Irmão de Romário reclama de ‘esquemas’ no futebol e sufoco na 3ª divisão

"Tenho experiência, fui auxiliar do Bebeto na base do America-RJ, fiz trabalhos bons no Olaria, mas não querem um profissional sério. É complicado."

Ronaldo, irmão do baixinho, reclama do mundo escuro do futebol. Foto:Divulgação
Ronaldo, irmão do baixinho, reclama do mundo escuro do futebol. Foto:Divulgação

A tranquilidade em dizer o que vem a cabeça sem se importar em incomodar parece herança de família. Mas, além do modo direto e sem meias palavras, a altura, o jeito de andar e o sorriso entregam que Ronaldo Faria é irmão do deputado federal Romário. E é o laço familiar que divide Ronaldo entre o mundo do futebol, onde tenta sucesso na carreira de treinador, e a política, auxiliando o ex-atacante da seleção brasileira, dois anos mais velho.

Ronaldo, que também foi jogador profissional, mas encerrou a carreira precocemente por seguidas contusões no joelho, trabalhou pela última vez no Búzios. Após o fim da participação da equipe na 3ª divisão do Carioca, em julho deste ano, deixou o cargo e agora aguarda outras propostas. Mas também dispara contra o que considera ser um ‘esquema de empresários’, admitindo certa desilusão com a profissão.

“Tenho experiência, fui auxiliar do Bebeto na base do America-RJ, fiz trabalhos bons no Olaria, mas não querem um profissional sério. É complicado. Nos times menores, atualmente tem muito esquema com empresário. Se não estiver dentro, fica difícil arrumar espaço. Se tiver alguma proposta, vamos estudar. Mas não gosto como as coisas funcionam hoje em dia”, disse Ronaldo, sem especificar em detalhes o arranjo.

E enquanto muitos técnicos pregam pela rigidez e cobram total dedicação dos jogadores na parte física, Ronaldo vai por outro caminho. Diz que adota a ‘filosofia do Romário’ e usa o exemplo do irmão, que no final da carreira pouco corria, para argumentar que qualidade técnica e inteligência ficaram esquecidas no futebol atual.

“A garotada acha que só tem que correr. A filosofia do meu irmão é que era a certa. Tem jogador que é atleta, fica fazendo musculação, parece que vai para a Olimpíada. Mas muitos não sabem pensar, chutar, passar. No Búzios, o time corria muito, mas chegávamos na frente do gol e não tinha um ‘Romário’ para empurrar a bola para dentro”.

Entre os trabalhos na base do America-RJ, em 2010, e o recomeço no Búzios, Ronaldo ficou afastado do futebol. Ajudou Romário na campanha que o elegeu para uma vaga na Câmara e trabalhou como uma espécie de assessor. A atuação do deputado federal é elogiada pelo caçula, que aposta no ‘baixinho’ para a eleição de prefeito do Rio de Janeiro em 2016.

“Ele está muito bem, cumprindo o que prometeu, fazendo um trabalho muito legal em defesa dos portadores de necessidades especiais e do esporte brasileiro. Também é uma área que eu gosto de trabalhar, mas apenas colaborando, por enquanto não penso em concorrer a nada. Espero que ele possa chegar forte disputar a prefeitura”.

Semelhança atrapalha
Irmão de peixe, mas sem facilidade. Ronaldo, que teve chances no America-RJ no período em que Romário era coordenador de futebol do clube, diz que o parentesco atrapalha mais do que ajuda. Ele argumenta que o jeito de ‘falar o que pensa’ do deputado assusta alguns dirigentes e que muitos no meio do futebol se assustaram com as criticas do ‘baixinho’ à CBF.

“Atrapalha um pouco essa nossa semelhança porque os dirigentes gostam de comandar tudo e pensam ‘ele vai querer mandar, lá vem esse cara marrento’. E o Romário está tentando moralizar, ataca a CBF. Não quero mandar, quero apenas ajudar. Não suporto empresário falando para colocar esse ou aquele jogador. Essa ingerência é complicada, tem que ser cada um fazendo sua parte”, disse Ronaldo.

Sufoco na 3ª divisão
O trabalho no Búzios, que contou com o goleiro Silvio Luiz como preparador de goleiros da equipe, acabou mais cedo que o esperado. A equipe foi eliminada ainda na primeira fase da competição. Ronaldo elogia a experiência no clube, mas critica as condições de disputa da 3ª divisão do Campeonato Carioca.

“É difícil, tem muito W.O., jogador que está irregular e não pode atuar, falta de ambulância, polícia. Para que tem polícia, se nem torcida tem? A maioria dos jogos são com portões fechados. No nosso jogo na última rodada, a ambulância chegou após 20 minutos, quase não aconteceu a partida. Ai fica complicado”, disse Ronaldo.

No comando do Búzios, Ronaldo obteve cinco vitórias, três empates e duas derrotas, com aproveitamento de 60%. A vaga ficou distante por dois pontos. Em outras chaves, equipes abandonaram a competição, foram multadas e facilitaram a vida dos adversários. Rio das Ostras, Atlético Rio, Everest e Carapebus perderam todos os jogos por W.O..

“Teve campo com linha torta, o lateral quase fazia uma curva para correr. E muito buraco. Mas também vimos outros gramados bons de jogar. O principal problema mesmo é que muitas equipes não apareciam. A gente ia jogar e não sabia se ia ter a partida realmente. Só venci um jogo por W.O. e nossa equipe ainda perdeu pontos por escalar um jogador irregular”.

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