Instituto Histórico e Geográfico do RN investe em melhorias

Com 122 anos de existência, órgão passa por nova reforma física

Reforma-do-Instituto-Historico-JA

Roberto Campello

Roberto_campello1@yahoo.com.br

O Instituto Histórico e Geográfico do Rio Grande do Norte (IHGRN) completou recentemente 122 anos de existência, preservando, apesar das dificuldades, as raízes do povo potiguar. A maior fonte de pesquisa sobre a história do RN guarda mais de três séculos de memória. O prédio, construído em 1906, localizado no coração da cidade, é uma viagem ao passado. São cerca de cinquenta mil obras, entre livros e periódicos antigos, alguns deles datados do século XVIII, que compõem o acervo do Instituto.

O presidente do Instituto, Valério Mesquita, juntamente com Ormuz Barbalho (vice-presidente), Carlos Gomes (Secretário Geral), Odúlio Botelho (Secretário Adjunto), recebeu a reportagem d’O Jornal de Hoje e falou sobre as dificuldades do Instituto e dos desafios para os próximos meses.

Recentemente, o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN) embargou a obra que está sendo realizada na estrutura física do Instituto Histórico, por divergir em alguns detalhes em relação à remoção do piso. O IHGRN fez a defesa que foi acatada pelo IPHAN e o embargo foi suspenso.

Reforma-do-Instituto-Historico-JA-(19)

Agora, no mês de maio, o Instituto dará início ao processo de licitação para concluir a obra de restauração da estrutura física do prédio, que é tombado pelo Patrimônio Histórico, bem como a restauração do piso. “Queremos que volte a beleza da arquitetura neoclássica do prédio, que está situado no meio do corredor cultural e histórico da cidade”, afirmou o presidente Valério Mesquita. A previsão é que depois de iniciada, dentro de 120 dias a obra seja concluída. Além disso, será necessário fazer a aquisição de equipamentos de informática, climatização do prédio e segurança, bem como a revisão da rede elétrica do prédio.

Paralelo ao trabalho de restauração da estrutura física do prédio do Instituto Histórico e Geográfico será iniciado o trabalho de digitalização e catalogação do acervo histórico, que será efetuado através de convênio com a Universidade Federal do Rio Grande do Norte, que cederá professores e estagiários para realizar o trabalho, juntamente com o Instituto.

“Esse acervo conta quase três séculos de documentos históricos e são mais de cinquenta mil títulos que temos que preservar e tudo isso vai ocorrer concomitante com a restauração do prédio. Esses são os dois grandes desafios a que nos propomos nesse momento a fazer. Já estamos com os recursos assegurados, provenientes de emendas parlamentares da Assembléia Legislativa, do Senado e da Câmara Federal”, afirmou o presidente Valério Mesquita. Os recursos somam aproximadamente R$ 1 milhão.

O desafio do Instituto é proporcionar maior conforto e fazer com que chegue de forma mais ampliada os serviços à rede estadual de ensino, bem como aos universitários. “Queremos que eles venham pesquisar de forma digital, segura e confortável”, ressaltou o presidente Valério Mesquita.

“O Instituto é uma sociedade civil, benemérita. Todo o seu patrimônio é da sociedade. Por isso que clamamos que a sociedade também participe e apóie as ações da sociedade. Há várias organizações que tem nos ajudado, como a Fecomércio, Fiern, Sebrae, Construtora A. Gaspar e S. Dantas, Cosern, Caern, Armazém Pará, a Prefeitura de Natal, além de pessoas físicas que tem nos ajudado constantemente. Esse é o elenco que o Instituto tem contato para poder fazer as suas atividades”, afirmou o presidente do Instituto.

Uma pesquisa realizada por estudantes universitários mostrou que 70% da população desconhece a existência do Instituto. O objetivo da diretoria é, após a reforma, investir na divulgação para atrair a população, principalmente a estudantil, para dentro do Instituto. “Com a reforma, daremos mais confortabilidade aos usuários e partiremos para uma divulgação mais agressiva. Hoje não estamos em condições de receber. A situação que o Instituto estava foi um agravante para afastar os pesquisadores do prédio. Queremos dar mais condições de pesquisa e a digitalização e catalogação é muito importante”, afirmou.

Segundo o presidente do Instituto, Valério Mesquita, o acervo é singular. Como é o caso do livro de Barleus, no qual Gaspar Van Barle descreve os oito anos do governo holandês de Maurício de Nassau, de 1647, que só existe em apenas dois institutos no Brasil, bíblias antigas, bibliotecas, objetos de museus, manuscritos e registros eclesiásticos, fotografias de personagens da história política, social, cultural, jurídica e religiosa de cem a trezentos anos passados desde os períodos: colonial, imperial e republicano.

A diretoria também pretende reservar um espaço dentro do prédio do Instituto para um museu, pois hoje há muitas peças de museu em meio aos documentos históricos, como peças do Padre João Maria, móveis antigos de figuras importantes da história do Rio Grande do Norte, como Henrique Castriciano. “Queremos ordenar isso, de modo que possamos também preservar essa parte importante da nossa história”, ressaltou.

Compartilhar:
    Publicidade