ITEP convive com falta de estrutura até para armazenar corpos, denuncia SBT

Mais uma vez, o caos instalado na segurança pública do RN foi mostrado em rede nacional. Desta vez, o alvo foi o ITEP

Entre os instrumentos utilizados pelos legistas estão: conchas e facas de cozinha, alicates e até haste de guarda-chuva, que serve de agulha. Foto: Divulgação
Entre os instrumentos utilizados pelos legistas estão: conchas e facas de cozinha, alicates e até haste de guarda-chuva, que serve de agulha. Foto: Divulgação

O Instituto Técnico Científico do Rio Grande do Norte (ITEP) foi alvo de denúncia em rede nacional, pelo SBT Brasil, na noite de ontem. A falta de estrutura que os profissionais têm para receber, identificar e até armazenar os corpos, são alguns dos problemas exibidos pela reportagem, que foi a terceira da série de matérias exibidas pela emissora sobre a crise que vivencia o setor de segurança pública do estado.

A reportagem exibe o pátio do necrotério onde dezenas de caixões estão empilhados com corpos sem identificação, pela falta de estrutura do laboratório de DNA. O local não tem nenhum tipo de proteção e os corpos ficam embaixo de sol e chuva, em decomposição por meses. Um dos profissionais do setor afirmou ao jornalista sobre os possíveis destinos daqueles corpos. “Esses cadáveres que vocês estão vendo vão chegando e se acumulando. Para não deixar muito a vista, os corpos estão sendo enterrados a cada 30 dias, como indigente mesmo, sem identificação nenhuma”.

A sala de necrotério é o retrato da falta de condições de trabalho que os peritos legistas vivenciam. Faltam geladeiras para armazenar os corpos. “Às vezes tem dois, três cadáveres por urna” afirmou um dos funcionários que não quis se identificar.  Os repórteres tiveram acesso aos instrumentos manuais que os legistas utilizam para realizar a autópsia. Foram encontradas conchas e facas de cozinha, alicates e até haste de guarda-chuva, que serve de agulha.

O setor administrativo do órgão também passou pela vistoria dos repórteres, que registraram a falta de organização em que os laudos são guardados. Um dos funcionários não identificados afirma que a situação do instituto sempre foi a mesma. “Isso aqui nunca melhorou, quem vem pra cá só quer saber de dinheiro”.

A sala de necrotério é o retrato da falta de condições de trabalho que os peritos legistas vivenciam. Foto: Divulgação
A sala de necrotério é o retrato da falta de condições de trabalho que os peritos legistas vivenciam. Foto: Divulgação

No laboratório de análises e pesquisas, instrumentos ultrapassados são exibidos, enquanto máquinas de última geração que foram doadas pelo governo federal estão encaixotadas. Máquinas de raio-x, além de vários equipamentos fundamentais para o setor de investigação ainda não foram instalados por falta de móveis, espaço físico do laboratório e instalação elétrica. Enquanto isso, os materiais para a realização do DNA são levados para Salvador a cada seis meses, sem prazo definido para Natal.

“Todos os setores do Itep estão sem estrutura para funcionar. O prédio é antigo, tem 80 anos. Carros estão quebrados ou são de modelos inferiores ao que o setor necessita. Não tem estacionamento. O fechamento de centrais do cidadão, com o atendimento centralizado no bairro da Ribeira e no shopping gera longas filas e trabalho deficiente por parte do órgão. O governo do estado não pode mais fechar os olhos para essa situação” afirmou o diretor do Sindicato dos Policiais Civis do Rio Grande do Norte, (Sinpol), Djair Oliveira.

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