefe da área de saúde cardiovascular da Unilever em Vlaardigen, na Holanda, a maior produto de margarina.

Ela afirma que também há provas de que fitoesterois atuam na redução modesta dos triglicérides. “Uma boa notícia principalmente para pessoas com diabetes tipo 2, ou o chamado síndrome metabólica”, disse.

Recentemente duas publicações bateram feio nas convicções sobre os benefícios da margarina. O editorial do periódico científico Open Heart, do considerado British Medical Journal, afirmou que a dieta pregada pela Associação Americana de Cardiologia, pobre em gordura saturada (gordura presente principalmente em produtos de origem animal), não diminui os riscos de doenças cardíacas, nem ajuda a obter uma vida mais longeva.

Na semana passada, um estudo publicado na Annal of Internal Medicine colocou mais uma vez em cheque um dos pilares usados até hoje para a prevenção de doenças cardiovasculares. Rajiv Chowdhury, da Universidade de Cambridge, na Inglaterra afirmou que gordura insaturada, a encontrada em vegetais, pode não ser tão boa quanto se diz. O estudo ainda questiona se a gordura saturada, encontrada em animais, leva mesmo a doenças cardíacas.

Chowdhury disse em comunicado que os resultados do estudo potencialmente estimulam novas linhas de investigação científica. “Os resultados incentivam a cuidadosa reavaliação dos nossas atuais orientações nutricionais”, disse.

Elke condena as duas pesquisas. “Seria uma pena se estas conclusões que não estão em consonância com as provas globais se tornem uma espécie de “luz verde” para comer mais alimentos ricos em gordura saturada, em vez de adotar hábitos mais saudáveis da dieta”, disse.

Para ela os estudos são infelizes e não apresentam dados novos. “Além disso, existem agora também sérias dúvidas sobre esta meta-análise de Chowdhury. Ela contém vários erros e omissões, e as conclusões são seriamente enganosas”.

Levando em conta que as doenças cardiovasculares correspondem a principal causa de morte no mundo, seria muito bom que cientistas entrassem em acordo sobre a melhor dieta para o coração.

Fonte:IG

Compartilhar:
    Publicidade