Ivo Holanda: “Ninguém me demite mais no SBT. Agora sou funcionário vitalício”

O Rei das Pegadinhas ainda revela que pode ter seu próprio programa na TV.

Foto: André Giorgi
Foto: André Giorgi

Com um olhar de menino travesso e boné virado para trás, Ivo Holanda parece um moleque de 78 anos. Artista desde o seis anos de idade, ele faz careta, pula, canta e toca “Tico-tico no Fubá” enquanto recebe a equipe do iG bem à vontade em uma das salas do prédio do SBT, em São Paulo.

Há pouco mais de dois anos, Ivo se tornou funcionário vitalício da emissora de Silvio Santos, após ser dispensado três vezes. “Toda empresa tem reformulação e, aí, fiquei de fora. Mas o Silvio é um bom patrão. Quando voltei da última vez, falei: ‘como eu vou ficar com essa idade? Não posso ficar sem estabilidade, plano de saúde’ Aí me falaram: ‘Acabou, ninguém mexe com você aqui dentro’. Ninguém me demite mais. Agora sou vitalício” comemora o Rei das Pegadinhas, que há mais de 30 anos diverte o público do “Programa Silvio Santos” aos domingos.

Disputado pela concorrência

Enquanto esteve fora do SBT, Ivo chegou a ser disputado pela concorrência. “O João Kleber e o ‘Pânico’ me convidaram quando fiquei afastado daqui por uns seis meses. Mas a gente não é bobo, meu bem. Conversando com os amigos que fazem o programa do João até hoje, eles me contaram que ele não paga ninguém”, fala, sobre o apresentador da Rede TV!.

Costela fraturada

O clima da conversa com Ivo Holanda é por vezes divertido e, em outras, nostálgico. Durante o bate-papo, expressões como “você é uma bruaca” e “desgraçuda” são ditas pelo artista “como sinal de carinho”, ele garante. “Mas o Silvio me proibiu de ficar falando assim nas pegadinhas. De primeiro, ele gostava porque funcionava, as pessoas achavam engraçado. Depois, ele me mandou parar porque tem essa coisa do politicamente correto. Uma vez falei ‘negão’, mas teve que editar, apagar, porque as pessoas falam que é racismo. O meu avozinho era pretinho, essa coisa pra mim não existe, todas as pessoas são seres humanos iguais, é simplesmente uma sátira”, opina.

Outra instrução da produção é que Ivo não revide nenhuma agressão. “Porque sou eu que estou provocando. Devo ser a pessoa que mais apanhou na televisão”, comenta ele, que chegou a fraturar uma costela enquanto corria durante uma gravação. “Foi sem querer, mas fui socorrido na hora para o hospital e fiquei imobilizado por um tempo. Hoje em dia peço ao meu diretorzinho: ‘ajuda aí porque não tenho mais 50, 60 anos pra sair correndo'”, diz, sobre a amizade com Helio Chiari, diretor do SBT. “Ontem, fui gravar no shopping e vi quatro seguranças. Nossa, como está bom pra mim hoje em dia. De primeiro não tinha ninguém. Além disso, tem que ser algo discreto, porque as vítimas – é assim que ele chama as pessoas que são pegas pela câmera escondida – podem ficar desconfiadas”, diz o ator.

“Socorro, produção”

Helio é quem grita no ponto, uma espécie de pequeno fone que o ator usa no ouvido durante as gravações. Acompanhando a entrevista, o diretor resume a melhor qualidade do colega de trabalho. “Ivo é cara de pau”.

O ator já perdeu as contas de quantas vezes repetiu o bordão “Socorro, produção”, que grita toda vez que está em apuros. Das situações que enfrentou na rua, a mais memorável chega a emocionar o artista enquanto conta. Na ocasião, Ivo roubava a toalha dos banhistas de uma praia do nordeste para se enxugar após sair do mar. Dá para imaginar o quão irritado qualquer um ficaria. “Peguei a toalha da gorda e ela ficou doida e, enquanto disputava com ela a toalha e ficava naquela: ‘me empresta’ ‘não te empresto, seu folgado’, ela caiu em cima de mim. Eu chamando a produção, engolindo areia, e ela não saía. Depois, foi dificil convencê-la a assinar e autorizar a divulgação da imagem. Ah, quantas vezes a gente perde gravações boas porque o pessoal não autoriza, não é, Helio?”, lamenta ele, interrompendo rapidamente a história antes de contar o desfecho.

“Aí, quando ela soube que teria um cachê pela exibição da imagem, ela quis vir falar comigo e me agradecer. E isso me marcou. Eu estava lá na van e a mulher me abraçou e chorou: ‘estava sem dinheiro para comprar comida e o senhor me ajudou a ir ao mercado com minhas duas filhas hoje’. Olha, chego a arrepiar”, conta, apontando para o braço, com os olhos azuis marejados. “Mas não deixei barato. Falei: ‘é, tudo bem, a senhora está com o dinheirinho no bolso, mas a senhora quase me matou sufocado”. Durante a exibição da pegadinha (assista abaixo), Silvio Santos dispara a frase rindo: “Coitado do Ivo”.

Salário e roça

Casado há 45 anos com Nazarena, pai de três filhos e avô de seis netos, Ivo diz levar uma vida caseira e longe dos holofotes que cercam o mundo dos famosos. “Levo uma vida humilde, moro num apartamento no Mandaqui (bairro de classe média na zona norte da capital paulista) e não ganho uma fortuna como a Sheherazade (Rachel, jornalista e apresentadora do ‘SBT Brasil’ que diz ter um salário de R$ 90 mil). Meu salário é de acordo com o que eu faço na TV e estou satisfeito, feliz por ser reconhecido na rua, ter meu emprego. Eu nasci na roça e hoje sou famoso em todo o Brasil. O reconhecimento é o melhor salário para o artista”, contenta-se o filho de trabalhadores rurais da cidade de Pompeia, no interior paulista.

“Quando pequeno, era um capetinha, ficava imitando, cantando, fazendo teatrinho e o pessoal falava para os meus pais: ‘leva esse menino para São Paulo, para ser artista na rádio”, recorda ele. Na juventude, Ivo conciliava com a carreira artística as atividades de taxista e office boy em um banco – onde ganhou seu imóvel em um sorteiro – , antes de ser chamado para a televisão. “Fui me apresentar em um show de calouros e o Silvio gostou. Ele ficou emocionado quando eu cantei ‘O Ébrio’, de Vicente Celestino.”, disse, sobre o primeiro encontro com o patrão.

 

Fonte: IG

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