IRMÃO ANÍBAL…

Êita, Doriélio; qui sodade da bixiga taboca! Hoje ela deu in n’eu, cumo quem dá na mulexta duis cachorro!… E…

Êita, Doriélio; qui sodade da bixiga taboca! Hoje ela deu in n’eu, cumo quem dá na mulexta duis cachorro!… E eu tenho, meu fíi, purobrigação de cunsciênça, repetir esse causo contado no dia premêro de dezembro de 2012… Na vida da gente, existem e/ou existiram figuras; digo, pessoas; que só fazem ou simplesmente fizeram passar… Isso, por diversos motivos; de falta de afinidade à falta de sintonia espiritual; o que é mais provável, devido a “n” fatores de vidas passadas; dizem os sábios. Eu, particularmente, acho que esses sábios estão prá lá de cobertos de razão. Mas, também existem e/ou existiram pessoas que durante a sua convivência terrestre, deixaram marcas na gente, como ferro de marcar gado; marcas profundas de ensinamentos, carinho, respeito, amor à profissão que se propuseram seguir, enfim; vestiram a camisa na caminhada que escolheram para si. Conheci muitas pessoas dessa estirpe; mas entre essas pessoas, havia uma pessoa especial; que foi o Irmão Aníbal, titular da nossa classe, no Colégio Marista de Natal. Era brabo e calmo ao mesmo tempo… Dava um carão com a maior classe do mundo; mas ai de quem fizesse pelo menos um “ar de riso”; esse ai, meu fíi; tava fu… E eu; coitado de mim. Além de não conseguir ficar sério, dava uma risada “de estralo”, qui nem ais “gaitada” de Ivan Arroz Doce; que tinha um time chamado Acostume-se à Derrota, pois só perdia… E ele, me dava castigo por isso, invariavelmente. E benditos sejam seus castigos que recebi na minha época de estudante, pois graças a eles, peguei o gosto pelo dom da poesia, com o qual Papai do Céu me agraciou. Por exemplo, graças a um dos seus castigos, decorei uma obra prima do poeta Olavo Bilac, Pássaro Cativo… Sempre que eu chegava atrasado em sala de aula; e isso acontecia sempre mais de uma vez durante a semana, ele dizia, sem eu ter feito absolutamente nada:

– Meus senhores; o ambiente “está infecto”; o Motta acaba de chegar! Motta, retire-se de minha classe…

E eu saía lá prá debaixo das mangueiras, sob as risadas da rapaziada que ficava na sala de aula. Mas era uma figura que me queria bem, apesar das minhas fuleragens. Esse bem querer dele, se estendia a mim, Carlos Morais, os gêmeos Manoel Lúcio Filho e Francisco Marques Neto, Ernesto Emílio, hoje Monsenhor Matias, num Mosteiro do Rio de Janeiro, e mais umas duas ou tres peças raras que compunham essa patota. Quando a gente “azedava demais”, o irmão Aníbal dizia pausadamente:

– Vejam, meus senhores; são sem os mesmos; sempre os mesmos, que atrapalham nossas aulas. Me respondam uma coisa: Quando os pais de vocês vieram lhes matricular aqui, havia uma placa no muro do colégio, com os dizeres, “REFORMATÓÓÓÓÓRIO SAAAANNNNTO ANTOOOOONIO ?

Ninguém se agüentava sério… Certa feita, ele estava dando aula de História Geral, e enfatizava a crueldade do guerreiro Gengis Khan:

– Meus senhores, vejam a que ponto chegou a crueldade desse homem; a crueldade de Gengis Khan era tão grande, que afogou a própria sogra, num tanque de “goma arábica”…

A risadagem foi estrondosa e o irmão Aníbal se “ispoletô”:

– Eu posso saber por que todos os senhores estão rindo ?

Aí, eu inventei de dar minha nota:

– Pode, irmão; é porque a véia, depois desse banho, tapou foi tudo; nem come, nem caga, nem mija, nem peida…

E lá se foi eu mais uma vez, parar nos pés do saudoso irmão André Parisotto, na Diretoria…

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