A INUCENÇA DO MATUTÍIN NÔVO… – Bob Motta

A Natal pequenina de outrora, tinha suas dificuldades; é verdade; mas tinha um encanto e uma magia que sempre enterneceu…

A Natal pequenina de outrora, tinha suas dificuldades; é verdade; mas tinha um encanto e uma magia que sempre enterneceu nossos corações. Quem não se deleitava, por exemplo; na década de sessenta com as reuniões da rapaziada no Dia e Noite, onde a gente só faltava matar o pobre do “Gasolina” do coração, lá no Grande Ponto; e também alí, andando mais um pouco, com as pizzas , uma novidade na época; da lanchonete KIXOU, do pai do meu querido amigo Marcos Maia ? E o Ponto Frio, em frente ao cinema Rex, onde nas sexta feiras à noite a gente encontrava, Roberval Pinheiro, Dr. João Machado, Hélio Câmara, meu querido Rubão Lemos, Gutemberg Marinho e tantos outros amigos da crônica esportiva natalense ? A gente convivia com nossos ídolos e aquilo era uma felicidade inigualável para os jovens que nem eu, aos 13, 14 anos de idade, ter a oportunidade de conversar e aprender com eles… Isso tudo, é para refrescar a memória de vocês, queridos leitores; e entrá qui nem faca in melancia no texto de hoje.

Pronto! Agora nóis vai “direto, qui nem cantiga de grilo e recramação de sogra”; ao causo de hoje, que não tem autor definido, pois é de domínio público; e me foi contado em 1962, na concentração do Alecrim F.C, pelo meu querido amigo, Francisco Galdino Rosa. Eu falando assim, pouca gente sabe de quem se trata. Mas os da minha faixa etária, certamente haverão de lembrar, quando eu lhe refrescar a memória. Alô, Rubinho Lemos; a equipe do Alecrim F.C, Campeão de Futebol do Rio Grande do Norte, em 1962; que sob o comando, ora do saudoso Geléia; ora de Pedinho Quarenta, tinha a seguinte formação: Manoelzinho, Miltinho. Orlando, Berilo e Miro. Ilo e Caranguejo. Zezé, Paulo Geladeira, Galdino e Furiba. Pois foi Galdino, naquela época, durante uma concentração, que me contou essa munganga que estou lhes repassando em 01 de junho de 2013; e reprisado hoje; visto que a danada da sodade bateu na porta do meu véio coração safenado, cum uma insistênça munto grande. Um vaqueiro, depois de um dia inteiro de estafante trabalho, chegou em casa, no pé de uma serra, amarrou seu cavalo, desarriou-o, deu banho, colocou ração no côxo e deixou seu companheiro de lida, refazendo suas energias. Entrou em casa, onde sua cabôca esperava com seu filho de 4 a 5 anos, despiu-se de suas vestes de vaqueiro e foi tomar seu banho. No mato daquela época longínqua, não se tinha nem notícia da existência de banheira e/ou chuveiro; muito menos caixa d’água que servisse de banheira. Os banhos eram tomados ou numa tina, feita da metade de um barril de madeira; ou banho de cuia, com água tirada de um recipiente qualquer… E nosso personagem, tinha uma tina, onde fazia seu asseio. Depois de se despir, entrou na tina e começou a tomar seu banho com água esquentada por sua amada, no seu véio fugão à lenha. Seu filho, muito pegado com o pai, quis tomar banho também, e entrou na tina, onde ficou espremido junto ao vaquêro. E como todo menino que se preza é levado fora da conta; inventou de pegar na “chibata do pai”; que alarmou:

– Ôxente, meu fíi; qui arrumação é essa ? Sorte essa infeliiiiiz e tome seu bãe derêito, cabra!

E o menino, chorando:

– Eu quero brincá cum o seu pirú, papai…

– Num vai brincá cum pirú, porra ninhuma! Isso aqui num é brinquedo não; é uma “ferramenta de trabáio” e munto importante, p’rú siná…

A mãe, ouvindo a zoada, quis saber o que estava havendo e contemporizou:

– Deixe, hôme; o bichíin é um inucente; num tem maliça não! Pode brincá, meu fíi; cum o pirú de seu pai. Num faiz má, não!

O menino continuou com a sua “brincadeira” e a mãe foi lá prá dentro, com seus afazeres. De repente, se ouviu na casinha de taipa, o grito prá lá de estridente:

– Uaaaaaaiiiiiiii! Menino, cachorro da mulexta; tá ficando dooooido; isso é coisa qui se faaaça ?! ?

Quando a mãe chegou prá ver o que tinha acontecido, tava o marido encolhido, se contorcendo em dores e o menino num choro desconsolado. A mãe, aflita, perguntou:

– O qui danado foi isso, minha gente ?

E o menino; entre um soluço e outro, explicou:

– Foi nada demais não, mãe; foi o pirú de pai qui cuspiu na minha cara e aí; eu dei-lhe um chute no paaaaapo!…

Compartilhar:
    Publicidade