Jardel revela novo drama com cocaína: ‘Tive recaída. É a p… da coca-cola’

Ex-atacante relata em detalhes seu problema com as drogas e o tratamento para se curar. Admirador de Felipão, ele acredita no hexa sob o comando do treinador

Jardel marcou um gol pela Seleção Brasileira. Foto: Divulgação
Jardel marcou um gol pela Seleção Brasileira. Foto: Divulgação

Único brasileiro com duas Chuteiras de Ouro (1998/1999 e 2001/2002), tradicional prêmio para o artilheiro da Europa na temporada, Mário Jardel se reergue aos 40 anos. Aposentado desde 2011, o ex-atacante revela nesta entrevista em Fortaleza (CE) que se recupera de uma recaída no vício em cocaína, drama que carrega consigo desde quando brilhava em Portugal.

Natural da capital cearense, mas residente de Porto Alegre (RS), ele deve ser candidato a deputado estadual no Rio Grande do Sul pelo PSD nas próximas eleições. O convite partiu do ex-goleiro Danrlei, atual deputado federal, ex-goleiro e parceiro no título da Libertadores de 1995 com o Grêmio de Felipão.

Bem humorado apesar dos problemas pessoais, Jardel viaja pelo Brasil para promover a imagem do tricolor gaúcho. Fez curso de treinador em Porto Alegre, mas deve se aventurar na política. Com barriga avantajada, pesa 110 kg. Confira a entrevista realizada na cidade onde o Brasil decide contra a Colômbia, na sexta-feira, se passa das quartas de final da Copa do Mundo.

Tem acompanhado a Seleção?
Jogando mal e ganhando, os jogadores são menos vaiados. Infelizmente é a cara do Brasil. Somos muito críticos. Se ganhar e não jogar bem, é pau.

Por que a Seleção está mal?
As outras seleções estão tendo muitas oportunidades de gol, e o Brasil deu sorte de não ter saído ainda da Copa. Confio no Felipão, porque ele trabalha muito e tem uma estrela enorme.  Estive com ele e o Parreira quando vieram a Fortaleza jogar com o México (0 a 0). Eles dão certinho juntos.

Como surgiu o encontro?
Liguei para o Felipão, porque ele é quase um padrinho meu e sempre me abriu as portas da Seleção.

Como sentiu o grupo?
Não estive com todos, mas senti o ambiente um pouco tenso e sem aqueles 100% de confiança. Olha, mas se eu jogasse hoje aquilo que eu fazia no Grêmio, eu daria muita alegria para todo o povo brasileiro.

Seria titular dessa Seleção?

Grandes possibilidades. Eu tinha capacidade para isso, mas na minha época era muito mais difícil, sempre tinha Ronaldo e Romário. Então eu viajava para sentar no banco.

Faltou uma Copa no seu currículo?

Faltou. Não lamento, fico rindo. Fui artilheiro da Europa, do Mundo e não fui para uma Copa. Em qualquer outro país eu iria. O Felipão levou o Luizão (em 2002), e fiquei muito triste, apesar de entender. Mas que falta uma Copa no currículo, falta.

Você é mito em Portugal. Sente-se pouco valorizado no Brasil?

Muito pouco, muito pouco. Mas tive culpa: fui mal assessorado, com muitos filhos da p… do meu lado. E  não ligo para as coisas materiais, sou muito simples.  Agora que estou aprendendo, vendo o mundo real.

Quem são esses filhos da p…?

Pessoas que estiveram perto de mim, se aproveitaram e, quando precisei, fugiram. Fui roubado por muita gente. Dei procuração, e transferiram apartamento para o nome deles, que não quero falar.

Você estava no Sporting quando o Cristiano Ronaldo começou a aparecer lá?

Ele continua a mesma pessoa: vaidoso, se acha um pouquinho, mas temos de respeitar, porque todo mundo tem o seu jeito. Ele não foi meu cunhado por pouco. Namorou a minha irmã por um ano. Na época ele não tinha nada, o ídolo era eu. Ele entrava no segundo tempo.

Não fosse o problema com a cocaína, você chegaria aonde?

Estaria jogando até hoje.

Qual foi o caminho para a droga entrar na sua vida?

Amizades ruins, fim de um relacionamento, depressão… Fiquei deprimido porque não tinha ninguém me apoiando no momento em que eu precisava.

Até os mais próximos?

Meu pai morreu de coração em 1997, no meu primeiro ano no Porto, e minha mãe tem problema com álcool até hoje, é alcoólatra. Imagina a luta que eu estou.

Qual foi a primeira vez que você consumiu cocaína?

Foi nas férias aqui em Fortaleza em 1998, na época em que eu estava no Porto. Eu estava num churrasco.

Como você fazia para não ser flagrado no doping?

Só usava nas férias. O médico e o fisioterapeuta do time sabiam, porque eu falava. Eu fazia exames todos os dias antes do treino, fiquei fechado um mês dentro da concentração para me recuperar.

Quando foi a última vez que você usou?

Só faz uns dois ou três anos. Após aquela entrevista (para a TV Globo, em 2008) sobre o problema,  tive uma recaída no ano seguinte e, por isso, resolvi me tratar. É a primeira vez que falo isso. Estava parado, aconteceu por fraqueza.

Onde você estava?

Não me lembro da cidade

Como é o seu tratamento?

Vou ao psiquiatra uma vez por semana, frequento a igreja, sou evangélico, e tomo remédios, mas estou tentando me livrar deles.

Você já ficou perto da morte?

Lógico. Teve um dia que eu usei demais, tive alucinações, fiquei com medo. Não é fácil, é uma luta diária.

Você ainda sente vontade? Consome algum tipo de álcool?

Não sinto vontade e só bebo vinho. Sou fraco para cerveja. Fico bêbado com três latinhas, aí dá merda.

De que maneira você vê o fim de carreira do Adriano?

Pô, eu queria ter tido a possibilidade que o Adriano teve agora no Atlético-PR. Ele fez um gol, se empolgou, foi para a balada e não voltou mais. Isso acontecia comigo, eu sumia por causa da porra da “coca-cola”. Mas nunca perco a esperança e acredito que as pessoas podem se recuperar.

Fonte: Lancenet

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